Barreiro - Pacheco Pereira no I Encontro de Cidades dos Afectos«A memória é importante para a cidadania»
“Há uma relação com o passado que não é boa – a relação de nostalgia”, salientou.

Por Jornal Rostos
Pacheco Pereira, político, professor e investigador de História Contemporânea Portuguesa, proporcionou uma reflexão sobre o tema –«Afectos e Memória».
Sem a memória não temos identidade
“A memória faz bem à saúde”, disse, acrescentando que – “sem a memória não temos identidade”.
O investigador sublinhou na sua actividade procura ser um “médico da memória” e procura “intervir quando à rotura da memória”.
A memória é importante para – “ler o mundo em função da história”.
Pacheco Pereira, alertou para a importância dos documentos, referindo que normalmente, por exemplo, no dia seguir às eleições – “deita-se tudo fora”, por essa razão, tem procurado fazer – “uma recolha da informação das autárquicas”.
Nostalgia de um tempo que acabou
Na sua intervenção referiu que – “há uma relação com o passado que não é boa, a relação nostálgica”, essa – “a nostalgia de um tempo que acabou” que conduz à “mitificação do passado” e “à nostalgia do que passou”.
Referiu que a – “história institucional parte do presente para o passado”, mas a “memória permite reconstruir tudo” e “por travão na memória propagandistica”.
A memória é importante para a cidadania
Sublinhou que após 48 anos de censura, a liberdade conquistada com o 25 de Abril, abriu caminho para que – “a memória do passado” possa servir como “arma da democracia e de futuro”.
“A memória é importante para a cidadania”, afirmou, acrescentando que a “memória é um instrumento de interpretação pessoal e de cidadania colectiva”.
“A memória permite compreender a vida cívica de um país”, salientou.
Conservar documentos para ter mais cidadania no futuro
Pacheco Pereira, referiu que nos Estados Unidos com base na “genealogia” existe uma “forma popular de relação com a memória” e a lei obriga à publicação das decisões do Estado.
Por outro lado, interrogou-se sobre essas lacunas em Portugal, questionando se existem documentos, por exemplo, do período das negociações da troika.
Sublinhou a importância de se “conservar documentos para ter mais cidadania no futuro”.
A manipulação pela imagem é a mais perigosa
Pacheco Pereira, definiu-se como um “militante da memória”.
“A memória colectiva das cidades é uma forma de afectos no presente e no futuro das cidades”, disse.
O investigador salientou que é preciso – “acrescentar aos afectos inteligência”.
Para a memória referiu é importante o «logos» - razão -, o «ethos» - ética- e a «Pathos» - emoção.
Alertou para os perigos da manipulação através do uso da memória – “a manipulação pela imagem é a mais perigosa”.
Foto - Filipe Cardeira













