Saltar para o conteúdo
Perspectivas

Moita - Teatro nasce de forma sublime na vida realPara sermos criadores, o principal é vencermos a inércia

No Centro de Experimentação Artística, no Vale da Amoreira, concelho da Moita, ontem à tarde, o teatro e a vida, proporcionaram momentos de reflexão e envolvimento na vida da comunidade.

A “Assembleia” de autoria, formação e encenação de Rui Catalão, foi um excelente momento de encontro da vida com a arte.

5 min de leitura
Moita - Teatro nasce de forma sublime na vida real Para sermos criadores, o principal é vencermos a inércia

Por Jornal Rostos

A peça “Assembleia”, começa com um momento de expressão plástica, com imensa beleza, de troca de olhares, movimentos, musicalidade, levando cada espectador, em determinado momento, eventualmente, também, ele, a fazer uma «escolha» e seguir o ritmo e a intensidade de uma personagem, ali, em cena e em interactividade.
O desafio que se coloca naquele mundo em movimento é descobrir quem somos capazes de escolher e aprofundar o relacionamento. É o teatro e a vida.
Nós vivemos, de facto, assim, em encontros e desencontros, com empurrões, com caricias, até, que nos descobrimos e descobrimos o outro(a).

Depois, num segundo momento somos convidados a entrar em cena, real ou ficção, fica a dúvida, mas, cada um de nós sente que passou a integrar o espectáculo. E, até, sentimos que a vida é teatro e teatro é intervenção na vida.
Somos confrontados com um desafio. Uma escolha. Pensar a vida da comunidade, Os seus problemas e desafios. Somos levados a pensar como cada um é responsável por agir e ter opções, nas opções que podem ser ideias de um, mas que, no fim, uma ideia de um, é uma ideia que se concretiza para e com a comunidade.
Somos levados a reflectir sobre processos de decisão. Somos levados a discutir e agir. Nada do que acontece na vida comunitária é alheia à construção do nosso bem estar e fazer comunidade.

Somos levados a entrar por dentro das nossas dúvidas, por dentro das angústias que são de todos e de cada um na sua individualidade.

Rui Catalão é o protagonista, envolve com palavras os actores e os espectadores, motiva para o debate e para o respeito das diferenças.
Faz-nos pensar como cada um de nós pode ser actor da vida, na comunidade e no teatro, vivendo aquele momento ou ignorando-o e, simultaneamente, o espectáculo é uma proposta de intervenção e acção civica, de projectos de vida e de valorização do ser humano, cada um enquanto agente criador, na sua individualidade e na co-governação das mudanças.
Ficamos, no final, com aquela interrogação, se o que vivemos foi ficção, ou na realidade, um desafio para pensar e agir na vida.
E, para que cada um pense, dentro de si mesmo, fica a nota de auto-motivação, para sermos criadores, o principal é vencermos a inércia, porque, afinal, é a inércia que trava e impede as mudanças.

Num último momento, retoma-se os movimentos, agora com música africana, ao encontro de raízes e de afectos – mãos estendidas, forças que se entrelaçam como uma corrente de vida, onde, afinal, cada um tem que sentir que faz parte daquele todo – cada um de nós é comunidade!

Uma tarde bem passada, momentos que permitiram fechar os olhos e pensar por dentro palavras e emoções. Sentir que o teatro é vida e que a vida pode ser transformada e moldada como quem sonha e nunca desiste de objectivos.
É preciso ter projecto. Pensar os problemas. Descobrir soluções. Superar as angústias. Só assim vivemos e somos.
Parabéns Rui Catalão pela forma intensa como motiva aqueles jovens e os faz sentir a vida e os sonhos.
Parabens aos actores e actrizes que de forma serena viveram esta situação – que digo-vos . não sei onde começa o teatro e acaba a vida, nem onde começa a vida e acaba o teatro. Foi arte.
É, talvez, isto o mais belo do espectáculo -. dizer-nos que há vida para além do teatro e há teatro para além da vida, e , as situações exigem de nós – diálogo, intervenção e nunca desistir de sonhar.
Talvez, um dia vamos ver nascer a Creche no Vale da Amoreira, e, então, sentimos que o Teatro renasce de forma sublime na vida real.

António Sousa Pereira

SINOPSE
A peça “Assembleia”, com autoria, formação e encenação de Rui Catalão

Se aceitarmos que a utopia é o lugar onde as experiências são possíveis, em que se pode pensar uma alternativa, em que se pode partir de uma ideia de “fazer tudo de raiz”, então não haverá comunidade mais habilitada para avançar para um processo utópico.
Mesmo que numa fase embriónica, intuitiva, e por isso impossível de validar, aceitemos este enunciado fictício: que o Bairro é um centro de pesquisa, em que os experimentadores são os próprios habitantes.
Fazemos uma proposta: que esses pesquisadores entrem na Assembleia, que discutam as suas ideias e práticas. Que se agitem, que tomem consciência, e canalizem a energia desperdiçada na comunidade.

VER FOTOS

https://www.facebook.com/pg/jornalrostos/photos/?tab=album&album_id=10154576960022681 />

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção