Na assinatura do contrato de construção da «Muleta»Vamos ter notícias por estes dias sobre a actividade económica no Tejo
. anunciou o Presidente da Câmara do Barreiro
Carlos Humberto salientou que “há muita gente que se identifica com este projecto de construção da Muleta, mas também há muita gente que não gosta.
O autarca referiu que este projecto se insere numa estratégia global de pensar a zona ribeirinha e a ligação da cidade ao rio.

Por Jornal Rostos
Hoje, pela manhã, no Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita, decorreu o acto de assinatura do contrato com a firma JAIME FERREIRA DA COSTA & IRMÃO, LDA CONSTRUÇÕES E REPARAÇÕES NAVAIS para a construção da embarcação típica de pesca do Barreiro, Muleta.
Só se alcança o sonho ao transformá-lo em realidade.
“Há muito tempo, mesmo antes de ser presidente da Câmara, que considerava importante ter símbolo do Barreiro” sublinhou Carlos Humberto Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, expressando a satisfação de ver que vai realizar-se esse seu sonho – “o objectivo é nunca desistir”, afinal “só se alcança o sonho ao transformá-lo em realidade” .
“È o que estamos a fazer”, disse.
O autarca salientou que a «Muleta» faz pare da história do concelho do Barreiro e da sua relação com o rio e com o navegar.
“O Barreiro precisa de posicionar do ponto de vista do Rio Tejo”, referiu o autarca e, nas entrelinhas, deixou uma nota – “teremos notícias”, sobre a “actividade económica no Tejo”.
Este não e um acto isolado
Carlos Humberto salientou que “há muita gente que se identifica com este projecto de construção da Muleta, mas também há muita gente que não gosta.
“No futuro vão ver que esta decisão é justa”, afirmou.
O autarca referiu que este projecto se insere numa estratégia global de pensar a zona ribeirinha e a ligação da cidade ao rio.
“Este não e um acto isolado”, afirmou.
Acordar das Câmaras para o Tejo
Jaime Costa, o responsável do estaleiro que via construir a Muleta, referiu que há muitos anos “gostava de construir a Muleta e isso agora vai ser uma realidade”.
Referiu que a «Muleta» é nossa, é portuguesa e do Tejo.
Na sua intervenção expressou a sua satisfação por estar a viver este tempo do “acordar das Câmaras para o Tejo”.
Divulgou que a «Muleta» será entregue à Câmara Municipal do Barreiro, no Feriado Municipal – 28 de Junho – de 2018.
A construção da Muleta é um investimento de 285 mil euros, mais iva.
Sobre a Muleta
O Concelho do Barreiro possui condições naturais para as atividades marítimas, pelo que desde muito cedo as suas gentes souberam tirar partido dessa riqueza natural. Desde tempos ancestrais que o Tejo se povoou de barcos numa azáfama de aproveitamento de ventos marés e correntes quer no transporte de mercadorias entre as duas margens que no labor da pesca.
Uma das embarcações usadas nessa atividade foi a Muleta do Tejo também denominada como “do Barreiro” ou “do Seixal”, e considerada por muitos como a mais extraordinária embarcação tradicional portuguesa.
Este barco de pesca é arcaico na forma do casco aparentando ter origem no Mediterrâneo Oriental, de proa proeminente redonda, bélica no aspeto, onde ostenta pequenos esporões, e de popa fortemente encurvada. Apresenta um casco chato mas arqueado no sentido longitudinal.
Apesar da sua estranha aparência, a muleta é uma embarcação altamente equipada para a pesca e é perfeitamente adaptada ao seu trabalho em que uma campanha de 15 homens, dirigida por um mestre e dois moços auxiliares, empregam a tartaranha rede de arrasto e de alar, mas também aplicavam redes à deriva dentro do estuário e fora da barra. Arvora um só mastro inclinado para a proa onde cruza a verga para uma grande vela latina, o resto do seu equipamento de velejar dava-lhe uma enorme propulsão, dois panos na ré e seis na proa que compensam mantendo a muleta atravessada para arrastar.
Operava dentro do estuário do Tejo da foz até ao mar da palha, e fora do Tejo percorria o espaço entre os dois cabos, o Espichel e o da Roca.
Em 1901 já só se encontrava uma muleta a laborar sendo substituída pelo Bote da tartaranha em uso até 1928.
Esta embarcação marcou de tal forma as gentes e a vida barreirense que é atualmente uma das peças mais identificativas da sua heráldica.













