Barreiro – Saudação aos 75 anos de Alfredo da SilvaReprovada na Assembleia Municipal pela CDU e BE
A saudação foi reprovada com os votos contra da CDU e BE. Contou com os votos favoráveis do PS; PSD e MCI.

Por Jornal Rostos
Vítor Nunes, na saudação recordou que no passado dia 22 de Agosto, passaram 75 anos sobre o falecimento de Alfredo da Silva – “o maior e mais importante empresário industrial português e um dos maiores da Europa”.
Referiu que a saudação, com o mesmo teor, foi aprovada por unanimidade na reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro.
Recordou para além do complexo Fabril do Barreiro o empresário desenvolveu a sua actividade em áreas como a indústria naval, tabaco, banca e seguros, em simultâneo empregou 30.000 trabalhadores, sendo cerca de 8.000 no Barreiro – “depois do Estado, o maior empregador do país”.
Programa de assistência e apoio aos seus trabalhadores
Sublinhou o deputado social democrata que o nome de Alfredo da Silva encontra-se ligado ao Barreiro, desde 1907, onde encetou “um programa de assistência e apoio aos seus trabalhadores, único no país até hoje, nomeadamente nos Bairros Habitacionais”, assim como complexo desportivo e colónia de férias, entre outros.
“Alfredo da Silva foi o primeiro empresário português no sentido moderno deste conceito”, disse Vítor Nunes.
Melhores condições de vida e de trabalho
“Evocar os 75 anos do falecimento de Alfredo da Silva é evocar também a memória dos milhares de trabalhadores que durante décadas produziram riqueza para o Barreiro e para o país e lutaram por melhores condições de vida e de trabalho”, referiu o deputado socia democrata.
Sublinhou que evocar Alfredo da Silva é evocar todos os que construíram a fábrica – “é evocar o Barreiro como cidade de vanguarda na luta por avanços civilizacionais, tecnológicos e da indústria portuguesa.
Barreiro como cidade de vanguarda
No texto da saudação apresentada por Vítor Nunes, recorda-se que Alfredo da Silva se encontra sepultado no Barreiro, evoca-se os milhares de trabalhadores que lutaram por melhores condições de vida e de trabalho e sublinha-se o papel do Barreiro como cidade de vanguarda.
Saudação equilibrada
André Pinotes, deputado do Partido Socialista, considerou a saudação apresentada pelo PSD de “equilibrada” e referiu que os deputados do PS subscrevem a mesma.
Não podemos fazer o branqueamento da história
André Antunes, do BE, referiu que "não podemos fazer o branqueamento da história" e não "evocar passivo", temos que "falar do bom e falar de tudo", porque "não podemos apagar da história todos os aspectos negativos", disse o deputado do Bloco de Esquerda.
Temos fome. Queremos pão
Paulo Deus, deputado da CDU, referiu que neste ano que se assinalam 55 anos de uma greve, durante a qual foram presas, perseguidas e espancados trabalhadores que apenas gritavam: ‘ Temos fome. Queremos pão’, era razões para não aprovar a saudação apresentada pelos sociais democratas.
Houve greve justas
Isidro Heitor, PS, considerou a saudação “equilibrada”, sublinhou que para haver trabalhadores e greves, têm que existir empresários.
Recordou os muitos que vieram para o Barreiro, viver e trabalhar, oriundos de muitos pontos do país, porque – “houve um empresário que criou”.
“Houve greve justas”, salientou.
Unanimidade na reunião de Câmara
Vítor Nunes, PSD, referiu que na saudação são enfatizados aspectos da postura empresarial e o papel dos trabalhadores e tudo isto faz parte da história do Barreiro.
Recordou que a moção foi aprovada por unanimidade na reunião de Câmara Municipal que – “tem mais consideração pela história que a bancada da CDU”.
Barreiro é mais que Alfredo da Silva
Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, deu a conhecer a declaração de voto que leu na reunião da CMB, após aprovação da saudação a Alfredo da Silva.
Recordou que na sua acção politica procurou valorizar o Barreiro e combater tudo que tenta “descaracterizar a nossa terra” e não fomentar clivagens, por essa razão nunca apresentaria este tipo de moções, que “aumentam clivagens”, reconhecendo o papel de Alfredo da Silva – “que integra a história do Barreiro, mas a história do Barreiro é mais que Alfredo da Silva”.
Salientou que Alfredo da Silva “foi isto” que se diz na saudação, mas também foi a repressão e a prisão de trabalhadores, foi a GNR na fábrica, foram centenas de despedimentos e fez fortuna à custa de baixos salários e exploração.
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