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Perspectivas

Barreiro - «A cultura não rima com ditadura»50 anos depois cantar «os vampiros» e reviver a luta pela Liberdade

Hoje à tarde, o auditório da Cooperativa Cultural Popular Barreirense, foi recordado um acontecimento que se inscreveu nas memórias de resistência e luta pela Liberdade de milhares de barreirenses.

Álvaro Monteiro, recordou que a festa musical e de poesia que se realizou no dia 11 de Novembro de 1967, foi resultado de um plano de trabalho da direcção – “era preciso agitar”.

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Barreiro - «A cultura não rima com ditadura» 50 anos depois cantar «os vampiros» e reviver a luta pela Liberdade

Por Jornal Rostos

Foi no dia 11 de Novembro de 1967, no Pavilhão do Luso Futebol Clube, numa iniciativa promovida pelo Cine Clube do Barreiro, realizou-se um Sarau Musical e de Poesia, vivido num clima de tensão e de grande emoção que culminou com todos os presentes a pedir a Zeca Afonso para cantar – Os vampiros – e que este correspondeu, vivendo-se um momento único e inesquecível na história cultural e politica do concelho do Barreiro.

Um tempo que merecia um estudo

Carla Marina, da Direcção da Cooperativa Cultural Popular Barreirense, recordou que os anos 60 foram uma década muito importante para o movimento associativo do concelho do Barreiro.
Foi um período, disse, de luta cultural e politica contra uma ditadura. – “um tempo que merecia um estudo”.
Referiu que esta década foi do ponto de vista cultural de uma grande riqueza, recordou as aulas para adultos que se iniciaram no Luso Futebol Clube, as iniciativas do Cine Clube do Barreiro e o surgimento de Comissões Culturais nas cooperativas.

No país não houve nada igual

Cunha Santos, da Direcção do Cine Clube do Barreiro, recordou o papel do cineclubismo na vida dos barreirenses e remeteu para Álvaro Monteiro, a evocação dos acontecimentos de 1967 – “ele era o presidente da Direcção”.
Álvaro Monteiro, recordou que o acontecimento vivido há 50 anos, foi “importante para o Barreiro e importante para o país”.
“No país não houve nada igual”, disse.
Salientou que a PIDE, após o evento, assaltou o Cine Clube, prendeu a Direcção, levou ficheiros, livros de actas.
“Foram a minha casa e rebuscaram todos os cantos”, referiu.

Uma intensa actividade cultural

“Este evento cultural não foi uma coisa isolada. O Cine Clube já vinha realizando uma intensa actividade cultural que era apoiada pela população barreirense”, recordou.
“Nós não nos limitávamos a projectar filmes, após os filmes fazíamos colóquios com críticos ou com os realizadores. Eram sempre salas cheias”, disse.
Sublinhou que o Cine Clube do Barreiro tinha prestigio ao nível nacional – “era um clube de referência”.

Cultura não rima com ditadura

Álvaro Monteiro, recordou que a festa musical e de poesia que se realizou no dia 11 de Novembro de 1967, foi resultado de um plano de trabalho da direcção – “era preciso agitar”.
Havia muita resistência e muita vontade em todos nós na direcção, referiu.
Sublinhou que a actividade cultural mexia com o regime obscurantista - “porque a cultura não rima com ditadura”.
O presidente da Direcção do Cine Clube, naquele ano de 1967, recordou as condições que foram vividas nas prisões, onde esteve detido com outros dirigentes.

Tenho no Barreiro tudo o que é sagrado na minha vida

Dando continuidade à sessão foram escutados os registos áudio de vários momentos vividos há 50 anos, comentados por Álvaro Monteiro.
Francisco Naia, uma voz da resistência e da liberdade – “tenho no Barreiro tudo o que é sagrado na minha vida. O Barreiro, não nasci cá, mas esta é a minha terra”, disse.
Francisco Naia acompanhado por Vítor Soromenho, um fundador da AJA – Associaçao José Afonso – proporcionaram momentos deliciosos, recordando Zeca Afonso e proporcionando encontro com os dias e os registos de gentes e memórias que abriram as portas ao 25 de Abril.

Os vampiros 50 anos depois…

A finalizar, hoje, no ano de 2017, tal como há 50 anos, escutou-se o coro – Os vampiros - num cântico que emergia, ali, por dentro da memória e fluía vivo na consciência de quem sente Abril, sempre a florir no coração, assim como quem diz : já fui moço, já fui homem, numa cidade que é um chão de palavras pisadas, não faltes ao encontro sê constante…

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