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Perspectivas

Hospital do Barreiro foi pioneiro no paísNa criação de um projecto de apoio às vitimas de violência doméstica

. São cada vez mais os idosos dão entrada nas urgências do hospital vitimas de violência doméstica

. Violência psicológica fica na alma

O Hospital do Barreiro foi pioneiro no país na criação, no Serviço de Urgência, de um projecto de apoio à vitima de violência doméstica.
“Hoje já não é um projecto, é um programa”, referiu a enfermeira, Célia Camacho, ontem à tarde, numa conversa sobre o papel da mulher na sociedade, que decorreu na SFAL, promovido pela AMPM.

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Hospital do Barreiro foi pioneiro no país Na criação de um projecto de apoio às vitimas de violência doméstica

Por Jornal Rostos

Ontem realizou-se na SFAL – Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense um encontro tendo como tema «O papel da Mulher na sociedade de hoje», promovido pela AMPM – Associação de Mulheres de Patologia Mamária, no âmbito das comemorações do Dia Internacional da Mulher.
Fernanda Ventura, presidente da AMPM, salientou a importância de debater temas relacionados com a presença e acção da mulher, recordou as lutas travadas para se conquistarem direitos e a igualdade, mas, esta é uma luta que continua e vai continuar, referiu.

O 8 de Março não são só rosas

Amélia Militão, escritora, recordou as lutas das mulheres operárias por trabalho igual- salário igual, as muitas manifestações na história.
Salientou que cada mulher deve ter objectivos e nunca deixar de querer realizar os seus sonhos, deu o seu exemplo pessoal que, só agora, descobriu o mundo das artes plásticas.
Recordou que a mulher na sociedade cumpre muitas funções ao mesmo tempo, essa é uma das suas características.
“Temos que continuar a lutar todos os dias para mantermos todos os direitos. O 8 de Março não são só rosas”, é o resultado de “de dias muitas lutas”.

Temos que nos construir na complementaridade

Sónia Lobo, vereadora da CDU da Câmara Municipal do Barreiro, recordou as histórias das lutas das mulheres, contadas por sua avó e sua mãe – “elas falaram-me de igualdade entre o homem e a mulher”.
“Esta luta da mulher da mulher cada vez faz mais sentido”, disse.
Sublinhou que existem diferenças entre o homem e a mulher – “nós temos que nos construir na complementaridade”.
Ainda há áreas na sociedade onde há diferenças marcadas pela desigualdade entre homens e mulheres.
Sónia Lobo, referiu que na Câmara Municipal do Barreiro, nos cargos de chefia, há mais mulheres que homens.
Recordou que na vida prática, as mulheres trabalham mais quatro horas por dia que os homens.

Podia ser sócia, não podia ser dirigente

Lurdes Sales, presidente da Direcção da SFAL, salientou que a presença da mulher no associativismo é uma presença de amor.
Recordou que a sua relação com a SFAL começou aos 10 anos quando veio viver para o Lavradio – “foi aqui que comecei a ver televisão e fazer teatro”.
Referiu que na SFAL, de acordo com os seus estatutos de 1927, as mulheres podiam ser associadas, mas não podiam ser dirigentes, esses estatutos estiveram em vigor ate 1981 – “podia ser sócia, não podia ser dirigente”.
As mulheres após o 25 de Abril participaram de forma activa na vida da Colectividade, disse, e divulgou alguns números -11 mulheres foram dirigentes 2 anos, 2 mulheres, durante 6 anos; 6 assumiram cargos 4 anos; 1 mulher foi dirigente 8 anos; outras 2 durante 10 anos, uma foi dirigente durante 18, outra ainda foi 24 anos e por fim –não o disse, mas, foi ela mesma – a mulher com mais anos dirigente num total de 28 anos.

Cada vez mais os idosos dão entrada nas urgências

Célia Camacho, enfermeira, abordou a temática da violência doméstica, salientando que a violência doméstica continua a ser uma prática de todos os dias que é transversal a todas as classes sociais, abrangendo qualquer género, em diferentes idades.
Referiu que nos últimos tempos, a violência doméstica tem atingido os idosos, as famílias vão buscar os idosos aos lares, por dificuldades financeiras, porque precisam das suas reformas.
“São cada vez mais os idosos que dão entrada nas urgências e que são abandonados no hospital. Esta éuma situação preocupante ”, disse.

Violência psicológica fica na alma

Célia Camacho, recordou que existem diferentes formas de violência doméstica – psicológica, esta deixa marcas muito profundas –“ficam na alma”. A violência física e a violência sexual.
Sublinhou diferentes aspectos da violência psicológica que considerou ser a mais grave, porque contribui para a perca da auto-estima da vitima, gera situações de isolamento social, desenvolve-se através de jogos emocionais, por vezes, tem por base o controle económico e a subjugação, forjando o sentimento de posse.
“São muitas as mulheres que se submetem esta violência diária”, referiu.
“Acontece no nosso prédio, ao nosso lado, mas nós não sabemos ou não queremos saber”, sublinhou.
Recordou a importância do apoio às vitimas doméstica – “é preciso ajudar sem criticar”.
O nº de telefone.24 horas por dia de apoio à vitima de violência doméstica é o 144.

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