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Perspectivas

Revista à portuguesa continua viva no BarreiroTESFAL um espectáculo hilariante e com ritmo

. O espectáculo volta à cena no próximo sábado, dia 24 de Março, pelas 21h30, e, no domingo dia 25 de Março, pelas 16 horas.

Um espectáculo que mistura veteranos e novos, tornando-se uma verdadeira oficina de teatro, de aprendizagens.
Em suma foi uma tarde divertida, hilariante, onde, na verdade, a revista à portuguesa foi vivida com ritmo, paixão e qualidade teatral.

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Revista à portuguesa continua viva no Barreiro TESFAL um espectáculo hilariante e com ritmo

Por Jornal Rostos

A revista à portuguesa durante décadas deu vida e animou muitas noites do movimento associativo do concelho do Barreiro.
Na SFAL – Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense a presença da revista, na vida regular daquela que é a mais antiga Colectividade do concelho do Barreiro, sempre fez parte das suas dinâmicas recreativas e culturais.
A proximidade do Carnaval, ou nos programas de aniversário a revista à portuguesa era uma prática da «escola de teatro», um espaço de aprendizagem, onde se cruzavam os veteranos e os novos. Salas cheias, familias, um ponto de encontro. Gente vibrando de riso.
A revista foi-se mantendo sempre, e, fruto dos tempos, acabou por estar ausente durante alguns anos.
Recentemente, desde há cerca de um ano, no âmbito das comemorações dos 150 anos da SFAL, alguns veteranos e outros mais novos, todos com vivências no palco da velhinha, decidiram recomeçar essa velha tradição da revista à portuguesa, e, de novo a revista regressou, mais uma vez sob a direcção de António Pequito, que nunca deixou de lado esta sua paixão pela revista, tendo desenvolvido um trabalho de referência na Baixa da Banheira.

O António Pequito nasceu para o teatro na SFAL, ao longo de mais de quatro décadas é, ali, um dos rostos do sentir e comunicar a vida, pela arte teatral. Um homem do teatro que vive a revista à portuguesa, como actor, como encenador e na recreação de textos.
António Pequito cresce como actor sempre que sob ao palco em qualquer papel na revista à portuguesa, faz parte do seu sangue e do seu suor.
Ele, pode dizer-se, quer como actor, quer como encenador, vive para a revista à portuguesa, como costuma dizer-se – “é o peixe na água”.
Deve-se à sua vontade e ao seu querer este regresso da revista à portuguesa ao palco da velhinha Lavradiense, e, naturalmente, vai estar disponível para dar a volta pelos palcos do concelho do Barreiro e da região.

Tudo isto para dizer que os anos de experiência, as vivências em palco, são, sempre uma aprendizagem e quando se assume com prazer e simplicidade o fazer teatro, ganha o actor, ganha o encenador, ganha o público, porque, de facto é pela simplicidade e criatividade que se dá a volta às dificuldades.
Tenho visto diversas revistas do TESFAL, e, naturalmente, outras encenadas pelo António Pequito, e, ontem à tarde, ao assistir a mais uma versão do ciclo «Cacagente», uma marca de referência dos trabalhos do TESFAL – de revista à portuguesa, fiquei com a sensação de ter vivido uma tarde agradável de ter assistido a um espectáculo com ritmo, bem cuidado, com qualidade, com as piadas de caserna, no seu quanto baste, hilariante, colorido e com musicalidade.

Esta versão de «Cacagente não há crise» é divertida, com dinâmica decorrer com intensidade, gargalhadas, que não damos pela passagem do tempo.
Um espectáculo que mistura veteranos e novos, tornando-se uma verdadeira oficina de teatro,espaço de aprendizagens. Todos cantaram. Todos com boas vozes, naturalmente, por vezes, regista-se a carência de trabalhar a voz, mas isso é como em tudo na vida, aprende-se e corrige-se.
É agradável ver aquela força de vontade, aquele querer e acreditar e, sem dúvida, com toda a entrega, proporcionarem momento melódicos e com ritmo. Os aplausos ao ritmos das vozes ecoaram no salão da sociedade! E as coreografias escolhidas são cativantes.

O Guarda Roupa está muito bem cuidado, sente-se que, ali, há mesmo um sentido de profissionalismo. Um trabalho de costureira feito com voluntariado e até oferta de materiais. Parabéns Manuela Parreira.
O som está quanto baste. A iluminação é o resultado dos meios disponíveis, mas, no essencial, segue a intensidade dramática.
Os cenários dão ao espaço cor e alegria. Sóbrios. Simples e com dignidade.

Gostei de ver a Ernestina, uma cigana afoita e com a vivência plena do seu papel, a cruzar-se com o Tamissa, neste seu regresso a um mundo que faz parte das suas vivências de há 40 anos .
Deliciei-me com a Sandra Chambel, de grande dimensão na sua dicção e sensualidade. A Sandra faz um papel de excelência.
O António Pequito não vale a pena comentar, é, ali, na revista que está o seu adn. O Parreira continua a marcar pela sua vos fulgurante e vivência em palco de forma intensa e apaixonada.
A Isabel Pequito esteve como sempre igual a si própria, ela vive por dentro do teatro de revista.

Há um conjunto de jovens actores e actrizes que encantam pelo seu àvontade – quer a cantar, quer assumindo papeis de forma solta e divertida. Surpreenderam-me. Gostei.
O Bento enche o palco e a sala com a sua voz potente. O José Miguel também veterano, sente-se que está de pedra e cal num terreno onde se move tranquilamente.
De registar em alguns momentos de que se nota a dificuldade no domínio dos textos. Escuta-se, por vezes, o ponto a salvar a situação, naquelas brancas, mas, afinal, em revista, tudo se perdoa, e, diga-se, alguns com a experiência superam muito bem as situações.
Mas, vá lá, um pouco mais de esforço sempre se evitavam aqueles instantes de silêncios.

Em suma foi uma tarde divertida, hilariante, onde, na verdade, a revista à portuguesa foi vivida com ritmo, paixão e qualidade teatral.

S.P.

O espectáculo volta à cena no próximo sábado, dia 24 de Março, pelas 21h30, e, no domingo dia 25 de Março, pelas 16 horas.

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