Moita - Teatro Projéctor do Barreiro no Forum José Manuel FigueiredoUma brilhante vivência do conflito entre a memória e a vida real

Por Jornal Rostos
Este novo trabalho do Grupo de Teatro Projéctor é marcado por duas grandes interpretações de Luciano Barata e Rita Reis. Estão brilhantes no domínio das personagens e com uma perfeita dicção.
Luciano Barata vive com intensidade o seu papel, sente o texto e dá ao mesmo força e emoção.
O texto tem um papel central nesta peça é ele que nos conduz e nos faz sentir o tempo, esse tempo entre a memória e a realidade.
Mas, de facto, a pulsação do texto só é possível viver e sentir com a interpretação – as interpretações – que atingem um nível muito homogéneo.
Os dois personagens vivem por si mesmos, com dramatização, sem superioridades, são expressivos e psicologicamente equilibrados.
A Rita Reis tem expressividade, tem naturalidade gestual, é uma personagem com carácter e com força, não submergindo perante a dimensão de experiência e àvontade de Luciano Barata.
Estão ambos de parabéns. Foram excelentes.
A encenação está interessante sendo ela mesma um jogo de marcações no espaço, onde as personagens se movem nas suas emoções e entrelaçando-se nas relações e nos diálogos entre as personagens e nos seus silêncios e busca da sua interioridade.
As mobílias, a salamandra, os lugares onde as personagens vivem a sua temporalidade – da manhã, ou da noite – a casa como ponto de interiorização do que somos, lugar que nos pertence e onde estamos, somos, ou não somos, sózinhos com os nossos pensamentos e com o(s) outro(s).
O encenador cria um espectáculo que tem o ritmo do lugar onde as emoções explodem. Bem conseguido, naturalmente, como sempre, com a beleza e simplicidade da criação de Abílio Apolinário.
Uma encenação que, ela mesma, tem o ritmo discursivo, o qual sente-se, na luminosidade – mais ou menos intensa – e nas escolhas sonoras, com uma cadência marcada pelo “requiem” que faz sentir o ontem a mergulhar no real.
Uma peça a não perder!
.António Sousa Pereira
O JOGO DA SALAMANDRA
PROJÉCTOR TEATRO
27 DE MARÇO - 21,30H
AUDITÓRIO do Forum José Manuel Figueiredo
BAIXA DA BANHEIRA
ENTRADA GRATUITA
. LEVANTAMENTO DE BILHETES
- M/12
Atores: Rita Reis e Luciano Barata
. Encenação: Abílio Apolinário
SINOPSE
“O Jogo da Salamandra” do autor Jaime Rocha (pseudónimo) sendo o seu verdadeiro nome Rui Ferreira de Sousa, poeta, escritor, jornalista e dramaturgo.
Esta peça aborda as dificuldades afetivas entre uma jovem e um homem supostamente com o dobro da sua idade. Gerir as suas emoções enquanto vivem juntos, torna-se difícil. Ele é um escritor que viveu os anos do fascismo, e ela uma jovem indiferente a esse assunto, sentindo no entanto um fascínio pela sua pessoa e pela sua escrita, contudo a diferença das suas idades e a juventude da jovem, fazem com que haja uma discórdia e um ciúme constante sobre ela.
Um jogo em que a salamandra é o lugar sem retorno das memórias dele e o ponto fundamental da discórdia.
Abílio Apolinário
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