Barreiro –TESFAL estreia «A Força do Povo» de Manuel GirioUma peça que faz sentir que a Liberdade continua viva
Uma peça pequena, simples, que nos faz pensar nos tempos, nas contradições, nos saltos qualitativos, no amor, paixão, voluntarismo, entrega que fizeram aqueles dias de sonho, na vida de um país que aprendia a respirar e saltar para além do silêncio. Uma peça que é uma lição sobre os dias de Abril.

Por Jornal Rostos
Hoje, dia 25 de Abril, num tempo que ainda continuamos a escutar a «Grândola» e as lágrimas, ao ritmo dos passos e dos sons, ainda espreitam os nossos pensamentos, feitos de emoções que emergem de memórias, momentos gravados no coração do tempo vivido.
Hoje, neste dia, quarenta e quatro anos vividos, no final do dia, assisti ali na SFAL – Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense, à estreia da peça «A Força do Povo», de Manuel Girio, com encenação de Lurdes Sales Pereira, e, digo-vos, foi uma forma emocionante de fechar este dia de Abril de 2018.
Uma peça pequena, simples, que nos faz pensar nos tempos, nas contradições, nos saltos qualitativos, no amor, paixão, voluntarismo, entrega que fizeram aqueles dias de sonho, na vida de um país que aprendia a respirar e saltar para além do silêncio.
Uma peça que é uma lição sobre os dias de Abril.
E, ao ver as cenas, uma a uma, por dentro do pensamento, revivia situações, contextos, de um tempo conturbado, que foi aquele após o 25 de Abril, mas que transportava na sua essência três palavras – Democracia, Descolonizar e Desenvolvimento. Esta é, na verdade, a essência desta peça. Os seus valores. Esta a sua lição, vista hoje, 44 anos depois de a ter visto, com a actual encenadora a fazer o papel de mãe, percorrendo aldeias e colectividades.
E, senti, mais, muito mais emoção, por ver, ali, na SFAL, aqueles jovens do TESFAL, levar a cena uma mensagem que toca o coração e abre as portas para pensarmos, o texto no contexto dos tempos da actualidade europeia e mundial.
Uma peça com boas interpretações, excelente dicção, presença viva no palco assumindo os personagens. Vivendo-os, pois assim é que deve ser feito a arte dramática.
Mário Guedes, surpreendeu-me. Cresceu. Mónica Branquinho, cada vez mais domina o espaço cénico, com grande àvontade. Ruben Sequeira, é um veterano, enérgico. Rui Pinto, está ele mesmo. Andreia Martins, mais uma jovem a crescer, e, Ana Pessoa, interpreta a personagem com plenitude. Todos muito bem.
Os actores do TISFAL – Luana, Lara, Henrique e David, estão muito bem e, claro, é o nascer do futuro. Já têm a semente do teatro nas veias.
A balada interpretada por Luís Camacho e Tomás Camacho, proporciona um belo momento musical.
O cenário enquadra o espaço cénico para a vivência das situações, tem simplicidade e há nele o sentido estético epocal. Gostei.
O guarda roupa está sóbrio, marca cada personagem, com rigor e sobriedade.
A peça tem ritmo e intensidade dramática. A encenação deixa as personagens viver no espaço.
Emocionei-me ao ver a peça, por sentir que, ela, nos tempos de hoje, para além de proporcionar um encontro com as memórias, abre uma porta para façamos uma reflexão sobre as tais três palavras que nasceram com o 25 de Abril – Democracia, Descolonização e Desenvolvimento.
Na verdade, com avanços e recuos, com erros e virtudes, neste tempo que percorremos os «três Dês», têm sido cumpridos.
Vê-los no palco, hoje, TESFAL com a força do povo, faz sentir que a Liberdade continua viva no nosso quotidiano.
E, na verdade, a SFAL é um exemplo vivo de uma associação onde, desde sempre, a liberdade e a democracia fazem o seu quotidiano, existindo e vivendo todos com o respeito pelas diferenças.
António Sousa Pereira
Nota pessoal – Aquela saia a preto e branco tocou o meu coração e emocionei-me.
Ficha Técnica
«A Força do Povo», de Manuel Gírio
Reflexão
Três palavras que são memória e história do 25 de Abril – Democracia, Descolonização e Desenvolvimento.
Só por isto valeu Abril e isto só foi possível com a palavra LIBERDADE.
Direcção e encenação – Lurdes Sales Pereira
Interpretação
Luís – Mário Guedes
Mãe – Mónica Branquinho
Júlio – Rúben Sequeira
Belchior – Rui Pinto
Fernanda – Andreia Martins
Benedita – Ana Pessoa
Companheiros de Luís – Luana, Lara, Henrique e David
Música e interpretação de balada – Luís Camacho e Tomás Camacho
Cenografia – TESFAL
Luz e Som – Luís Camacho e Hugo Guerreiro
Cartaz – Ana Martins
Figurinos e Adereços – TESFAL
Agradecimentos – Jornal «Rostos», Faty Lopes e Direcção da SFAL
Apoio – Câmara Municipal do Barreiro e União de Freguesias do Barreiro e Lavradio
Produção – TESFAL/SFAL
VER FOTOS
https://www.facebook.com/pg/jornalrostos/photos/?tab=album&album_id=10155370707122681













