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Perspectivas

Barreiro - Coesão europeia tem que enquadrar os cidadãosNão podemos esquecer Marx.

. Geringonça aumentou credibilidade do Bloco de Esquerda

A decadência dos Partidos Socialistas na Europa, a classe média os marginalizados da globalização não estão satisfeitos, alguns dos temas em reflexão num debate que decorreu, ontem à noite, na Biblioteca Municipal do Barreiro, sobre o futuro do socialismo democrático na europa.

5 min de leitura
Barreiro - Coesão europeia tem que enquadrar os cidadãos Não podemos esquecer Marx.

Por Jornal Rostos

Ontem - Dia da Europa – no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, a Juventude Socialista e o Partido Socialista do Barreiro, promoveram um debate tendo como tema: “O futuro do socialismo democrático na Europa”.
Foram prelectores convidados Margarida Marques, deputada da Assembleia da República, foi referido, conhecida por «Senhora Europa», e, Tiago Barbosa Ribeiro, deputado da Assembleia da República, que integra a Comissão Parlamentar de Assuntos Europeus.

Decadência dos Partidos Socialistas na Europa

Pedro Vasconcelos, líder da JS Barreiro, na abertura, referiu a importância do debate num tempo marcado pela decadência dos Partidos Socialistas na Europa, recordou o caso de Itália que obteve 40% de votos, em 2014, e, agora é um partido residual.
Colocou como tema para reflexão, pensar as razões que levaram uma parte da classe média a afastar-se dos partidos de centro esquerda, e o porquê da desacreditação na ideologia dos partidos centro esquerda.
Recordou que cerca de 800 mil pessoas afastaram-se do «centrão politico», apontando como eventual causa a crescente elitização do discurso politico.
Referiu, também, a existência de uma crescente a perda do sentimento de confiança, por toda a Europa.

Coesão europeia tem que enquadrar os cidadãos

André Pinotes, líder do PS Barreiro, referiu que a discussão de cariz ideológica é importante, porque tal contribui para afirmar a marca identitária do PS.
Referiu que tem acompanhado a série, no canal história, sobre a época de Hitler, como foi sentida a decomposição da Europa, e, a lição o que lhe tem ocorrido ao pensamento é que “a história se repete”.
Sublinhou que as próximas eleições europeias não devem ser vistas como um barómetro da politica actual, mas deve ser um momento para não falhar a discussão da Europa.
Defendeu que a coesão europeia tem que enquadrar os cidadãos.
Referiu que a percepção generalizada que existe é que a Europa é construída nas costas dos cidadãos.
Sublinhou que, esta matéria de reflexão sobre a europa, não deve ser abordada numa perspectiva geracional.
Defendeu que é preciso, nos tempos de hoje, ser moderno, ser justo e não abandonar o projecto europeu.

Marginalizados da globalização não estão satisfeitos

Margarida Marques, a propósito do afastamento das classes médias, sublinhou que a esquerda não tem sido capaz de explicar as razões da crise, nem criticas as opções liberais e ultra liberais, isso influencia os resultados da esquerda na europa e a forma como tem sido banida do poder.
“Os marginalizados da globalização não estão satisfeitos com os sistemas instalados”, disse.
Na sua opinião há de facto uma crise da esquerda, e tal tem como reflexo a emergência de partidos populistas, que mobilizam os cidadãos que não se sentem representados.

Aumentar a credibilidade do Bloco de Esquerda

Margarida Marques, considera que o Partido Socialista em Portugal, faz a diferença, porque cortou com o chamado «arco da governação»
Sublinhou que se o PS tivesse optado por se ter ligado ao PSD, hoje, estaríamos em Portugal, “igual à Europa”, as opções tomadas, disse, contribuíram para demonstrar que um governo de esquerda é diferente da direita, acrescentou que é uma solução inteligente em defesa do socialismo.
Sublinhou que a estratégia do PS contribuiu para “aumentar a credibilidade do Bloco de Esquerda”.

Imagem positiva da Europa

Margarida Marques, referiu que as opções tomadas pelo PS, fazendo politica de centro esquerda, assumindo ao mesmo tempo os compromissos europeus, foi uma solução que recebeu garantias de credibilidade na Europa.
Recordou que existem objectivos europeus e metas orçamentais que cada estado membro tem de cumprir, mas cada estado deve manter a sua legitimidade democrática.
Recordou que a Europa, hoje, tem para os portugueses em Portugal uma imagem mais positiva, disse, que segundo os barómetros europeus – em 2013, cerca de 13% dos portugueses tinha uma imagem positiva da Europa, em 2016, essa percentagem passou para 48%.

Não podemos esquecer Marx.

Tiago Ribeiro, sobre as questões europeias salientou que não há uma questão geracional, há um posicionamento de ideias.
Teceu considerações sobre a evolução do pensamento da área do «socialismo democrático», desde o século XIX, nas diferentes abordagens da questão social, e, deixou a nota que “não podemos esquecer” Marx.
Referiu as correntes revolucionárias e as correntes reformistas que marcaram as discussões politicas ao longo do século XX.
Recordou matérias que são matriz do pensamento do socialismo democrático – Serviço Nacional de Saúde, Segurança Social e Escola Pública, assim como as ideias de europa, de paz e progresso.
Salientou a influência das politicas dos anos 80, em torno da chamada 3ª via, na crise actual do partidos socialistas, e, até mesmo, das ideias dos anos 90 do “fim da história”, factores marcantes na crise global de todas as esquerdas.
Sublinhou que os socialistas, nestes períodos, começaram a ser protagonistas com as ideias da direita.
Defendeu que os socialistas têm valores, que não são novos, são de sempre, que devem ser marcas da sua acção politica – a habitação, na saúde, no emprego, na segurança.

Não podemos vestir o fato da direita

Tiago Ribeiro, salientou que o “europeísmo” é uma palavra vã e que as famílias europeias são uma ficção, se reflectirmos sobre a europa que temos vindo a construir, dando relevo aos aspectos relacionados com a perda de autonomia orçamental.
Referiu que a direita é a força maioritária na Europa, que se assume com um projecto de poder.
“Se não queremos ser derrotados não podemos vestir o fato da direita”, disse.
Recordou que muitas vezes, na europa, os socialistas exerceram o poder como se fossem a direita, abrindo caminho às forças populistas.
“A solução portuguesa é uma solução inspiradora”, disse, acrescentando que, neste contexto, “não temos possibilidades de entendimentos com o PSD”.

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