Vivem 2.700 guineenses no Barreiro e MoitaAluna da Escola Augusto Cabrita quer ligar o Barreiro à Guiné
O importante é reflectir como abrir no Barreiro as portas para trazer turistas da Guiné e como levar turistas do Barreiro para a Guiné, estas foram as ideias base do debate que esteve na génese de uma tertúlia promovida no âmbito da Feira Pedagógica.

Por Jornal Rostos
No âmbito da programação da Feira Pedagógica, no Auditório Municipal Augusto Cabrita, realizou-se uma tertúlia tendo como tema : “A integração da Comunidade Guineense no Barreiro”.
Esta iniciativa inseriu-se no trabalho da aluna Nitche Pereira, do Curso de Turismo, da Escola Secundária Augusto Cabrita.
Ligar o Barreiro à Guiné
Nitche Pereira organizou este evento no contexto do seu trabalho de Curso, tendo por finalidade, promover uma reflexão sobre as relações do Barreiro com a Guiné, e, aprofundar pistas sobre caminhos de promoção do turismo na Guiné, para os barreirenses, e, promoção do turismo no Barreiro, para os guineenses.
A sua base de trabalho foi a definição de linhas estratégicas de valorização do património do Barreiro, destacando os seus pontos de «nicho de turismo»: Alburrica e seus moinhos de maré, a Igreja de Nª Srª do Rosário, estabelecendo uma relação entre património cultural e natural; e, o Auditório Municipal Augusto Cabrita, onde disse, “há exposições e espectáculos de grande qualidade”.
Na Guiné, salientou a sua riqueza em património natural, destacando o Arquipélago dos Bijagós, o Parque Marinho João Vieira e a Região do Cachéu – “um dos locais que apresenta a história antiga da Guiné.
Uma questão de cultura e multiculturalidade
Mário Pereira, responsável pelo Curso de Turismo, na Escola Augusto Cabrita, salientou a coragem da aluna, por promover este debate, que se insere no seu trabalho final de curso – “foi uma excelente ideia” .
Recordou que desta forma liga as suas origens e a sua história ao Barreiro, sendo esta tertúlia um passo para aprofundar as relações dos guineenses com o Barreiro – “é uma questão de cultura e multiculturalidade.
Recordou que o Barreiro desde há muito está ligado à Guiné, pois ia lá buscar matérias primas.
Óleo «Fula» produzido no Barreiro com amendoim da Guiné
No decorrer da tertúlia trocaram opiniões, ouviram-se histórias da Guiné e dos guineenses.
João Gomes, recordou que no Barreiro existe uma fábrica de óleos, que produz o óleo «Fula», a matéria prima – o amendoim – durante muitas décadas foi exportado da Guiné – “destruíram plantações de arroz para plantar amendoim”
Foi referido que a CUF instalou, na Guiné, uma destilaria de óleo de Palma.
Recordaram-se nomes que se inscreveram na história do futebol nacional – Arnaldo e Bambo, oriundos da Guiné.
Vivem 2.700 guineenses no Barreiro e Moita
Entre os concelhos do Barreiro e Moita, residem aqui nesta zona, cerca de 2.700 guineenses, foi sublinhado. Sendo cerca de 2.000 na Moita, e, na ordem dos 700 no Barreiro.
No decorrer da tertúlia foi abordada a existência de diversas etnias na Guiné que marca a vida local, no plano cultural e politico.
Os Manjacas compõem a maior etnia, são a maior referência em Portugal, e, após a crise da troika, muitos partiram para França, onde são igualmente uma referência. Entre si, promovem uma cultura de interajuda, de solidariedade nas dificuldades, na doença ou na morte; de valorização da identidade cultural e linguística e de integração, ajudam quem chega a Portugal ou França, para que de forma mais fácil encontrar trabalho e consolidar a sua vivência na comunidade.
Abrir as portas para trazer turistas da Guiné
“O importante é reflectir como abrir no Barreiro as portas para trazer turistas da Guiné”, foi salientado.
Clara Soares, salientou que a Nitche Pereira, é uma aluna singular, uma lutadora, está aqui há três anos e não se fechou dentro de si, nem nas dificuldades de conhecimentos da língua,e, com este seu projecto quer fazer algo pela sua terra e pelo Barreiro.
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