Avenida da Praia no Barreiro vai sofrer muito ruídoBaixa da Banheira e Lavradio vão receber impactos entre 70 a 90 decibéis
. Estudo de Impacto Ambiental foi devolvido à Agência Portuguesa do Ambiente
Luis Chucha, ontem no jantar palestra do Rotary Club do Barreiro, salientou que a construção do aeroporto na base aérea do Montijo tem um custo estimado de 1482 milhões de euros, no entanto se a opção fosse arrancar com a fase zero do Novo Aeroporto de Lisboa em Canha, o custo seria de 722 milhões de euros, cerca de metade do que vais ser gasto na BA6.

Por Jornal Rostos
O Rotary Club do Barreiro, ontem à noite, promoveu um jantar-debate, tendo como convidado Luis Chucha, Capitão aposentado da Força Aérea Portuguesa, que abordou o tema: “Que consequências tem o aeroporto da BA6 no Montijo para a comunidade?”
De referir a presença nesta reunião rotária de Francisco Alves, deputado municipal e coordenador do Bloco de Esquerda do Barreiro, de Rui Lopo, do Partido Ecologista «Os Verdes» e vereador eleito pela CDU na Câmara Municipal do Barreiro, assim como Carlos Humberto, ex-presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
Do NAL de Alcochete/Montijo à BA6 no Montijo
Luís Chucha, recordou alguns aspectos do processo de expansão da capacidade do aeroporto da Portela, inicialmente apontando-se, em 2005, para a implementação do NAL – Novo aeroporto de Lisboa, no Campo de Tiro de Alcochete, e, posteriormente com a situação vivida pela entrada da troika em Portugal, em 2011, procedeu-se à revisão do processo, ligando a esta matéria o Contrato de Concessão da ANA, concretizado em 2012.
Circulam anualmente mais de 120 mil aves
Luís Chucha, salientou os efeitos do aeroporto no plano ecológico, desde o sapal da Moita, até Vila Franca de Xira e Samora Correia.
Alertou para o facto de as aves circularem no cone de aproximação da pista.
Referiu que a zona envolvente da BA6 é uma das maiores zonas húmidas da europa, é uma zona de protecção especial do estuário do Tejo, por onde circulam anualmente mais de 120 mil aves.
Recordou que quando, no exercício da sua actividade militar na BA6 – “mandei reparar dezenas de Fiat devido ao impacto das gaivotas”.
Referiu que o impacto num avião de uma ave de 6kg, pode significar um impacto de toneladas.
Sublinhou que nos períodos de maré alta as gaivotas utilizam como zona de refúgio o território da base.
Impacto sonoro afecta Barreiro e Moita
Por outro lado, no que diz respeito ao ambiente sonoro, o prelector salientou que terá grave afectação nas populações dos concelhos da Moita e Barreiro.
Referiu que a propagação do som ocorre não só na vertical, mas também no sentido lateral e longitudinal, variando com o sentido do vento.
Salientou que a Avenida da Praia, no Barreiro, vao sofrer muito ruído.
Sublinhou que na Baixa da Banheira os aviões estão a fazer-se à pista a uma distância de 3 Km, com um impacto sonoro na ordem dos 70 decibéis, e, no Lavradio a 2 Km, com um impacto de 90 decibéis.
“Acima dos 50 decibéis o organismo humano sofre impactos”, disse.
Referiu ainda que em Coina/Palhais, com os aviões a uma altitude de 870 metros, o perfil altímetro atinge os 65 decibéis, no Vale da Amoreira e Fidalguinhos os 70 decibéis e na Ilha do Rato atinge os 95 decibéis.
A zona do Hospital do Barreiro sofre um impacto de 70 decibéis, quando devia ter mais de 30 decibéis.
Efeitos das emissões tóxicas
Luis Chucha, referiu ainda os efeitos das emissões tóxicas, em resultado das partículas em suspensão e devido aos hidrocarbonetos, são a causa de cancro de pulmão, na pele e de diminuição congnitiva.
Por outro lado, sublinhou que a pista do Montijo tem uma orientação 01/19 e está sujeita a mudanças de ventos e sofre turbulências severas no final da aterragem.
Salientou, igualmente os efeitos que podem as águas subterrâneas, que considerou um problema de saúde pública, assim como, os problemas de inundação da pista.
Recordou que a pista de aterragem tem 2187 metros e vai carecer de uma extensão de 700 metros, sendo 350 metros para cada lado, entrando na zona do Tejo, junto à Ilha do Rato.
Capacidade muito baixa de criação de emprego
A finalizar a sua intervenção, Luis Chucha, considerou que o aeroporto na BA6 no Montijo vai ter uma capacidade muito baixa de criação de emprego, e, disse que a referida criação de 20 mil postos de trabalho “é uma falácia”.
Sublinhou que pelo movimento de 1 milhão de passageiros poderão ser criados entre 350 a 500 empregos.
E quanto aos empregos indirectos limitar-se-à aos fornecedores.
“Esta solução não trás nenhuma alavancagem de desenvolvimento económico”, disse.
Estado é que vai pagar tudo
Luis Chucha, salientou que se o novo aeroporto - NAL -arrancasse, onde estava previsto em Canha, em 2025, teria um movimento de 26 milhões de passageiros/ano, enquanto o aeroporto na BA6, em 2025, terá 5 milhões de passageiros/ano.
Recordou que a construção do aeroporto na base aérea do Montijo tem um custo estimado de 1482 milhões de euros, no entanto se a opção fosse arrancar com a fase zero do Novo Aeroporto de Lisboa em Canha, o custo seria de 722 milhões de euros, cerca de metade do que vais ser gasto na BA6.
Referiu que no final o estado é que vai pagar tudo, porque o Contrato com a ANA, já foi feito para que Alcochete não avançar.
O aeroporto que vai ser construído é para um período de dez anos, enquanto em Canha seria para ter continuidade.
Recordou, igualmente, que no cone de acesso ao aeroporto da BA6 do Montijo, será definido um cone de servidão, com uma extensão de 10 km, onde existirão limitações de construção.
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