Barreiro - Quinta do Braamcamp é «uma pérola única»Com a compra pelo município foi retirada do mercado imobiliário
. Não é um luxo para uns quantos privilegiados
Sofia Martins, sublinhou que a compra da Quinta de Braamcamp pela Câmara Municipal do Barreiro, foi aprovada por unanimidade e “não foi fruto de uma operação imobiliária”, porque não foi comprada com esse objectivo.

Por Jornal Rostos
Na Casa Sindical dos Ferroviários, a Comissão Concelhia do Barreiro do Partido Comunista Português, promoveu um debate sobre Quinta do Braamcamp.
O debate que contou com a participação de mais de uma centena de pessoas, foi moderado por Frederico Pereira, ex-presidente da Assembleia Municipal do Barreiro.
Quinta de Braamcamp é uma pérola única
Sofia Martins, Engenheira Técnica Civil, Vereadora da Câmara Municipal do Barreiro eleita pela CDU, na abertura da sessão referiu que este será o primeiro de outros debates sobre o mesmo tema que o PCP pretende dinamizar visando motivar a população para participar nas decisões do futuro do concelho e reflectir sobre este tema que é uma matéria estruturante.
Referiu que a Quinta de Braamcamp é “uma pérola única”, e podem existir formas de ocupação distintas, mas, disse, “é preciso muito cuidado ao tocar nisto”.
Recordou que ali existe património moageiro em condições de ser recuperado.
Frentes ribeirinhas que têm que ser preservadas
Sofia Martins, sublinhou que a compra da Quinta de Braamcamp pela Câmara Municipal do Barreiro, foi aprovada por unanimidade e “não foi fruto de uma operação imobiliária”, porque não foi comprada com esse objectivo.
Referiu que a compra foi decidida enquadrada em anos de planeamento e reflexão sobre as frentes ribeirinhas e definição de uma estratégia de fruição das zonas ribeirinhas.
Recordou o potencial da Quinta, ligada ao Tejo e ao Coina, como zona de observação da natureza e com condições para iniciativa do ponto de vista cultural.
A compra não foi fruto do acaso é uma reflexão sobre as frentes ribeirinhas que têm que ser preservadas, porque têm uma importância estratégica para a cidade.
Não é uma zona passiva de especulação imobiliária
Sofia Martins, sublinhou as principais linhas orientadoras para a intervenção e definição do futuro da Quinta de Braamcamp, que deve ser “espaço de todos e para todos”, por isso o caminho deve ser trilhado com a popualção .
Referiu a preservação da natureza, a preservação do património moageiro, um espaço para desenvolvimento de equipamentos para actividades desportivas e equipamentos para actividades culturais.
Concluiu afirmando que esta não é uma zona passiva de especulação imobiliária.
Pelo município foi retirada do mercado imobiliário
Lino Paulo, Sociólogo, Membro do Gabinete Técnico das Autarquias Locais do PCP, sublinhou que quando a Quinta de Braamcamp foi adquirida pelo município foi retirada do mercado imobiliário.
Referiu que sendo uma zona livre de especulação imobiliária – “é antítese do que ouvimos em cascais e em Lisboa, onde o imobiliário domina”.
Sublinhou que a Quinta de Braamcamp valoriza-se com o sitio de Alburrica, e, acrescenta cidade à cidade e ao usufruto do Tejo e Coina.
Recordou que o PCP não é um partido fundamentalista em matérias do ambiente, exige é o respeito pela natureza e o homem na natureza, neste contexto, defendeu o respeito histórico pelo espaço e a necessidade de dar-lhe utilização que tenha em atenção a paisagem e o seu contributo para a melhoria da qualidade de vida.
Um investimento público da cidade
Lino Paulo, salientou se o PDM não previa este destino para aquele território, isso deve ser resolvido com a revisão do PDM.
“O PDM não é uma Bíblia”, disse.
Salientou que está prevista a preservação de Alburrica no PDM, e, sendo Alburrica a casa da Quinta de Braamcamp, numa revisão deve o que está previsto ser alterado, assumindo-se o principio de defesa da terra.
“Este é um investimento público da cidade”, disse.
Uma cidade que não se transforma cristaliza
João Rafael Santos, Professor Auxiliar na Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa, Mestre em Regeneração Urbana Ambiental, salientou que o território da Quinta de Braamcamp faz parte da história do Barreiro, do seu processo de industrialização e, torno dele, faz-se o debate em torno da “cidade que queremos e a cidade que não queremos” que tem que ser discutida no plano politico.
Recordou que ao longo do tempo uma cidade transforma-se – “uma cidade que não se transforma cristaliza”.
Referiu que, na transformação de uma cidade, quando se toma uma decisão para amanhã, pode comprometer-se uma perspectiva de cidade a longo prazo.
Não é um luxo para uns quantos privilegiados
João Rafael Santos, salientou que a Quinta de Braamcamp não pode ser um produto para consumir por quem tem poder de compra – “não é um activo financeiro” e “não é um luxo para uns quantos privilegiados”.
Expressou as suas dúvidas sobre uma opção que avance por um caminho imobiliário.
Uma opção pela habitação – “nem todos tiram partido do uso” daquele território.
Referiu que naquele território pode existir a intervenção da componente privada, em projectos geradores de emprego, nomeadamente ao nível da hotelaria.
Projecto de chave na mão
Sublinhou que naquele território foi feito um investimento da autarquia, mas, a autarquia tem recursos insuficientes para promover investimentos, pelo que deverá atrair recursos nomeadamente de fundos comunitários.
Alertou para o facto de, o actual executivo municipal, ao falar sobre a Quinta de Braamcamp, usar as palavrinhas “projecto de chave na mão”.
Sobre isto comentou ser preocupante e comentou a “opacidade do processo”.
Uma paisagem de resistência à banalidade
João Rafael Santos, referiu que o território da Quinta de Braamcamp tem “uma singularidade paisagística” na área metropolitana de Lisboa – “não há outro”, e, neste contexto alertou para o facto de qualquer decisão que se tome depois – “não é reconstruível”.
Não se pode perder este património natural e cultural na Área Metropolitana de Lisboa, disse.
Foi feito um investimento público que não se pode perder, por isso, tudo o que ali for feito tem que continuar no domínio público.
Para esta singularidade territorial temos que ser criativo, salientou João Rafael Santos, acrescentando que aquele território tem que ser – “uma paisagem de resistência à banalidade”.
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