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Perspectivas

Barreiro - Luís Mira Amaral na Conferência «Reindustrialização e a Indústria 4.0»4ª Revolução Industrial não é voltar à mão de obra barata

. Reindustrialização não é voltar à indústria do passado

. 4º Revolução Industrial abrange as vertentes tecnológica, empresarial e social.

Luís Mira Amaral, Presidente do Conselho da Indústria da CIP . Confederação Empresarial de Portugal, hoje, no Barreiro, sublinhou que 10% a 15% dos empregos industriais vão desaparecer nos próximos 10 anos.

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Barreiro - Luís Mira Amaral na Conferência «Reindustrialização e a Indústria 4.0» 4ª Revolução Industrial não é voltar à mão de obra barata

Por Jornal Rostos

No Museu Industrial da Baía do Tejo, no Barreiro, hoje à tarde, realizou-se a Conferência "Reindustrialização e a Indústria 4.0", organizada pelo Instituto Francisco Sá Carneiro.

Situação gravosa no distrito de Setúbal

Luís Mira Amaral, no decorrer da conferência, começou por reflectir sobre o que classificou de «arqueologia industrial», recordando que há 30 anos viveu-se uma situação gravosa no distrito de Setúbal, com o processo de desindustrialização.
Recordou que na região, a industrialização foi concretizada com a importação de mão de obra, por isso, contrariamente ao que aconteceu, por exemplo, no Vale do Ave, aqui, quando as empresas fecharam as pessoas não tinha meios de subsistência, no norte tinham as suas terras, que cultivavam.

Encerradas empresas que eram elefantes brancos

Sublinhou a importância do programa da OID que procurou respostas, para os desafios que se colocaram, há 30 anos, no distrito de Setúbal, onde tiveram que ser encerradas empresas, que eram “elefantes brancos”, desta forma, eliminando milhares de postos de trabalho.
No Barreiro, na Quimigal, existiam cerca de 10 mil postos de trabalho, que foram reduzidos a 2 mil, com o encerramento de empresas que estavam endividadas, que eram negócios falidos, e, que geravam problemas ambientais.

Criação do Parque Empresarial da Quimiparque

Luis Mira Amaral, referiu que nesse período, há 30 anos, quando era Ministro da Indústria, no «cavaquismo», começou a ser resolvido o problema da Quimigal, com a criação do Parque Empresarial da Quimiparque – “era uma visão estratégica” com a finalidade de abrir a investimento diversificado”.

Investimento da Autoeuropa em Palmela

Referiu que a capacidade de gestão do sector público e dos Ministros existe quando se resolvem os problemas – “isto é arqueologia industrial”.
Recordou que foi neste contexto de encontrar soluções que foi feito o investimento da Autoeuropa, que veio para Palmela, porque este era um sitio com “qualidades únicas”, que o governo soube apresentar trazendo os alemães a Portugal.
“Foi feito sem protagonsimos políticos”, disse.
Sublinhou que o «cavaquismo» carregou o piano, da situação dramática que encontrou no Distrito de Setúbal.

4º Revolução Industrial - tecnológica, empresarial e social.

Numa segunda fase da sua intervenção, onde abordou a temática «Indústria 4.0», salientou que este é o tempo da 4ª Revolução Industrial, referindo que, há quem confunda digital e revolução industrial.
Na sua opinião, a 4ª Revolução Industrial – “é muito mais que digital”, porque ela abrange as vertentes tecnológica, empresarial e social.
A 4ª revolução industrial, disse, não é a digitalização, essa já vinha da 3ª revolução industrial, onde a engenharia electrónica foi substituída pela engenharia tecnológica.
Salientou que a 4ª revolução industrial, para além da engenharia tecnológica, introduz as ciências da vida, a biotecnologia, tecnologias da informação, e, a gestão de dados.

Toda a empresa é digital

A «Indústria 4.0» é o aprofundamento da digitalização, aqui, toda a empresa é digital, desde a produção, até à relação com os clientes, e, com os fornecedores.
Deu o exemplo, dos Estados Unidos, onde as lojas físicas de vestuários desapareceram.
Referiu a China, onde já fazem casas com recurso a tecnologia de «impressão 3D» - “injectam betão”.
Recordou que foram os alemães que inventaram a «Indústria 4.0», para digitalizar o sector industrial,
que era excelente.

Tecnologia é mais um meio

Luís Mira Amaral, salientou que a «Industria 4.0» gera problemas políticos e sociológicos, importa-se tecnologia, mas a tecnologia é mais um meio, tem que ser aplicada.
Neste contexto, recordou a importância da aplicação das tecnologias, nos sectores tradicionais, que são sectores obsoletos.
Recordou o sucesso de sectores como o calçado, o vinho, onde a aplicação de novas tecnologias contribuíram para o sucesso.

Reindustrialização não é voltar à indústria do passado

A reindustrialização não é voltar à indústria do passado, porque a indústria, hoje em dia, já não é manufactureira, é um novo modelo de negócio, que tem que ver com serviços a montante e a jusante – “não é voltar à mão de obra barata, e, aqui dou razão à esquerda”.
Defendeu a ligação das empresas às universidades, de forma a evitar que os doutorados se transformem em funcionários públicos – “temos que colocar doutorados nas empresas”, e, tem que existir, “maior produção de doutorados ligados à empresas”.

Evoluir ao longo da vida é isso que hoje tem que acontecer
Na vertente social, da 4ª revolução industrial, apontou a importância da formação, nas empresas, nos horários de trabalho, com recurso a metodolosgias e-learning.
Referiu que o tempo que se aprendia e nunca mais se tinha que estudar, isso acabou.
Sublinhou que o desemprego de longa duração, nos dias de hoje, é o resultado de trabalhadores que estão obsoletos no mercado de trabalho – “esse é o drama”.
Evoluir ao longo da vida é isso que hoje tem que acontecer.

10% a 15% dos empregos industriais vão desaparecer

Luis Mira Amaral, sublinhou que 10% a 15% dos empregos industriais vão desaparecer nos próximos 10 anos, a perda de actividade vai ser maior que a perda de emprego, isso, já aconteceu noutras revoluções industriais.
“Falam dos empregos que se perdem, não nos empregos que são criados”, disse.

A gente não sabe quais as profissões de amanhã

“A gente não sabe quais as profissões de amanhã”, alertou.
Referiu que a formação, nos dias de hoje, em qualquer curso, tem que ter competências digitais.
Mas, para além das competências digitais a formação deve formar atitudes e comportamentos, perspectivando saberes horizontais.
Formar para liderar empresas, com espirito empreendedor e qualidades humanas.

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