Barreiro - Colóquio sobre a 1ª Guerra Mundial«Foi o acontecimento que mais marcou o século XX»
. 1ª Guerra Mundial causou 20 milhões de vitimas entre militares e civis
“Em bom rigor, podemos considerar que muitos aspectos da 1ª Guerra Mundial, só terminaram com a queda do muro de Berlim”, sublinho José Pacheco Pereira, no decorrer do Colóquio, integrado nas comemorações dos 100 anos da 1ª Guerra Mundial.

Por Jornal Rostos
No âmbito das comemorações dos 100 anos da 1ª Grande Guerra, ontem à noite, na Associação de Fuzileiros, realizou-se o Colóquio “O Barreiro na 1ª Guerra Mundial”, que contou com a participação dos oradores : Diogo Leão, José Pacheco Pereira, Pedro Pereira, Comandante Rodrigues Pereira, com a moderação do Comandante Rocha Abreu, que sublinhou – “a 1ª Guerra Mundial causou 20 milhões de vitimas entre militares e civis”.
Uma homenagem que honra as suas memórias
O presidente da Direcção da Associação de Fuzileiros, Comandante Manuel Seabra, agradeceu a presença de “ilustres personalidades” que “fortalecem a nossa associação”.
Recordou que desde 1977 que a associação marca uma presença activa, com a promoção de actividades sociais e desportivas, contribuindo para valorizar os seus associados que são “ilustres combatentes”.
A finalizar, salientou que os combatentes do Barreiro, na 1ª Guerra Mundial, merecem esta distinção , uma homenagem que honra as suas memórias.
Memória dos barreirenses na 1ª Guerra Mundial
Bruno Vitorino, vereador da Câmara Municipal do Barreiro, que apresentou na reunião de Câmara a proposta de criação de uma Comissão para assinalar a efeméride dos 100 anos da 1ª Guerra Mundial.
Sublinhou que – “o Barreiro é uma terra rica”, com uma imensa história , que “não passou ao lado deste conflito mundial”.
Por essa razão, foi criada uma Comissão, que partiu de uma ideia de Jaime Palma, para recordar a memória dos barreirenses na 1ª Guerra Mundial.
Recordou que no Lavradio, os combatentes lavradienses foram recordados, através da edição de um livro, por João Saraiva.
Divulgou que, no próximo domingo, dia 11 de Novembro, pelas 11 horas, será inaugurado no Parque Catarina Eufémia, um monumento de homenagem aos combatentes da 1º Guerra Mundial, e, deixou em aberto, a homenagem a combatentes de guerras recentes.
1ª Guerra Mundial terminou com a queda do muro de Berlim
José Pacheco Pereira, salientou que a 1ª Guerra Mundial reside – “é o acontecimento que mais marca o século todo XX, não é apenas o início do século XX, se não houvesse a 1ª Guerra, não havia 2ª, porque há uma relação directa entre a 1ª e 2ª guerra”.
“Em bom rigor, podemos considerar que muitos aspectos da 1ª Guerra Mundial, só terminaram com a queda do muro de Berlim”, disse, acrescentando que – “para certas zonas da Europa ainda não acabou”, dando como exemplo os Balcãs, assim como, referiu – “no Médio Oriente ainda não acabou o impacto da dissolução do Império Otomano”, tem muito a ver com o conflito de Israel com a Palestina, também com os conflitos na Síria e no Iraque.
Entramos no século XX com muita esperança
“Nós entramos no século XX, com muita esperança e muito optimismo, quando digo nós, digo humanidade, em geral, o mundo ocidental”, sublinhou José Pacheco Pereira.
Recordou a Exposição Universal de Paris é o melhor exemplo desse optimismo com que entramos no século XX, com a celebração do progresso técnico ou cientifico.
Referiu, igualmente, que no plano das ideias é a mesma coisa, com o positivismo como ideia filosófica dominante.
Salientou que a 1ª Guerra Mundial – “é um caso de estudo»”, porque, ainda hoje, não é claro, como a 1ª Guerra começou, de como as elites no poder não conseguem controlar os eventos – “a guerra não é desejada, por nenhum dos parceiros”.
Guerra Mundial foi um conflito mortífero
José Pacheco Pereira, salientou que a 1ª Guerra Mundial foi um conflito mortífero, na frente leste foi uma carnificina – “uma carnificina num período pequeno de tempo”.
“É uma guerra de grandes exércitos dotados de armamento muito superior à capacidade da formação das tropas”, disse.
Recordou que o impacto da 1ª Guerra Mundial na Rússia foi a Revolução Bolchevique, em Portugal foi Fátima – “as aparições de Fátima na sua versão inicial, são os soldados a regressar a casa”.
“Fazem-me odiar a guerra e amar a paz”
Pedro Pereira, referiu diversos aspectos da história do desenvolvimento económico e social do concelho do Barreiro, desde a implantação do Caminho de Ferro, em 1861, passando pela instalação da CUF, em 1908.
Recordou que em 1917, na CUF trabalhavam 2.000 operários – “uma vila operária habitada por pessoas vindas das mais diversas províncias”.
Referiu que, entre 1894 e 1926, no Barreiro publicaram-se 40 títulos de jornais, com uma forte componente operária.
Sublinhou a presença de Centros Socialistas e Lojas Maçónicas, que marcavam a vida local.
Sobre a entrada de barreirenses na guerra, evocou a personalidade de Pedro de Freitas, que integrou o Corpo Expedicionário Português.
“As minhas recordações da Grande Guerra”, escreveu Pedro de Freitas, “Fazem-me odiar a guerra e amar a paz”.
Esgotar os cofres do Estado
O Comandante Rodrigues Pereira, salientou que não havia consenso sobre a participação de Portugal no conflito, porque Portugal não estava preparado e iria esgotar os cofres do Estado.
Recordou que nesse tempo a Armada era composta por 4.000 homens e era obsoleta.
Supremacia do militar sobre o civil
Diogo Leão, sublinhou que entre 1900- 1914, nas alianças entre as potências, debatiam-se interesses económicos e coloniais.
Salientou que sentia-se o surgir de uma evolução para politica de blocos, assentes em sistemas de alianças militares, com sentidos chauvinistas e nacionalistas, eram as velhas realidades do conflito Franco- Alemão, são sociedades amplamente militarizadas, vivendo-se uma corrida aos armamentos terrestres e navais – “onde há uma supremacia do militar sobre o civil”.
O maior contingente após Alcácer Quibir
Salientou, que os Ingleses não queriam que Portugal entrasse na guerra.
Referiu as agressões dos Alemães ao territórios de Angola e Moçambique – “Portugal correu o risco de ser espoliado dos seus territórios”.
O contingente militar que Portugal mobilizou para Angola, de 10.000 soldados – “foi o maior contingente após Alcácer Quibir”, disse.
“As elites avançaram para uma guerra que o povo nunca conseguiu compreender”, disse
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