Terminal de Contentores do Barreiro em debate público«Do ponto de vista da paisagem a situação não fica resolvida» afirma Rui Lopo
“A localização já se aproxima do centro da Avenida da Praia”, afirmou Rui Lopo, vereador da Câmara Municipal do Barreiro, CDU..
“Do ponto de vista da paisagem a situação não fica resolvida”, disse.

Por Jornal Rostos
No máximo e esticando foram cerca de 200 barreirenses que, ontem à tarde, marcaram presença na sessão de esclarecimento sobre o Terminal de Contentores do Barreiro.
Neste registo, em sínteses, ficam as ideias-força que animaram o debate.
Após a apresentação do projecto ( pode ser lida a síntese na reportagem - https://www.rostos.pt/perspectivas/8000873-terminal-de-contentores-do-barreiro-podera-criar-ate-5000 ), registaram-se diversas intervenções.
O munícipe Armando Teixeira, sublinhou que o problema das vistas não é o mais importante, mas sim os limites que o projecto pode colocar ao desenvolvimento do Barreiro. Registou o facto de o actual projecto ter reduzido a dimensão do terminal, assim como ter sido empurrado para nascente.
Considerou que a actual proposta é uma má solução, porque o que vamos ter é um depósito de contentores.
A munícipe Isilda, acrescentou que este projecto o que vai trazer é uma vista com contentores, ironizando que podia ser feito um roteiro turístico de visita aos contentores. Na sua opinião, este projecto vai estragar a cidade.
O munícipe José Encarnação, recordou que o anterior projecto de localização do Terminal, por unanimidade, recebeu o não da Câmara Mnicipal do Barreiro, sobre o novo projecto a Câmara Municipal do Barreiro, disse, ainda não se pronunciou. Interrogou sobra a ausência dos projectos de infraestruturas de mobilidade.
Por outro lado, interrogou sobre quais as garantias que existem que o Terminal não se vai prolongar para a zona da Avenida da Praia.
Defendeu que o Terminal de Contentores tem que ser uma oportunidade para requalificar o Barreiro, uma terra que já foi muito massacrada.
Rui Braga, vereador do Planeamento, referiu que esta é uma proposta diferente daquela que em 2107, mereceu o parecer negativo da Câmara.
Este salientou é um novo terminal, mais equilibrado, que vai contribuir para o desenvolvimento económico. Referiu que o voto dos eleitos do partido socialista é favorável, e, espera posição idêntica dos eleitos da CDU e PSD.
Carlos Correia, da APL, salientou que há mais vida, em torno do Terminal, para além do Terminal. O Terminal é uma oportunidade para gerar actividade económica, porque associado ao porto são instaladas empresas.
Referiu que, nos dias de hoje, há portos que funcionam sem um único trabalhador, mas exigem alta tecnologia e empresas especializadas – esta sua nota gerou um burburinho e gargalhadas na sala.
Paulo Melo, das Infraestruturas de Portugal, esclareceu que os problemas de mobilidade só podem avançar quando ficar definida a localização do Terminal.
Referiu que estão em curso estudos prévio que incluem estudos de tráfego e estudos de impacte ambiental.
Se a localização ficar definida, apontou o mês de Abril como meta apar serem entregues na APA – Agência Portuguesa do Ambiente, os estudos de impacto ambiental, relativos a mobilidade ferroviária e rodoviária.
A munícipe Carla Marina Santos, considerou que não existe planeamento e que todo o processo é desenvolvido de acordo com interesses privados e nunca pelos interesses da população.
Interrogou sobre o que vai ser o futuro do Barreiro, e, considerou que o Terminal é “crescimento não é desenvolvimento”.
O munícipe Romeu, referiu que o Barreiro tem vindo a definhar, considerou positivo para a criação de emprego. Questionou se há interessados para concretizar este projecto apresentado pela APL e CMB.
O munícipe José Luís, criticou o facto de se apontar como vias de escoamento, a via marítima e a via rodoviária, considerou que haverá uma agressividade de veículos sobre o espaço urbano, neste contexto, defendeu a importância da via ferroviária.
Referiu que considera o estudo está mal tecnicamente, e, alertou para o facto de existirem estudos martelados.
Carlos Correia, da APL, salientou que a APL não faz politica, e , recordou que ao nível do planeamento e desenvolvimento, as situações evoluem.
Sobre estudos martelados disse – “essa não e a minha escola”.
O munícipe Manuel Fernandes, referiu que esteve a analisar as peças do Estudo de Impacto Ambiental e as mesmas no terreno não correspondem às localizações que foram apresentadas nesta sessão pela APL.
Alertou para os problemas das acessibilidades e defendeu o alargamento da IC21.
Carlos Correia, da APL, salientou que o projecto só vai avançar se os gestores do território concordarem com ele, quer a Câmara Municipal do Barreiro, quer a Baía do Tejo.
Recordou que o projecto será uma concessão de serviço público a um concessionário privado.
Rui Lopo, vereador da CMB, eleito pela CDU, que no anterior mandato, com o pelouro do Planeamento, acompanhou este processo, começou por referir que o Terminal de Contentores, não deve trazer mais problemas para o Barreiro que aqueles que o Barreiro já tem – “não é o Barreiro a moldar-se à sua estratégia é o Terminal a moldar-se à estratégia do Barreiro”.
Sobre a sede da empresa que assumir o Terminal ficar no Barreiro, não considerou questão de relevância.
Defendeu, isso sim, que a autarquia deve desenvolver acções junto ao governo para “maximizar o potencial” do Terminal, nomeadamente defendendo a criação de uma zona logística, ou, até mesmo uma Zona Franca.
Referiu que no actual projecto, vêm alguns aspectos que considera preocupantes, nomeadamente a planta de localização, reconhecendo que existe um recuou para nascente na implantação, no que diz respeito ao lado nascente, não corresponde ao que foi defendido pelo anterior executivo – “a localização já se aproxima do centro da Avenida da Praia”.
“Do ponto de vista da paisagem a situação não fica resolvida”, disse.
Alertou para o facto de as zonas de aterro, referenciadas pela APL, não constarem no Estudo de Impacto Ambiental.
Referiu aspectos relacionados com o estudo de tráfego, e, que no âmbito deste processo a Câmara Municipal do Barreiro deve defender que sejam garantidas a Terceira Travessia do Tejo e a Ligação Barreiro – Seixal.
Manifestou as suas preocupações sobre as ligações ferroviárias ao Terminal, e, alertou para o facto de o novo ramal contribuir para isolar o Lavradio.
Criticou o facto de a Avenida das Nacionalizações ser considerada via principal de acesso ao Terminal. Recordou os graves conflitos de trânsito que existem nos dias de hoje – “não posso aceitar”.
O munícipe Augusto Coelho, interrogou sobre o que o Terminal, trás de bem e o que trás de mau. Referiu que o Barreiro é uma aldeia e vai perder essa qualidade de vida.
Alertou que o Terminal vai poluir o rio, naõ vai criar o emprego que se diz, vai destruir as praias do Barreiro, com a ondulação causada pelos navios.
Na sua opinião o Terminal acaba com as possibilidades de novo modelo de industrialização, assente em novas tecnologias.
Rui Braga, vereador do Planeamento, salientou que espera ouvir a CDU e o PSD, e, chegar à unanimidade na elaboração do Parecer da Câmara Municipal do Barreiro, sobre o Estudo de Impacto Ambiental.
Salientou que as acessibilidades estão em estudo e que a autarquia tudo fará para defender os interesses da cidade.
Carlos Correia, da APL, sublinhou que o novo projecto, que está em consulta pública, corresponde às exigências do município do Barreiro e vai ao encontro das posições expressa no Parecer do anterior Estudo de Impacto Ambiental.
Salientou que estão salvaguardadas as vistas e a integração urbanística.
Sérgio Saraiva, da Administração da Baía do Tejo, considerou que o Terminal de Contentores do Barreiro é uma alavanca que vai contribuir para a transição entre o Barreiro do século XX, para pensarmos o Barreiro do Século XXI.
Referiu que os problemas de ligações ferroviárias, que hoje existem, por exemplo na Rua da União, serão resolvidos com as novas linhas de acesso ao Terminal.
De referir que, ao longo do debate, escutaram-se diversas vezes aplausos, sempre que eram posições mais criticas e contra a instalação do Terminal de Contentores no Barreiro.
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