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Perspectivas

Barreiro - Mobilidade e TransportesGestão da cidade deve ter como metodologia «Debater e decidir» com as pessoas

. A rua é o grande espaço da democracia

. Acessibilidade é fundamental para o funcionamento da democracia

A gestão da cidade deve “cada vez mais daqui para a frente” ter por base a “consulta pública” sobre as “consequências e opções”, tendo como referência um modelo que envolva os políticos, os técnicos e as pessoas, visando “mais transparência” e “mais diálogo”, referiu Mário Alves, especialista em transportes e mobilidade.

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Barreiro - Mobilidade e Transportes Gestão da cidade deve ter como metodologia «Debater e decidir» com as pessoas

Por Jornal Rostos

No Auditório Ermelindo Batista, nas instalações da AURPIL – Associação Unitária dos Reformados, Pensionistas e Idosos do Lavradio, ontem à tarde, realizou-se o Seminário tendo como tema: «Mobilidade e Transportes», inserido no Ciclo de Seminários com o mote “Novos Desafios do Poder Local”, que estão a decorrer no âmbito de uma parceria entre a Câmara Municipal do Barreiro e o Instituto para as Políticas Públicas e Sociais (IPPS) – ISCTE.

A rua é o grande espaço da democracia

Mário Alves, especialista em transportes e mobilidade, na sua intervenção partiu de uma visão conceptual que “a rua é o grande espaço da democracia”, “o sitio da cidadania”, para desenvolver uma dimensão teórica e o paradigma do pensar as cidades nos próximos anos.
Recordou que nos tempos da “revolução industrial” as casas nasciam à volta das fábricas, que construíam chaminés altas que aliviavam os efeitos da poluição, mas que não resolviam esse problema.
Por outro lado, referiu o desenvolvimento do espaço urbano, com semáforos e barreiras, deu origem ao abandono das cidades, a desertificação e a implementação de habitação nas periferias, situação que contribuiu para a utilização do carro como meio de acesso às cidades.
Salientou as estratégias de desenvolvimento dos centros das cidades, como espaços partilhados, de “coexistência” entre os carros e as pessoas, impondo-se velocidades baixas e dando “prioridade aos peões”, o que significava – “trazer as cidades para as pessoas”.

Os carros e as pessoas

Mário Alves, recordou que o excesso de carros nas cidades, as opções “politicas e ideológicas” foram opções para mecanizar os cidadãos na forma de viver a cidade – “as pessoas circulam pelos passeios”, retirava-se espaço público ás pessoas.
Referiu que ao nível da concepção da cidade, no modelo resultante do paradigma da «Carta de Atenas», foi o zonamento – a cidade é um mapa, uma cidade com zonas, para habitação, para industrias, obrigando a circuitos de deslocação de casa para o trabalho.
Sublinhou que o paradigma dominante tinha como ponto de partida - os carros, assente num modelo: edifícios – espaço – pessoas – vida. Este o “modelo usual”, enquanto o “modelo desejável”, tinha como ponto de partida – a vida. Um modelo: pessoas – espaço – edifícios – carros.

Mais transparência e mais diálogo

Esta realidade contribui para que exista uma reflexão quando se tomam decisões sobre a cidade, que deve acima da resolução das “necessidades imediatistas” pensar no legado que se deixa às “gerações futuras”.
Neste contexto, sublinhou que a gestão das cidades mais que assentar numa metodologia com base no «prever e prover», que se concretiza numa gestão, caracterizada pela realização de projectos ( na base do binómio Técnicos projectam/políticos decidem) tendo como horizonte eleições, no futuro, e nos dias de hoje, deve ser uma gestão tendo como base uma metodologia no «Debater e decidir».

A gestão da cidade deve “cada vez mais daqui para a frente” ter por base a “consulta pública” sobre as “consequências e opções”, tendo como referência um modelo que envolva os políticos, os técnicos e as pessoas, visando “mais transparência” e “mais diálogo”.
Esta tem que ser uma marca da gestão das cidades, sublinhou Mário Alves, valorizando a participação pública, a concertação e constituição de parcerias com diferentes actores.

Mobilidade e acessibilidade

A “importância da mobilidade” – o chegar a um fim; e a “importância da acessibilidade”- a facilidade de acesso, foram conceitos desenvolvidos por Mário Alves.
Recordou que – “a mobilidade não é em si um valor”, trata-se da movimentação de pessoas e bens, sair para fora e entrar nas cidades.
As acessibilidades permitem os acessos aos serviços públicos e aos transportes de forma integrada, contribui para promover a equidade e valoriza a democracia – “a acessibilidade é fundamental para o funcionamento da democracia”.
Em conclusão, sublinhou a necessidade de mudança de paradigma, tendo por base uma visão de planeamento interdisciplinar e colaborativo – não ter medo dos conflitos e do diálogo.
Defendeu a importância de dar espaço aos cidadãos, fazer cidades que permitam que as crianças vão para a escola a pé, cidades que sejam amigas da bicicleta, que tenham estratégias sobre mobilidade urbana micro, que sejam planeadas e inventadas de modo activo, nunca esquecendo que – “o poder instituído é mais ideológico que nós pensamos”.

Rede ciclável e rotundas

António Pardal, responsável pela Divisão de Planeamento, Ordenamento do Território e Informação Geográfica da Câmara Municipal do Barreiro, referiu que a autarquia integra dois grupos de trabalho ao nível da Área Metropolitana de Lisboa sobre Mobilidade e Transportes e Margem Sul do Tejo do IMT.
Neste contexto têm sido efetuadas abordagens sobre canais especificos de transportes rodoviários, nomeadamente em territórios de génese ilegal, pensando do ponto de vista da mobilidade, no eixo Fogueteiro – Barreiro.
Salientou o contributo do Metro Sul do Tejo na melhoria dos transportes no Arco Ribeirinho Sul, a ligação à Terceira Travessia do Tejo e ligações ao Montijo.
Referiu a existência de estratégias sobre modos suaves de transporte, assim como o reforço da Linha ferroviária de Praias Sado.
Recordou que desde 2015 que existe um projecto de Rede Ciclável do Municipio, que terá cerca de 67 Kms, já estando concluídos alguns troços, no Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita, na zona do POLIS, junto ao Parque da Cidade e na Estrada 510.
Sublinhou diversos projectos de rotundas que estão em marcha, para melhorar a mobilidade rodoviária.

TCB geram um ganho de 9 milhões de euros/ano.

Nuno Ferreira, Chefe de Divisão de Gestão e Operação dos Serviços Municipalizados dos Transportes Colectivos do Barreiro, sublinhou os cinco principais desafios dos TCB, recordando que o Barreiro potencia a utilização dos transportes públicos que já integra o transporte suave.
Recordou que os TCB transportam diariamente 30 mil utentes.
O primeiro desafio dos TCB, sublinhou é a “sustentabilidade” – social, ambiental e económica, contribuindo para que exista uma igualdade de acessibilidade em todo os território do concelho, de forma a que haja redução do uso de transporte privado.
Recordou que a reconversão integral da frota, com 60 novos autocarros, vai contribuir para a completa mudança do paradigma energético.
Sublinhou que, num estudo económico, feito em 2016, concluía-se que por cada euro que a Câmara Municipal do Barreiro investia nos TCB, tinha um retorno de 10 euros para o município – em 20 anos os TCB deram ao concelho 180 milhões de euros, ou seja todos os anos os TCB geram um ganho de 9 milhões de euros.

Novo tarifário da AML

O segundo desafio, está relacionado com o novo tarifário da AML, que vai originar um aumento da procura na ordem dos 28%.
Sublinhou que os TCB vão manter a sua identidade e que o Barreiro assume-se como Autoridade Municipal de Transportes.
Os TCB assumirem-se como um Operador Local de Mobilidade é o 3º desafio, evoluindo com respostas às necessidades, nomeadamente incluir as bicicletas na rede.
O 4º desafio será o desenvolvimento tecnológico, quer ao nível da gestão, quer na prestação de serviços dos utentes, como exemplo a criação da APP, que permite aos passageiros conhecer em tempo real a posição dos autocarros.
O 5º desafio, salientou Nuno Ferreira, será a certificação de qualidade, que permitirá aos TCB melhorar o funcionamento e gerar padrões de trabalho por objectivos.
Referiu que – “os TCB sempre trabalharam bem”.

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