Barreiro - SOFORMAS – Sociedade Industrial de Formas, LdªAnualmente produz cerca de 300 mil formas de pasteis de nata para todo o mundo
Mal imaginamos quando, num voo da TAP, estamos a saborear um pastel de nata que, afinal, o dito, foi produzido numa forma que nasceu do saber e da arte de barreirenses.

Por Jornal Rostos
Ali, no centro da cidade, na Rua Combatentes da Grande Guerra, nº 45, continua a sua actividade empresarial de latoaria uma pequena empresa, que pode dizer-se é uma referência às vivências industriais de um concelho que inscreveu seu nome na história industrial da Península Ibérica, da Europa e do mundo. E, pelo mundo a SOFORMAS continua, nos dias de hoje, a levar produtos fabricados pelo engenho e arte de barreirenses, que, aqui nasceram, aqui querem viver e trabalhar.
300 mil formas para pasteis de nata
A empresa SOFORMAS – Sociedade Industria de Formas, Ldº tem a sua sede no coração da cidade do Barreiro, oriunda de outra empresa «Emidio F. Esteves», fundada nos anos 80. A empresa dedica-se fundamentalmente à produção de formas para bolos.
Paulo Nogueira, Sócio Gerente, numa conversa com o jornal Rostos, refere que, anualmente são produzidas cerca de 300 mil formas para pasteis de nata, que são distribuidas por todo o mundo.
Formas espalhadas pelo mundo
“Há formas, feitas por nós, na Nova Zelândia, na Bélgica, na Holanda, na Austrália, em França, há formas produzidas por nós a bordo dos aviões da TAP, há nos barcos da Marinha Portuguesa, e, recentemente iniciámos a distribuição de funis, para encher os famosos pasteis de nata, para o Dubai.”, salienta Paulo Nogueira,
Única empresa no ramo existente a sul do Tejo
A empresa conta com um quadro de pessoal de três trabalhadores – “já fomos seis ou sete, mas o trabalhos nos dias de hoje não justifica um quadro de pessoal maior. A durabilidade do artigo, leva algum tempo a que se faça a rotação. Isso origina uma redução do consumo do produto. Fomos reduzindo o pessoal de acordo com as necessidades de produção”.
De referir que no país, são poucas as empresas que se dedicam a esta produção industrial – “há uma empresa lá para o Norte, de maior dimensão, e mais uma duas empresas da nossa dimensão. No país serão três ou quatro empresas. Na região da grande Lisboa e até ao sul do Tejo, somos apenas nós a empresa com esta actividade”.
Antigamente era latoaria
“Antigamente esta actividade era conhecida como latoaria, Existiam várias. Hoje denomina-se louça metálica. Podíamos voltar a ser denominados por latoaria, porque está em vias de ser considerada uma actividade quase em extinção.”, refere Paulo Nogueira.
“Aqui na empresa estou eu, está o Nuno, está o Fernando que é o Mestre, ele é que tem o saber de muitos artigos que produzimos. Ele acumulou saber na profissão. Aplicou-se.”, acrescentou.
Deste trabalho todos nós vivemos
Paulo Nogueira, é Gerente, mas também arregaça as mangas e, diariamente, vai à luta com os seus companheiros de equipa – “é deste trabalho que todos nós vivemos”.
“Este é um artigo que continua a fazer falta, vamos produzindo e mantendo esta actividade e esta empresa única, uma dimensão industrial que se mantém na vida local”, salienta.
Não podemos estar a fazer produtos para vender aos cêntimos
Paulo Nogueira, refere que tem algumas ideias que até gostava de explorar, mas isso, é correr riscos, porque é dificl colocar produtos novos no mercado. “Isso implicava não produzir o que temos que obrigatoriamente que produzir. Era colocar em risco os nossos vencimentos. Não podemos estar a fazer produtos para vender aos cêntimos. Temos que ter atenção ao nosso mercado”, salienta.
Esta é uma indústria bonita e artesanal
“Esta é uma indústria bonita e artesanal. Há peças únicas, feitas à mão. Depois temos as formas para bolos e para pão, destinadas a padaria, pastelaria e restauração.
Há peças, como as floreiras, que vamos fazendo, mas as quantidades não tornam o produto viável”, refere.
“Esta indústria é uma marca do Barreiro, que ninguém vê, que ninguém conhece, que ninguém vem cá, mas é uma empresa que leva o nome do Barreiro pelo mundo. Até hoje, tivemos duas visitas de eleitos no Poder Autárquico, foi Carlos Moreira e José Antunes. Mais ninguém mostrou interesse em vir cá, ninguém quer saber de nós e ninguém nos conhece. Nós cá estamos”, sublinha Paulo Nogueira,
Abraço esta profissão com paixão há 34 anos
O Mestre Fernando, conta 58 anos. Nasceu na Rua Aguiar. Um dia recebeu um convite do – “meu colega de infância o Paulinho, como eu estava sem emprego sugeriu-me se queria vir para cá trabalhar. Aceite, Vi. Fui-me adaptando. Aprendi e gosto”, refere.
“Gosto imenso do que faço. Dá-me gozo criar. Abraço esta profissão com paixão há 34 anos”, acrescenta.
“Esta é uma arte que tem pernas para andar, porque todo o mundo come pão de forma ou o bolinho da ordem. Nós produzimos as formas e somos os únicos na zona”, refere.
Visitas de escolas
Aqui fica este registo e uma nota, para os professores das escolas do Barreiro que, uma forma de dar a conhecer esta indústria artesanal á comunidade era promoverem visitas de estudo. È um experiência que permite no presente sentir o passado vivo na vida da cidade.
O apaixonado pela fotografia
Uma nota final, Paulo Nogueira, para além de ser dedicar a esta actividade de indústria artesanal, é, um apaixonado pela fotografia. Um actividade que faz por amor e com grande paixão. Os seus trabalhos são uma das grandes memórias futuras das belezas naturais e patrimoniais do concelho do Barreiro. Um grande senhor da fotografia. Humilde e grande criativo.
S.P.
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