Entre a Base Naval de Lisboa e o Seixal80 cadetes da Marinha descem o Tejo em botes a remos

Por Jornal Rostos
Foi estendido o convite à comunicação social para que marcassem presença a bordo do NRP Zarco entre as 07h30 e as 11h30, por forma a acompanhar o exercício. A bordo estiveram ainda representantes do corpo de docentes da Escola Naval, bem como o Comandante da instituição, o Contra-almirante Simões Marques.
À chegada fomos recebidos por membros da tripulação do NRP Zarco, encabeçados pelo Capitão-de-fragata Humberto Santos Rocha, comandante do navio. O veleiro está ao serviço da Marinha Portuguesa desde 2007, altura em que foi confiscado pelas autoridades no âmbito da operação “Agrafo” de combate ao tráfico de droga, tendo substituído o NRP Vega (abatido em 2008) como veleiro de instrução de cadetes da Escola Naval.
Foi-nos possível acompanhar os preparativos antes do começo do exercício propriamente dito. Após briefing da tripulação para distribuir tarefas para as manobras de largada e atracamento, bem como da chegada dos convidados, zarpámos às 09h00 da manhã, tendo o Contra-almirante Simões Marques sinalizado ao toque de buzina o começo de exercício.
Posteriormente, tivemos a possibilidade de embarcar num bote com motor para nos aproximarmos e tirarmos algumas fotografias. Os cadetes a bordo das embarcações a remos eram alunos do 3º e 4º anos dos mestrados integrados da Escola Naval. Realizado anualmente, o exercício tem como principal função testar as competências físicas e organizacionais dos cadetes, bem como ajudar na criação de espírito de equipa e no desenvolvimento das suas capacidades psicológicas.
A atividade a que assistimos este ano foi adaptada por força dos constrangimentos provocados pela pandemia, sendo que por norma ocorre em diferentes pontos do país – o ano passado, por exemplo, teve lugar no rio Minho. De acordo com o Contra-almirante Simões Marques, a lógica por detrás disto está em «levar a Marinha para fora de Lisboa, e poder dar-lhe exposição junto de comunidades que normalmente não têm acesso a ela». Para além deste serviço à comunidade, está também subjacente a intenção de levar a cabo ações de recrutamento pelos vários pontos do país.
A este objectivo de visibilidade junta-se ainda um plano de atividades que visa o enriquecimento dos próprios cadetes. Quem o diz é o Comandante Armindo Silva Frias, docente do Departamento de Humanidades e Gestão da Escola Naval: «Este exercício é apenas uma parte do plano habitual. Realizamos também atividades que ponham os cadetes em contacto com as pessoas e com o próprio país, que às vezes não conhecem». A título de exemplo, Silva Frias mencionou a organização de uma visita ao Castelo de Tomar, num ano em que o exercício decorreu naquela localidade: «No fundo trata-se de dar também alguma cultura geral aos nossos cadetes».
A nossa visita terminou às 11h30, sendo que o exercício prosseguiu durante a tarde na Escola de Fuzileiros, nos rios Tejo e Coina. Foi-nos possível fazer uma apreciação geral daquilo que é o dia-a-dia e as atividades da Marinha Portuguesa, atividades essas que consideramos de interesse para os nossos leitores, visto tratar-se de um tão importante setor da região.
André Antunes













