Livro «Samuel abriu a conversa com o Psiquiatra Mário SimõesNum estado de transe há uma ampliação da consciência
«Samuel», é o título do livro de Carlos Batista e Dulce Viegas, que foi o leit-motiv para um jantar e uma conversa em «O Pial», ali, no centro do Barreiro. Um ambiente fraterno, uma deliciosa refeição, e uma conversa marcada por afectos.
Uma noite que para além da conversa sobre o livro, Mário Simões, Psiquiatra, deu uma “lição” sobre “terapia regressiva de vivências passadas”.

Por Jornal Rostos
Carlos Batista, autor barreirense, sublinhou que o seu desejo que este seu livro seja importante para proporcionar, a quem o lê “dar passos em frente no sentido de sermos pessoas melhores”.
Recordou que, ele próprio viveu situações que suscitaram que tivesse um diagnóstico que lhe registou “problemas de foro mental”, vivia a sua vida com irregularidades e “andava aos slatos”, não tinha emprego fixo, não conseguia ter uma profissão, “não gostava de mim próprio”.
Referiu que viveu situações de quem atinge o patamar que “não vale a pena” e passava os dias a rodopiar e sentado num sofá.
O casamento de seis anos acabou, “por minha decisão”, até que um dia uma amiga prendeu-se a ele, entrou pela casa dentro a falar-lhe de terapias alternativas- “foi-me convencendo”.
Vivências sentidas no estado de hipnose
Foi essa experiência que viveu, de hipnoterapia regressiva, que acabou por exprimir neste seu livro «Samuel», onde conta as vivências sentidas no estado de hipnose.
“Eu sou o Samuel”, disse e a co-autora, é a «Sara». E, cada leitor irá descobrir essa experiência de hipnose regressiva. que Carlos Baptista partilha na sua obra.
Sublinhou que escrever este livro foi “o meu renascer”, porque permitiu descobrir como “todos nós queremos ser felizes”, mas não reparamos que “a felicidade está cá dentro”, é por isso, disse, “às vezes é preciso escrever uma história”.
Esta foi a “uma construção emocional”, referiu, acrescentando que “com este livro desbloqueei o meu não vale a pena”.
“Acredito na reincarnação”, sublinhou, porque, na sua opinião, “são as crenças que nos levam a descobrir a vida”.
“A vida é um processo que vivemos para sermos mais felizes e sermos melhores”, afirmou.
Ter acesso a uma vida passada, ou não
Mário Simões, autor do prefácio do livro, Professor Jubilado de Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Lisboa, proporcionou uma «lição sobre terapias ditas regressivas na nossa idade», através da qual algumas vezes as pessoas “vão para outro espaço e para outro tempo, e, para outra personagem e muitas vezes até mudando de sexo”.
Recordou que o estudo destes casos levantam questões interessantes como: Se as pessoas estão a ter acesso a uma vida passada, ou não?
Terapia regressiva de vivências passadas
“Via-se, muitas vezes, que não era fácil comprovar isso, então, nós próprios, mudamos a técnica de nome, para a chamada terapia regressiva de vivências passadas, e, chegou-se à conclusão, por muita gente que escrevia sobre o tema, que não era necessário acreditar em vidas passadas, para que a terapia funcionasse. Seria uma cura, entre aspas, onde a pessoa iria colocar-se noutra personagem e noutro espaço noutro tempo, talvez, até, porque era mais fácil para ela falar de situações presentes colocando-as num avatar, portanto não era necessário acreditar, embora, a pessoa sobre hipnose acreditasse que a realidade era aquela, assim como quando estamos num sonho, ou num pesadelo”, disse.
Objectivo é tratar do sofrimento da pessoa
O psiquiatra sublinhou que naquela terapia regressiva, o objectivo é tratar do sofrimento da pessoa naquela situação em que é o avatar de si mesmo – “isso deu resultado, isto é importante de ser dito, porque não se conseguia provar, através deste processo da hipnose, da existência de uma suposta vida passada”.
Há evidências que as teorias das vidas passadas têm sustento
Recordou um estudo que foi feito com crianças de 20 casos de reincarnação, as crianças que contavam histórias de personagens que teriam vivido, outra vida, às vezes a milhares de quilómetros, contavam histórias como tinham sido mortes, mortes quase violentas, tinham hábitos à mesa e em casa, completamente diferentes da cultura e da família que tinha nascido.
Foram estudados casos de crianças, na India, que vivendo a uma distância de 5 mil KM, chegavam aos locais e reconheciam pessoas que estavam vivas e os espaços onde teriam vivido.
Este estudo, referiu, suscitou reflexões sobre essa existência de reincarnação, embora, sendo sempre os casos estudados como “casos sugestivos”.
Os estudos efectuados chegaram à conclusão que – “há muitas evidências”, não se fala em “provas”, fala-se em “evidências”.
“Há muitas evidências que as teorias das vidas passadas têm sustento”, disse.
A escolha do Dalai Lama
Sublinhou como exemplo clássico, quando se trata da escolha do Dalai Lama, quando morre, há uma Comissão de Sábios, que seguindo a lua, seguindo as estrelas, e seguindo numa determinada direcção vão encontrar a reincarnação do Dalai Lama. Anda anos à procura e, por vezes, após três ou quatro anos de andarem à procura, encontram a criança que se suspeita e vão fazer a prova.
Levam uma quantidade de objectos do anterior Dalai Lama alguns pessoais, outros para os cultos e interrogam a criança, para que serve e como se definem aqueles objectos, e, nesta prova, por vezes com 200 objectos, a criança não falha nenhum – “então este é o Dalai Lama”.
“Portanto começa a haver evidências, consistências, que esta ideia de vidas passadas existe”, disse.
O que reencarna são as nossas neuroses
Mário Simões referiu que cada um tem diferentes visões e opiniões sobre esta temática de estarmos, ou não, cá pela primeira vez, uns defendem que fomos animais, que podemos ser animais, por isso não toquem nos animais, alguns até nos insectos – “não toquem nas vaquinhas, são milhões de pessoas a acreditar nisso”.
Os Tibetanos acreditam nos renascimentos sucessivos, porque trazemos memórias das diferentes vidas.
Há pessoas que estão de acordo, que estamos cá pela primeira vez, mas com memórias diferentes das últimas, eu, na brincadeira costumo dizer que – “o que reencarna são as nossas neuroses, são as memórias das minhas neuroses, quase sempre o que renasce são as neuroses, as dificuldades que não ficaram resolvidas, espaçadas no tempo”, e, que “na reencarnação é que vão ficar resolvidas, espaçadas no tempo”.
“Vamos renascer com as pessoas que mais coisas temos a tratar”, referiu.
Um método de abordar muitas fobias
Deu o exemplo de pessoas que têm medo das alturas, ou que têm medo da água, ter medo de um gato, coisas esquisitas, então sobre hipnose, recuam no tempo, primeiro nas fases de criança, mas outras recuam no tempo e parecem que se vêm em Roma, noutra vida, noutro espaço, vestidos de tal ou tal forma, e, então, nessas situações, as pessoas começam a construir uma história que trás a explicação dos medos.
“Este é um método de abordar muitas fobias que se resolveram assim”, disse.
“A hipnose clinica foi uma técnica para tentar ir buscar causalidades estranhas, relações tensas entre pais e filhos, entre marido e mulher, muitas vezes tinham explicações, digo entre aspas explicações, porque dizia-se vir de supostas vidas passadas.”, sublinhou Mário Simões.
A hipnose clinica começou a ser usada como uma terapia regressiva – “como nós não tínhamos a prova, sempre lhe chamei uma terapia pela reestruturação vivencial e cognitiva. Portanto, reestruturar é ir para um avatar. Estamos com os mitos pessoais, os nossos arquétipos”
“Se aquilo que eu vivenciei faz vir ao de cima o melhor de mim, para a minha vida actual, então, vale a pena acreditar, é uma crença pessoal, que faz de mim uma pessoa melhor.”, afirmou o psiquiatra.
Num estado de transe há uma ampliação da consciência
Salientou que a fase estranha deste processo “é de pessoas sem conhecimentos históricos, vão buscar pequenos factos, que não são do conhecimento geral e acertaram naquilo, isto faz pensar, que quando a pessoa está num estado de transe há uma ampliação da consciência, passamos a ter acesso a informação, que está aqui, esta sala está cheia de informação, basta ligar um televisor, ligar um rádio, estão aí as ondas hertezianas. Esta sala está cheia”, referiu.
Registos de tudo o que sucede no mundo do passado
É possível que num estado de transe nós captemos informação, que uns povos o registos ecáxicos, uma caixa, que seria uma espécie de registos de tudo o que sucede no mundo do passado, do presente e até do futuro. Há teorias que é possível ter acesso a esse tipo de informação, Quando se usa toda uma fenomenologia paranormal, há algumas experiências de pessoas que têm acesso a isso, acesso ao futuro e ao passado, em estado de transe, são pessoas que têm sonhos precognitivos sobre o futuro, há pessoas que são capazes de receber essa informação, salientou Mário Simões.
“Experiências paranormais que se estudam em laboratório. Ir ao futuro. O fenómeno existe não se sabe como se processa. Conhecemos muito mas sabemos pouco.”, disse.
S.P.
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