Investimento superior a 2 milhões de eurosCâmara Municipal do Barreiro adquiriu mais de 20 habitações para habitação social
“Actualmente a oferta de arrendamento no Barreiro é exígua, para não dizer inexistente”, disse Frederico Rosa, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, na última reunião da Assembleia Municipal do Barreiro. O edil considerou que os preços de arrendamento. na lei da oferta e da procura, são excessivos.

Por Jornal Rostos
Nas Oficinas da CP, no Barreiro realizou-se uma reunião da Assembleia Municipal do Barreiro no decorrer da qual, no período de intervenção do público, o tema da Habitação motivou a intervenção de diversos munícipes.
Crise do mercado habitacional traduz-se numa crise humana
José Augusto, foi o primeiro interveniente sobre a temática da habitação, uma matéria que na sua opinião tem sido negligenciada por sucessivos governos e que, sobre o qual, as autarquias devem pressionar o Poder Central.
Referiu que o tema da habitação é uma luta colectiva onde não há interesses partidários.
Na sua intervenção teceu criticas ao programa do governo + Habitação, que não tem politicas para agir sobre o mercado e não tem em atenção o desenvolvimento do parque público habitacional, que em Portugal corresponde a 2% do mercado.
Sublinhou que a crise do mercado habitacional traduz-se numa crise humana.
No concelho do Barreiro apenas existem 300 habitações sociais
Nuno Rodrigues, recordou que no Barreiro, no ano 2016 a renda de aluguer de um T2, era de 300 euros por mês, em 2018, o mesmo T2 passou para uma renda de 500 euros e, actualmente, no ano 2023 a renda está nos 800 euros mensais – “este valor corresponde ao meu salário”, disse.
Esta situação na sua opinião não é uma resposta ao previsto no artigo 65º da Constituição da República Portuguesa.
Recordou que no concelho do Barreiro apenas existem 300 habitações sociais, e existem 4000 casas devolutas.
“Que está a ser feito no Barreiro no combate aos preços exorbitantes?”, interrogou.
Estratégia de habitação com base na renda acessível não contraria a especulação imobiliária
Joana Correia, salientou que a proximidade de Lisboa, contribuiu para o disparar dos preços imobiliários. Recordou que em Portugal há 67 mil famílias a viver em situação de habitação indigna.
Na sua intervenção, defendeu como mais favorável a implementação de uma politica de habitação com base nos princípios da renda apoiada, que vai ao encontro do rendimento do agregado familiar, enquanto uma politica de habitação com base na renda acessível, o valor da renda reduz 20%, mas os preços serão sempre de acordo com os preços do mercado.
Na sua opinião uma estratégia de habitação com base na renda acessível não contraria a especulação imobiliária.
Referiu que no Barreiro há 700 fogos com base na renda acessível, e, ao finalizar interrogou o executivo municipal porque opta por uma estratégia de habitação de renda acessível, em vez de optar por uma estratégia de renda apoiada.
Na sua intervenção defendeu que o estado devia ter uma rede de habitação, porque esta seria uma forma de controlar os preços das rendas.
T3 no Barreiro tem uma renda de 1300 euros.
Patricia Paixão, a propósito do que se diz que o Barreiro já não é uma cidade cinzenta, agora é uma cidade desenvolvida, é uma cidade do século XXI, recordou os preços de aluguer de habitação nesta cidade, e, da dificuldade de alugar uma casa.
Referiu que um T3, no Alto do Seixalinho, tem uma renda de 1200 euros, um T3, no Barreiro, tem uma renda de 1300 euros. Há 4000 casas devolutas e estão sendo construídos empreendimentos de luxo, com andares à venda por 2900euros/m2 – “vamos alugar casa para turistas”.
Na sua opinião, para melhorar as condições de vida de uma cidade, deve passar por melhorar o acesso a habitação.
Estou desiludida
Jessica Ribeiro, recordou que há 12 anos escolheu viver no Barreiro, hoje, carece de uma casa, vive co-habitação com o ex-marido, e não consegue alugar uma casa, porque os valores do arrendamento são semelhantes ao seu salário – “estou desiludida”.
No concelho do Barreiro há um deficit de habitação
Frederico Rosa, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, sobre esta matéria, sublinhou que no concelho do Barreiro há um deficit de habitação, e sublinhou a necessidade de desenvolver no Barreiro habitação de diversas tipologias, para classes mais altas, classes médias, classes mais baixas.
O edil salientou que no último ano e meio a Câmara Municipal do Barreiro já adquiriu mais de 20 habitações, para habitação social, com um investimento superior a 2 milhões de euros.
Divulgou que foi enviado para o Tribunal de Contas um processo de concurso público para 92 habitações e vai ser feita uma aposta em terrenos, referindo um lote na Quinta das Canas, para habitação a custos controlados, visando aumentar a oferta, porque actualmente a oferta de arrendamento no Barreiro é exígua, para não dizer inexistente, e considerou que os preços na lei da oferta e da procura são excessivos.
Sobre a opção da autarquia pela estratégia da renda acessível, o autarca referiu que essa opção tem por base a necessidade de resolver o problema da carência de habitação hoje e não esperar para que seja resolvido daqui a 10 anos, ou daqui a 6 anos – “a resolução é agora”, para que seja cumprida a Carta Municipal de Habitação, porque, disse, “é importante crescer na oferta” e que o município dê o exemplo no aumento do seu parque municipal de habitação.













