O renascimento do cooperativismo no Barreiro

Por Joana Peralta
Há exactamente 90 anos atrás, dez operários dos Caminhos de Ferro celebraram a escritura pública de constituição da Cooperativa Popular Barreirense, cujo objectivo era “fornecer aos sócios géneros de primeira qualidade, peso exacto e preço módico, facilitando economias e sua capitalização”.
Segundo Hélder Mendes, presidente da direcção, “ao longo de toda a sua existência, a Cooperativa nunca navegou num mar de rosas, sendo que as primeiras dificuldades surgiram de imediato, nomeadamente com a instalação da sede”. Só em 1938 é que a então denominada Cooperativa Popular Barreirense conseguiu uma sede própria, sita na Rua Miguel Bombarda, que foi recentemente demolida para dar lugar a um novo edifício, onde permanecerá instalada.
Apesar das várias contrariedades, entre as quais surgem também o aparecimento das grandes superfícies, a Cooperativa Popular Barreirense resistiu e “a par de outros valores cooperativos, soube levar à prática a solidariedade”, afirmou Hélder Mendes.
Contudo, as receitas baixaram, não chegando para cobrir as despesas, o que levou ao encerramento da parte comercial, cujas instalações foram alugadas ao Tribunal do Trabalho, até ao ano 2000.
Com a recuperação do prédio, houve uma reanimação da Cooperativa, cujo ramo de referência passou a ser cultural, denominando-se assim Cooperativa Cultural Popular Barreirense.
Projectos culturais e cooperativos
“Pretendemos realizar um projecto cultural no âmbito do cooperativismo e um projecto cooperativo na área da cultura”, assegurou Hélder Mendes, afirmando que esta Cooperativa “se encontra voltada para os interesses da comunidade, pretendendo contribuir, no futuro, para o desenvolvimento cultural do Barreiro”.
Segundo Apolónia Teixeira, vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral da Junta de Freguesia do Barreiro, “temos muito a construir num futuro próximo, sendo necessário aglutinar gente de todos os quadrantes nesta nossa intervenção”.
A Cooperativa deverá ser, então, um espaço aberto e inovador, de cultura e cooperativismo, constituindo assim uma homenagem aos dez operários que, em 1913 se juntaram e fundaram esta casa.













