Ano Europeu da Pessoa com Deficiência“Boas e Más Prácticas” para com deficientes auditivos

Por Catarina Simão
Com o objectivo de sensibilizar a população em geral e as entidades publicas para este problema, têm sido levadas a cabo várias iniciativas para a defesa dos interesses e dos direitos destes cidadãos. O Dr. João Ribeiro Mendes, Chefe de Serviço da Unidade de Otorrinolaringologia do Hospital Nossa Senhora do Rosário, chamou a atenção para alguns dos problemas que existem no acompanhamento e tratamento destes doentes.
A surdez nos recém-nascidos e crianças em idade escolar
A maior preocupação actual centra-se no diagnóstico precoce da surdez em recém-nascidos, onde a intervenção cirúrgica surte os melhores resultados. Este diagnóstico torna-se indispensável, na medida em que o implante coclear deve ser feito até aos dois anos de idade. Outra das preocupações deste serviço são as crianças portadores de deficiência auditiva em idade escolar, nas quais existe uma dificuldade de resposta atempada no tratamento cirúrgico devido ao grande número de casos. “Por ano surgem à volta de 100 novos casos”, adianta o Dr. João Ribeiro Mendes.
Cirurgia ou prótese
Nos adultos o caso apresenta-se de forma diferente. Existem vários graus de surdez, alguns só ultrapassáveis com intervenção cirúrgica. Esta cirurgia é bastante dispendiosa, sendo financiada pelo estado, pelo que passa pelas mesmas dificuldades que outras cirurgias realizadas a nível estatal passam. Noutros casos, a solução é a prótese auditiva, que permite uma melhoria nos pacientes. O hospital tem uma linha de financiamento através do próprio ministério, que possibilita a compra do aparelho a quem tem uma situação económica precária. No entanto, esta ajuda não é suficiente, pois “existe uma verba limite que faculta 8 a 10 próteses por ano”. O trabalho torna-se ingrato quando ao receitarem próteses aos seus pacientes, verifica que estas não podem, e não vão ser adquiridas. A propaganda enganosa feita por empresas sem critério na venda de próteses, é outro dos problemas apontados pelo chefe deste serviço. Cada vez mais chegam ao serviço pessoas enganadas com promessas de próteses milagrosas, que não surtem qualquer efeito
Neste serviço, assim como em outros, as consultas estão um pouco atrasadas. Não existe um tempo médio de espera, pois a distribuição dos casos é feita pelos Directores dos Centros de Saúde.
A pensar nestas dificuldades estão a ser pensadas novas instalações para este serviço. As actuais instalações são provisórias, e prevê-se para o final do próximo ano a criação de um pavilhão anexo ao hospital, próprio para as unidades de otorrinolaringologia e oftalmologia, que oferecerá melhores condições para ambas as unidades. Uma das grandes questões que se colocam actualmente é o facto de os pacientes serem chamados por altifalantes, o que frequentemente dificulta o acesso dos deficientes auditivos às consultas. Este aspecto deverá ser melhorado no novo equipamento, através da implementação de um painel digital a indicar o número do paciente a ser atendido.













