José Pacheco Pereira considera“A Antiga União Europeia morreu”

Por S.P.
José Pacheco Pereira começou por alertar os presentes que a União Europeia actual “é algo qualitativamente diferente de quando Portugal entrou” e que com o próximo alargamento, em Maio, de 15 para 25 países “muda qualitativamente” e, disse, “verdadeiramente ninguém sabe o que vai ser.
Segundo o deputado social democrata – “ a antiga União Europeia morreu”, e começou “a mudar quando da queda do muro de Berlim” e com “o fim da potência URSS”, a partir de 1989.
José Pacheco Pereira considera que o alargamento “não é uma entrada” de novos países, é, isso sim, “um processo de reunificação da Europa”.
Na sua opinião, após a vaga de “europtimismo”, que emergiu no pós queda do Muro de Berlim, que perspectivava a “união política” e originou a criação do Euro, seguiu-se um período de “Europessimismo” marcado pelas guerras dos Balcãs, porque a “Europa não estava preparada para um conflito militar”, nem tinha “política de defesa comum”.
Num conflito “ideológico” marcado pelas opções de por um lado uma “ideia de Europa competitiva com os Estados Unidos” uma “Europa alternativa aos Estados Unidos” ou uma “Europa anti Estados Unidos”, a Europa perdeu terreno e o alargamento é resultado de “questões geoestratégicas” – sublinhou José Pacheco Pereira.
Portugal na cauda da Europa
Na União Europeia “apesar da retórica europeísta cada estado está mais voltado para os seus interesses nacionais” e com a discussão da Constituição, disse, “estamos num enorme confusão” – na política externa a Europa está dividida e não política de defesa comum – “Já existe estrutura militar, não há exército”.
Na opinião de José Pacheco Pereira, Portugal foi o país que mais dinheiro recebeu da Europa e “não soube aproveitar”, quer por parte de governos liderados por socialistas, quer pelos sociais democratas, pelo que, com o alargamento “arriscamo-nos a ficar em último lugar, não dos 15, mas dos 25”.
O deputado social democrata defendeu como prioridades para fazer face ao alargamento que Portugal seja capaz de melhorar na qualidade da educação, apostar nas novas tecnologias, desenvolver políticas de qualidade porque caso contrário – “pudemos ter um futuro medíocre”.
“É penoso ver os outros países avançar e nós continuarmos na mesma. Portugal está a ficar para trás” – sublinhou José Pacheco Pereira.
Na sua opinião que não falar duas línguas “não se safa” e Portugal não está a “fazer uma geração bilingue”.
Constituição – federalismo disfarçado
No decorrer do debate que se seguiu o deputado social democrata referiu que “a Europa não pode perder competitividade ao nível militar” e criticou o facto de “os interesses nacionais pesarem mais que os interesses Europeus” neste contexto considerou que a Constituição Europeia em discussão – “è federalista” – “é um federalismo disfarçado” e “politicamente pouco transparente”.
A encerrar o debate José Pacheco Pereira sublinhou que perante os desafios da Europa é necessário “combater a mentalidade proteccionista” e dinamizar uma “cultura de esforço e de trabalho”.
“Nós não estamos ameaçados de pobreza, estamos ameaçados de mediocridade” – salientou.
José Pacheco Pereira defendeu que os sociais democratas devem retomar as origens do PSD na sua fundação, sendo o partido dos “portugueses insatisfeitos” que “querem ter uma vida melhor” os “portugueses que se querem fazer a si próprios” e formar-se ao longo de toda a vida.
O PSD não pode ser “um partido de clientes do Estado”.
“Como se fez o Barreiro? Foi fruto da migração, de pessoas que procuraram um vida melhor, uma situação melhor do aquela que viviam” – disse.
E lançou um apelo para que os sociais democratas com este exemplo de vida tenham coragem de “partir as redomas de vidro” e assumam “outra visão cultural”, retomando a tradição de ser um partido de “homens que se fazem a si mesmos” com dinamismo social.













