“Campo das Cordoarias. A morte do comércio local no concelho?”
Por Catarina Simão
O Arquitecto Miguel Amado, Deputado Municipal do PDS, procedeu a uma apresentação do projecto e salientou a preocupação do PSD face ao “grande número de comercio que está previsto”, e que pensam “ser prejudicial para os comerciantes locais”. “O que nos move é a solução, o impacto e os procedimentos que estão a ser utilizados neste caso e em outros”, acrescentou o deputado municipal. Miguel Amado apresentou alguns dos problemas que o PSD denota no Barreiro, e expôs as diferenças entre o projecto inicialmente apresentado no Plano Director Municipal de 1993, e o que está actualmente em debate, salientando o aumento de 300% no espaço de comércio. Para o PSD, este projecto agrava alguns dos problemas que o Barreiro já se depara actualmente, e trás novas situações, nomeadamente em relação à centralização do comércio local, à concentração de dois mercados municipais num só com 343 mesas de venda, e a criação de lugares de estacionamento privados. O Arq. Miguel Amado afirmou que o processo não decorre de acordo com as expectativas do PSD, na medida em que houve “falta de transparência, urgência na implementação do projecto, atropelo do PDM e ausência de explicação do processo à população”. Em conclusão, o Deputado Municipal afirmou existir “um desconhecimento dos efeitos deste projecto no comércio local e uma ausência da participação da população, bem como dos agentes económicos”.
“O PSD não se opõe ao desenvolvimento do Barreiro, do seu comércio e da população. Não estamos a tentar travar o desenvolvimento , mas sim, um mau desenvolvimento feito nas costas das pessoas e dos agentes económicos”, salientou Pedro Gomes, Deputado Municipal do PSD. Por isso mesmo, “vimos discutir este projecto sem termos responsabilidades sobre ele”, projecto que, na opinião do mesmo deputado, “não beneficia em nada os comerciantes da cidade”.
A Abstenção do PSD
Em resposta a Humberto Candeias, do Bloco de Esquerda, que questionou a abstenção do Vereador Mendes Costa durante a discussão camarária do projecto, o Arq. Miguel Amado defendeu que “o PSD não tinha conhecimento suficiente” na altura sobre o projecto. Bruno Vitorino afirmou que a posição do partido “não é estática. Vamos falando com as pessoas, absorvendo informações de todos os lados para obtermos informações sobre o projecto”. “ O que não podemos ser acusados é de não termos feito o nosso trabalho enquanto partido político”.
Amílcar Romano esteve presente neste debate enquanto “munícipe e vereador”, onde expressou as suas opiniões. “O Vereador do PSD absteve-se sem grandes considerações criticas relativamente a este projecto”, referiu Amílcar Romano, salientando também que, Mendes Costa tinha a mesma informação que os restantes vereadores acerca do projecto. Para o vereador “a Câmara Municipal do Barreiro rege-se pelo PDM e aí se define a legalidade ou ilegalidade”. Amílcar Romano afirmou ainda que o PSD “está a tentar lançar duvidas” relativamente a transparência do projecto, o que, em política “é muito mau”. “Deixa-se a duvida como se houvesse um aproveitamento, nomeadamente da Câmara Municipal. Qualquer menção à falta de transparência, é também acusar o vosso vereador que é uma pessoa bastante atenta”, concluiu Amílcar Romano.
Para Bruno Vitorino, o vereador “perdeu uma oportunidade de vir esclarecer e clarificar os barreirenses relativamente ao projecto”. “O vereador preocupou-se mais em fazer política”, referiu Pedro Gomes. O Deputado Municipal assumiu o compromisso de apresentar hoje, em Assembleia Municipal, uma proposta para a realização de uma Assembleia Municipal Extraordinária acerca deste projecto.













