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Perspectivas

Bloco de Esquerda perspectiva“Barreiro do Século XXI deve desenvolver-se com base na poli nuclearização”

No Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro realizou-se um “Encontro” tendo como tema – “Barreiro Século XXI – Que futuro?”, promovido pelo Bloco de Esquerda – Barreiro e aberto à participação de todos os interessados.
Foi um dia de intenso debate e de reflexão sobre a actualidade do concelho do Barreiro e as perspectivas que se colocam para o século XXI.
A afirmação da centralidade do Barreiro no âmbito da AML e Península de Setúbal, como, lugar de referência no Arco Ribeirinho do Tejo, foi uma ideia força que atravessou diferentes intervenções.
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Bloco de Esquerda perspectiva “Barreiro do Século XXI deve desenvolver-se com base na poli nuclearização”

Por Jornal Rostos

O Debate teve o seu início com a intervenção de Pedro Estadão, Presidente do Clube dos Empresários do Barreiro, que referiu “os empresários não são políticos” apenas desejam que “deixem-nos trabalhar”.
Na sua opinião o Barreiro tem que afirmar a sua centralidade na Margem Sul e “a afirmação dessa centralidade “deve ser um objectivo estratégico”.
Segundo Pedro Estadão o Barreiro é “uma terra com prestígio diminuído a nível nacional e internacional” e é uma cidade como conceito de “cidadania moderna europeia não existe”, acusando os dirigentes políticos ao longo de décadas de “falta de visão” estratégica.
O Presidente do Clube de Empresários do Barreiro considerou que “Não há gestão de qualidade” nos serviços municipais e que “não se percebem os objectivos concretos de curto, médio e longo prazo”, na sua opinião – “Não há um discurso político central”, nem “há objectivos sectoriais” ou “políticas integradas que contribuam para “influenciar” o Poder Central a tomar decisões sobre o Barreiro.
Pedro Estadão defendeu a redução do quadro de pessoal da Câmara Municipal do Barreiro e que a realização de diversos serviços sejam prestados em cooperação com empresas privadas, perspectivou a criação de uma Zona franca e a ligação ao Seixal e ao Montijo.
Pedro Estadão, por razões de ordem pessoal e empresarial teve que abandonar os trabalhos, não participando no debate onde foram tecidos alguns comentários críticos á sua intervenção.

Potenciar ligação ao rio

Mário Durval, da Comissão Concelhia do Bloco de Esquerda, referiu que esta iniciativa do BE visava proporcionar debate de ideias e discussão, incentivar debates sobre a cidade, na sua opinião – “não faz sentido olhar para uma cidade que não satisfaz a qualidade de vida das populações” – estas são cidade “não lugares”.
Segundo Mário Durval, o Barreiro do século XXI deve “basear-se nos recursos ecológicos”, nas “potencialidades do rio” e na sua “História e memória”, defendeu que – o Barreiro deve apostar em “desporto e indústrias ligadas ao mar” e neste contexto valorizou a criação do Instituto de Estudos Gâmicos.
Alfreda Cruz, Geógrafa, começou por recordar que o “Barreiro foi para mim uma escola de cidadania” e sublinhou que apesar de existir um “sentimento de desgaste” o Barreiro é uma cidade com “memória e com autoestima”.
Neste contexto defendeu que o Barreiro deve valorizar o seu papel de centralidade na Península de Setúbal e na AML, tendo um papel central na organização do território se, se constituir com centralidade do Arco Ribeirinho do Tejo.
Na sua opinião a elaboração de um Plano de Desenvolvimento Estratégico deve perspectivar a “interligação dos núcleos mais importantes da Península de Setúbal”.

Uma cidade cultural

A encerrar o painel de abertura deste Encontro registou-se a intervenção de Madalena Alves Pereira, ex- Vereadora da Cultura da Câmara Municipal do Barreiro, eleita pelo Partido Socialista.
Madalena Alves Pereira, considerou que o Barreiro do novo milénio deve ser “uma cidade com ambição”, uma cidade que deve ter na sua opinião três palavras chave orientadoras – desenvolvimento; progresso e esperança, que conte com a participação dos cidadãos, porque o que é de todos por todos deve ser decidido.
Madalena Alves Pereira recordou as tradições culturais do Barreiro, uma cidade marcada “por um mundo de tertúlias” e por “uma consciência critica” que sempre foi um “pólo de contestação de políticas sociais”.
Na sua opinião – “O Barreiro ainda não fez justiça à sua memória operária” e sublinhou – “Eu faço parte da última geração que viveu no Barreiro ao ritmo da fábrica”.
A ex-autarca socialista referiu que o Barreiro tem que valorizar a ideia de centralidade e que tem vivido “fechado ás zonas envolventes”.
“O Barreiro é uma cidade cultural por si, pela sua história” – sublinhou, acrescentando que na cidade “há bons agentes culturais” sendo a cidade marcada por manifestações culturais criticas e irreverentes, neste contexto defendeu que a Câmara deve assumir políticas de parcerias com os Agentes Locais, com regras, progredindo no trabalho conjunto e evitando que a esta acção da Câmara seja “fortemente partidarizada”.
Seguiu-se o debate, do qual emergiram um conjunto de ideias força – valorizando a centralidade do Barreiro, a participação dos cidadãos, a valorização do Barreirpo como “Cidade Cultural”; a valorização de espaços e actividade que coloquem o Barreiro como referência – Escola Superior de Tecnologia; Escola de Jazz do Barreiro e a potenciação de equipamentos municipais, foi igualmente defendida a necessidade de o Quimiparque abrir as suas portas à cidade e considerou-se que – “O Barreiro do século XXI deve desenvolver-se com base na polinuclerização”

Uma cultura que marca

Após o almoço foi efectuada uma intervenção com base nas conclusões da equipa de Missão que elaborou os estudos de impacto ambiental sobre a construção da travessia Barreiro – Chelas.
José Caro Proença recordou aspectos da memória Pré industrial e industrial do concelho do Barreiro, bem com o papel do concelho nos Descobrimentos Portugueses.
Luís Rodrigues, falou sobre a qualidade de habitação e a qualidade de vida e criticou o excesso de oferta actualmente disponível no concelho do Barreiro.
Humberto Candeias, salientou que o “Barreiro continua ser refém de um modelo ligado à industrialização”, na sua opinião “há uma cultura que existiu que ainda marca o Barreiro”.

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