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Perspectivas

Ciclo de Debates sobre o 25 de Abril“Da Ditadura ao 25 de Abril”
No Barreiro, 30 anos depois, Abril... Vive!

Inserido no Ciclo de Debates sobre o 25 de Abril, promovido pela Câmara Municipal do Barreiro no âmbito das Comemorações do 30º aniversário da Revolução dos Cravos, decorreu no passado dia 22 de Abril, pelas 21H30, no Auditório Municipal Augusto Cabrita, o debate “Da Ditadura ao 25 de Abril”, onde esteve presente Otelo Saraiva de Carvalho, um dos rostos da revolução. Para além do Capitão de Abril, marcaram presença Isabel do Carmo, Miguel Eusébio, Daniel Cabrita e Júlio Freire.
Abril foi a palavra mais proclamada pelos intervenientes, numa demonstração que Abril... Vive!
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Ciclo de Debates sobre o 25 de Abril “Da Ditadura ao 25 de Abril” No Barreiro, 30 anos depois, Abril... Vive!

Por Catarina Simão

O debate foi iniciado por Amílcar Romano, vereador responsável pelo pelouro da cultura na Câmara Municipal do Barreiro. O vereador justificou a escolha do Auditório Municipal para palco desta iniciativa, pela ”dignidade dos temas” e por este ser “o que temos de mais nobre no Barreiro”. Amílcar Romano apelou para valores como a solidariedade, a fraternidade, o direito à opinião e à diferença, numa altura em que estes “devem ganhar força”.

“O meu grande sonho era derrubar o regime salazarista”

Otelo Saraiva de Carvalho referiu-se ao Barreiro como um “foco fundamental do país em termos de luta antifascista”, luta essa “que deve ficar registada”. O capitão confidenciou que desde os tempos de liceu tinha o secreto desejo de participar no derrube do regime fascista vigente em Portugal. “O meu grande sonho era derrubar Salazar. Não o consegui, mas pelo menos derrubei o Marcelo Caetano”. A ideia ficou na gaveta, até que surgiram as condições necessárias para que a pudesse pôr em prática. “Tenho um orgulho enorme em ter sido protagonista desta revolução”.
Para Otelo Saraiva de Carvalho o 25 de Abril foi notável, já que “em 17 horas destruímos um regime de 38 anos, bem como os seus mecanismos”. Também o facto de ter sido levado a cabo por militares, foi um facto relevado pelo rosto de Abril, pois as forças armadas eram o ultimo bastião do fascismo.

Abril é evolução/revolução

Isabel do Carmo, médica endocrinologista natural do Barreiro, relembrou a cidade de então, onde existia já “uma terrível vontade das pessoas se organizarem”. “Esta terra tem uma memória, por ter vivido o fenómeno da revolução industrial, que tem que ser levantada”, relembrou esta militante antifascista.
Isabel do Carmo recordou também a militância política que teve ao longo do regime, que caracterizou de “atrasado, beato, primário, sem qualquer aspecto positivo”. Para esta médica, “actualmente não estamos pior do que no 25 de Abril. Precisamos é de pôr o tal R antes da evolução”.
Júlio Freire, actual provedor da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro e preso político em 1971, proferiu um texto por ele redigido durante o tempo de cativeiro, e bastante divulgado na imprensa nacional e internacional. A descrição dramática de toda a luta empreendida por um homem nas mãos da PIDE emocionou toda a sala, que não conseguiu ficar imune perante os factos. “Fui preso por assumir por inteiro a luta da libertação do nosso povo, e como consequência, sujeitei-me a tudo isto. Não dou por mal empregue este tempo. Hoje faria igualmente o que fiz”, confessou Júlio Freire.
Daniel Cabrita, um dos rostos do sindicalismo em Portugal, reflectiu acerca deste movimento no 25 de Abril. “A importância deste movimento foi ter-se conseguido fazer a politização da actividade sindical, transportando-se para o que viriam a ser as reuniões intersindicais, importantes fontes de contestação do regime”. Para Daniel Cabrita, foi nos sindicatos que surgiu a primeira democratização da vida, com as assembleias, a construção de grupos de trabalho, entre outros.
A movimentação social no barreiro foi o tema abordado por Miguel Eusébio. “O Barreiro foi sempre a terra com maior consciência política do pais”, devendo-se em grande parte às industrias que ocuparam o Barreiro durante os tempos. “As discussões políticas no Barreiro não são coisa de hoje, já têm mais de dois séculos. Sempre houve expoentes políticos bem definidos no Barreiro”, explicou Miguel Eusébio.

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