30 anos de Abril - Ciclo de DebatesGuerra Colonial deixou marcas nos portugueses
A importância de alertar a opinião pública para os problemas que afectam os deficientes das Forças Armadas, foi salientada pelo Coronel Armando Ramos, no decorrer deste debate.

Por Jornal Rostos
“A ADFA está conivente com a situação de marginalização que o estado assume para com os deficientes das Forças Armadas” – foi sublinhado por um dos participantes neste debate, que na sua fase final abordou temáticas relacionadas com o “stres de guerra” que, na opinião de diversos intervenientes, afecta a vida quotidiana de muitos portugueses que viveram os dias de guerra colonial.
O Coronel Armando Ramos deu a conhecer exemplos concretos de militares que viveram os dias de combate, que sofrem e não contam com qualquer reconhecimento do Estado, citou os nomes de casos do Barreiro - o Pacheco, o Sereno e o Nascimento. Três caso que referiu são exemplares da injustiça que se comete com aqueles que, em nome da pátria perderam muito das suas vidas, sem qualquer reconhecimento.
O Coronel Armando Ramos criticou o subsídio que o governo vai atribuir a ex-combatentes, porque é uma verba irrisória que não vai ajudar nada nem ninguém, enquanto há casos gritantes, situações dramáticas que não merecem solução.
“É preciso que olhem para os problemas dos deficientes das Forças Armadas. É preciso alertar a opinião pública que, afinal julga que já está tudo resolvido” – salientou Armando Ramos.
Esquecem os estropiados de guerra
Ilidio Neves, em representação da Associação dos Fuzileiros, recordou os valores que o levaram a aderir voluntariamente a uma tropa de elite – o império português, a pátria – e que só anos de pois, tomou consciência da realidade.
“Completei 18 anos em combate, debaixo de fogo em Nanbuagongo. Nós não fazíamos a mínima ideia do que era a Guerra Colonial” – sublinhou, recordando que viveu “momentos dramáticos”.
O Coronel Armando Ramos, em representação da ADFA – Associação de Deficientes das Forças Armadas, salientou que ainda há muito por fazer em relação aos dês do Programa do MFA – considerou que no que diz respeito ao d, de democracia, está a existir uma regressão – “falta rotatividade entre as classes políticas dirigentes”.
Quanto ao d, de desenvolvimento, recordou que vivemos num pais de tanga, onde se “esquecem os estropiados de guerra”.
16 de Março – 25 de Abril
No decorrer da sua intervenção manifestou a sua imensa alegria de estar, naquele momento, sentado ao lado de Otelo Saraiva de Carvalho que classificou como o “cérebro do 25 de Abril”.
Recordou a sua intervenção no 16 de Março e como aquela intentona foi um balão de ensaio preparatório do 25 de Abril.
O Coronel Armando Ramos foi preso no 16 de Março, por comandar as tropas que saíram das Caldas da Rainha, rumo a Lisboa.
O Otelo recordou que não foi preso nessa data por questões de minutos – “foi uma sorte” e salientou que o Coronel Armando Ramos foi sempre um homem do movimento e que foi envolvido, como ele próprio poderia ter sido, num golpe que resultou de gestos impulsivos.
O rosto do 16 de Março e o rosto do 25 de Abril encontraram-se, no Barreiro, 30 anos depois do 25 de Abril. Foi uma lição de história nas primeiras pessoas.
Guerra Colonial foi decisiva
Otelo Saraiva de Carvalho salientou que a “a Guerra Colonial foi um factor determinante para que se fizesse o 25 de Abril” e sublinhou que a “Guerra estava perdida na Guiné”.
“Os militares estavam unidos em dois objectivos : safarmo-nos com vida e no encontrar resposta à pergunta : porque estamos aqui ?” – disse o operacional do 25 de Abril.
Otelo recordou os passos que conduziram ao 25 de Abril e como no programa do MFA ficou explicito o reconhecimento do “direito à autodeterminação” dos povos das ex-colónias.













