Apresentação da Biografia de Alfredo da Silva“Uma obra que ajuda a compreender o nosso orgulho em ser barreirenses”
Muitos barreirenses foram ao AMAC conhecer um pouco mais o homem que contribuiu para o desenvolvimento da cidade do Barreiro. Na génese do seu crescimento, a Companhia União Fabril (CUF), pela mão do homem e industrial que foi Alfredo da Silva, contribuiu também para a formação dos que hoje são o melhor do Barreiro, os barreirenses, que não desperdiçaram esta oportunidade de prestar a sua homenagem. Na sessão de apresentação da obra que retracta a vida daquele que é considerado por muitos como o maior industrial português do século XX, estiveram presentes, Emídio Xavier, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Jorge Mello, neto de Alfredo da Silva, assim como outros descendentes do industrial e Miguel Figueira de Faria, autor da obra, acompanhado da sua equipa de investigação.

Por Catarina Simão
Para o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Emídio Xavier, a obra "desenvolve pela primeira vez, com alguma profundidade, o pensamento político de Alfredo da Silva e as suas relações com o poder".
O edil salientou que “não há outro concelho que justifique mais a apresentação de um livro sobre Alfredo da Silva”, pela relação que existe entre a cidade e o homem. “Não é possível falar de Alfredo da Silva sem ter o Barreiro como fundo, já que a historia do Barreiro se prende ao espirito empreendedor da Alfredo da Silva”. O autarca descreveu a obra como “profunda e séria”, permitindo conhecer “quem realmente foi Alfredo da Silva”. “Esta obra documenta o Homem, o Barreiro, a História do séc. XX e a ajuda a compreender o nosso orgulho em ser barreirenses”.
Figura marcada no rosto do Barreiro
“Passado quase um século desde as primeiras fábricas da CUF e 62 anos após o seu falecimento, a figura de Alfredo da Silva mantém-se presente no Barreiro, na estátua, na avenida, no mausoléu, no estádio e também na memória dos barreirenses”, relembrou o autarca, salientando que o Barreiro de hoje está marcado pelo desenvolvimento industrial do século XIX que se repercutiu a outros níveis.
Com a instalação das fábricas da CUF no Barreiro, em 1906, Alfredo da Silva denotava já um espirito empreendedor. A proximidade com Lisboa e a ligação dos Caminhos de Ferro ao sul do país em 1861 contribuíram para que este industrial de personalidade forte e controversa fixasse aqui a maior concentração industrial do país que viria a transformar o rosto e o caracter desta vila piscatória. Este desenvolvimento atraiu gente de todo o país, e despontou uma consciência da classe operária única em todo o país.
“Esta obra vale por dar a este homem notável uma biografia”
Miguel Figueira de Faria referiu como objectivo principal da sua obra o facto de “deixar uma porta aberta para o desenvolvimento de outros trabalhos” que já se encontram em curso. “Foram dois anos e meio de investigação manifestamente insuficiente para entender a figura deste homem”, referiu o autor salientando que este livro “não procurou fazer a historia da CUF”.
Sobre a personalidade e vida do homem, Miguel Figueira de Faria relatou alguns aspectos desconhecidos e curiosos, que satisfizeram alguma da curiosidade dos barreirenses e que podem ser encontrados na obra apresentada. A presença forte, a personalidade de referência na sociedade lisboeta da época, e a imagem ainda controversa do self-made-man foram referidas pelo professor da Universidade Autónoma. O autor falou da génese do homem que permite compreender a sua afirmação enquanto industrial e empresário que, com apenas 19 anos assumiu a presidência do Banco Lusitano. No ano seguinte, assume ainda a presidência da Carris e da Companhia Aliança Fabril (CAF).
Para Miguel Figueira de Faria, “a obra vale por dar a este homem notável uma biografia, que se pode debater e discutir, porque não há duas biografias iguais, assim como não há dois retratos iguais”.
De salientar que, no inicio do próximo ano vai decorrer na Universidade Autónoma um colóquio subordinado ao tema “Alfredo da Silva no seu tempo”.













