“Memórias da Cidade: Salvaguardar o Património Associativo”“A história do Barreiro faz-se também pela história das colectividades”

Por Catarina Simão
Sensibilizar os corpo gerentes das colectividades e associações para os cuidados básicos a ter com a documentação que produzem, reforçando a importância da mesma no conhecimento da história do concelho foi o ponto de partida deste debate que contou com a participação do vereador responsável pelo pelouro do Associativismo, Amílcar Romano, por Isabel Soares, técnica superior do Arquivo Municipal, Lima Correira, do Grupo Desportivo 31 de Janeiro “Os Celtas”, e Dourada Mendes, da Cooperativa Cultural Popular Barreirense.
“Há uma grande boa vontade e preocupação das colectividades em manter a documentação”
Isabel Soares, do Arquivo Municipal da Câmara Municipal do Barreiro, deu a conhecer o projecto desenvolvido pela autarquia junto das colectividades. Entre os meses de Março e Agosto foi realizado um inventário e um levantamento da documentação histórica das colectividades do Barreiro. Num concelho que se destaca também pelo movimento associativo, “a história do Barreiro faz-se pela história das colectividades”, referiu esta técnica da autarquia. A primeira fase deste projecto consistiu em analisar os documentos de cada colectividade e o seu estado de conservação de modo a compreender os arquivos das mesmas e a conhecer cada associação pela sua documentação.
Isabel Soares apresentou os resultados deste trabalho, que futuramente se encontrará disponível no site oficial da autarquia (www.cm-barreiro.pt). Depois de verificar que “as colectividades têm fundamentos riquíssimos”, este grupo de trabalho pretende “voltar a algumas colectividades e fazer a interpretação desses documentos”, adiantou esta técnica de arquivo. Isabel Soares mencionou outro facto importante: “existe a preocupação em conservar documentação considerada importante, esquecendo-se por vezes de outra documentação que pensam ser menos importante”, como fotografias, relatórios de contas, documentos de contabilidade, entre outros. A técnica da Câmara Municipal do Barreiro mostrou-se preocupada com o fácil acesso que todos têm à documentação histórica, que pode levar à sua dispersão .
“A documentação de uma colectividade e o tratamento da mesma servem para conhecer o passado da colectividade, compreendendo o presente e planeando o futuro”
O dirigente do Grupo Desportivo 31 de Janeiro “Os Celtas”, Lima Correia referiu que “o tratamento do arquivo histórico não é muitas vezes a prioridade das colectividades”, onde é “descuidada a produção, a organização e o tratamento da documentação”. Para além da sua importância histórica, Lima Correia salientou a importância na gestão da própria colectividade, já que apresenta dados e informações relevantes para a elaboração do plano de actividades, por exemplo. “A documentação de uma colectividade e o tratamento da mesma, assim como numa empresa, servem para conhecer o passado da colectividade, compreendendo o presente e planeando o futuro. Só assim o movimento associativo pode contribuir para que se crie uma história séria da colectividade, da sua cidade, e do seu concelho”, conclui o dirigente associativo.
Pelouro do património associativo
“No Barreiro, assim como em todo o país, houve falta de sensibilidade pelo património histórico nas colectividades. Não se deu e continua a não se dar a importância devida a esta área”, referiu Dourada Mendes, da Cooperativa Cultural Popular Barreirense. Para este dirigente associativo, desde sempre ligado à vida das colectividades, a organização do arquivo necessita do apoio técnico da autarquia, mantendo sempre a independência do poder político. Dourada Mendes defendeu a criação de um pelouro do património associativo dentro de cada colectividade, com um responsável pela organização e tratamento da documentação histórica. Este dirigente associativo deixou também uma sugestão: “ouvir os relatos dos sócios idosos. Eles têm histórias que não estão escritas, e que deviam ser ouvidas, gravadas e redigidas”.
Para Amílcar Romano “estamos a tratar de um pilar fundamental da organização social do nosso concelho. Esta riqueza terá que ser bem tratada por todos nós”. O vereador defendeu a criação de uma campanha para sensibilizar a oferta de documentos que estejam em posse de pessoas individuais, para evitar a perda de documentação histórica relevante.













