Congresso PSNo Barreiro três moções em confronto
Eduardo Cabrita, apoiante de José Sócrates, Cabós Gonçalves, apoiante de João Soares e Pedro Marques, apoiante de Manuel Alegre, foram os protagonistas.

Por S.P.
Cardoso Ferreira, Coordenador da Secção do Barreiro, foi o moderador do debate começando por referir que o debate de ideias em torno das moções apresentadas ao Congresso do Partido Socialista e a eleição do Secretário Geral, “não podem por em causa o projecto de cidade” que une os socialistas barreirenses, por esse motivo sublinhou “recusamos segunda leitura dos resultados”.
Na Mesa que presidiu ao debate, para além dos representantes das moções e do moderador, marcou presença Emídio Xavier, Presidente da Comissão Política Concelhia do Barreiro e Anabela Mota, Presidente da Junta de Freguesia da Verderena.
O parceiro do Barreiro
Eduardo Cabrita, representante de José Sócrates, de acordo com o previamente estabelecido, foi o primeiro a intervir, começando por salientar que o debate que o Congresso do PS está a proporcionar é “um processo de amadurecimento da democracia”.
Na sua opinião o Partido Socialista é a referência da “esquerda democrática” e, hoje, os portugueses sabe, como existe uma grande “diferença de governação do PSD para o PS”, por essa razão, referiu “os portugueses exigem que o PS regresse à área do poder” e que “José Sócrates é o melhor colocado para liderar o PS” tendo em vista alcançar esse objectivo.
Por outro lado, considerou que José Sócrates “é o parcerio que o Barreiro precisa”, para desenvolver o projecto autárquico dos socialistas.
Dialogar e fazer
Cabós Gonçalves, representante de João Soares, começou por manifestar a sua satisfação pela realização deste encontro porque “é tão raro estarmos reunidos” e “é tão raro convocar os militantes para discutir política”.
Justificando o seu apoio a João Soares, referiu que o seu candidato, “deu na Câmara de Lisboa um excelente exemplo do que é governar à esquerda” baseando a sua acção no “dialogar e fazer”.
Na sua opinião a moção de João Soares, é a mais completa” e aquela que aponta mais soluções.
Por outro lado, expressou a sua opinião sobre o funcionamento do Partido Socialista, afirmando que – “não gosto de um partido, onde há Secretariados que se atrevem, contra os estatutos, a fazer acç~ºoes por um candidato”.
Um modelo de esquerda
Pedro Marques, representante de Manuel Alegre ( por motivo de doença de João Pintassilgo) começou por salientar que “esta candidatura surgiu para promover o debate” e gerar o “desasosego” manifestando-se “contra o unanimismo”.
Expressou a sua satisfação por “já termos ganho, nós PS, a batalha da transparência” e manifestou o seu desejo que com o debate em curso, porque “existe uma carga negativa da palavra aparelho” então, talvez seja possível “alterar alguma coisa desse dito aparelho”.
Na sua opinião é importante que a “democracia não seja alternância” mas que seja “alternativa de esquerda”, por essa razão considerou que o PS “não deve ser o partido para agradar a todos” e deve apostar na afirmação de “uma gestão de esquerda”, porque “é a partir da esquerda que se constroem modelos vitoriosos, o modelo social europeu, o qual vinca o nosso espaço na esquerda”.
Somos socialistas
Cardoso Ferreira, moderador do debate, começou por colocar duas perguntas aos três participantes no debate, nomeadamente sobre quais as reformas que o PS necessita para melhorar o seu funcionamento interno e, por outro, quais as principais bandeiras que cada candidato vai apresentar ao país com força para mobilizar os portugueses no apoio ao PS.
Cabós Gonlçalves, sobre o funcionamento do Partido Socialista esclareceu que “não gostamos da forma como o partido funciona”, porque “somos contra um partido onde só se faz política de 4 em 4 anos” e considerou que “o PS deve abrir à sociedade”, dando força a movimentos sociais.
Na sua intervenção defendeu que se deveria acabar com a “farsa do financiamento dos partidos” e apostar na reforma do Estado, considerou essencial a revisão da legislação sobre o aborto e considerou que a Assembleia da República tem elgitimidade para o concretizar, rejeitando a realização de um novo referendo.
Cabós Gonçalves exigiu a retirada das topoas do Iraque de imediato e finalizou que no Partido Socialista “não somos socialistas, nem à antiga, nem à moderna, somos socialistas”.
Pedro Marques, defendeu um novo modelo de funcionamento do Partido Socialista, onde se estimulasse o desenvolvimento de Secções temáticas, o desenvolvimento de Cibersecções e a criação de Clubes de Política.
Na sua intervenção considerou importante que fossem dinamizadas eleições primárias para a escolha de candidatos a Presidentes de Câmara e candidatos a deputados e referiu que se deve – “limitar a fulanização do poder no PS” e persepctivou a criação de Círculos Uninominais para a eleição de Deputados à Assembleia da República.
Pedro Marques sugeriu a criação de Conselhos de Opinião, com militantes e não militantes do PS, de forma a estimular a participação política e, sublinhou, ser essencial que o Estado assuma um papel regulador, como “um Estado Estratega”.
Como estratégia política perspectivou que o desenvolvimento do país deve ter como referência a “Estratégia de Lisboa”, defendeu a melhoria do Serviço Nacional de Saúde como prioridade e a rebvisão da Lei do Aborto.
Eduardo Cabrita, começou por salientar que no PS os militantes “escolhem os seus dirigentes” e considerou que era um “insulto” ficar-se com a ideia de “parecer que há linhagem”, acrescentou, igualmente que “não há no PS quem tenha legitimidade de passar certificados de esquerda” porque “nós somos esquerda”.
Na sua intervenção comentou que Manuel Alegre por vezes “faz oposição ao PS”.
Eduardo Cabrita, defendeu que o Partido Socialista deve ter um projecto de governação e apostar na conquista da maioria absoluta, “conquistando votos à direita e à esquerda”.
Teceu criticas ao Partido Comunista Português que classificou de “esquerda arcaica” e recusou que o “PCP seja o Conselho Fiscal das nossas opções à esquerda”.
Na sua opinião “ser de esquerda é apostar em serviços públicos de excelência” e, disse, o PS deve ser “uma esquerda a sério para governar”.
No que diz respeito ao funcionamento interno do PS, defendeu que se deve “alterar o modelo” e “abrir o PS à socieade”.
Não somos associação de malfeitores
Reinaldo Silva, colocou diversas perguntas, nomeadamente sobre o aparelho do PS, a Declaração de Princípios e interrogou sobre ilegalidades do processo eleitoral.
Emídio Xavier, indignado com as perguntas, levantou-se da Mesa e referiu que “recuso-me participar” numa reunião onde estão a ser colocadas questões desta forma – “O PS não é uma assocaição de malfeitores”.
Este foi o momento mais confuso do debate que, no entanto, não passou de um mero acontecimento de circunstância.
Pedro Marques, referiu que “recuso-me aceitar em chapeladas” no Partido Socialista.
Eduardo Cabrita, referiu que não aceita as questões colcoadas por Reinaldo Silva “num partido que é o mais democrático de todos os partidos”.
Cabós Gonçalves, expressou a certeza que “este Secretariado não permite falsificações”.
Outros militantes colocaram diversas perguntas, num debate que foi animado e onde estiveram em confronto as posições políticas dos três candidatos ao cargo de Secretário Geral.













