Encontro Nacional da Malhae do Jogo Popular dá origem a Manifesto
Por Jornal Rostos
Uma “mesa redonda”, entre a organização e as associações participantes do Encontro Nacional da Malha e do Jogo Popular, resultou numa reflexão e tomada de posição sobre o estado dos Jogos Tradicionais em Portugal. Contributos importantes, durante uma reunião de duas horas, deram origem a um documento, assinado pelos presentes, onde se reflectiu sobre o presente e o futuro dos Jogos Tradicionais.
Concluiu-se, genericamente, que os municípios devem continuar a enquadrar no âmbito das suas preocupações sociais, culturais a valorização da prática do Jogo Tradicional quer como identidade da sua vida local, quer como animação do tempo de lazer fundamental à qualidade de vida das populações, particularmente para os mais idosos; que o movimento associativo deve beneficiar de incentivos e apoios dado o seu desempenho como célula de dinamização cultural e desportiva, quer através das autarquias locais quer das entidades governamentais que têm responsabilidade na promoção do desporto e na defesa da identidade cultural das regiões do nosso país; que o planeamento e desenvolvimento das nossas cidades e vilas deve ter como preocupação social a definição de espaços de lazer e de convívio bem como a interacção entre os diferentes espaços desportivos, nos quais se devem identificar as zonas a privilegiar para o encontro entre gerações e o convívio entre as gentes locais; que é inegável o papel educativo que o Jogo e o Jogo Tradicional assumem na formação dos nossos jovens assumem na formação dos nossos jovens que como instrumento de intervenção pedagógica quer como pesquisa e conhecimento da nossa cultura popular; que a recolha e valorização dos nossos jogos estejam associados ao nosso património cultural, ao lado de outras expressões que caracterizem a nossa identidade.
Manifesto – Jogos – Tradicionais
Encontro Nacional da Malha e do Jogo Popular
Os Jogos tradicionais têm desempenhado ao longo dos tempos, um papel importante na vida das populações os quais reflectem o seu contexto social, cultural e económico, onde se inserem, já que a sua origem está intimamente ligada à própria vida social local, quer através do uso dos próprios instrumentos de trabalho quer pelas características das próprias regras do jogo.
O jogo tradicional nunca deixou de estar associado à festa, à alegria, ao convívio e ao próprio lazer onde quer que o “Jogo Popular” aconteça, ou seja por motivo de aproximação entre gentes de terras diferentes ou pelo simples prazer de revitalizar as tradições de cada terra.
Esta sensibilidade social e cultural foi de há muito assumida pelos nossos municípios os quais têm assumido um papel importante na reconstituição das tradições locais, na promoção de praticas culturais junto as associações e colectividades e na aproximação de gerações entre os jovens de hoje e os nossos avos com as suas referências do passado.
E neste contexto a recolha e reconstituição dos Jogos Tradicionais ocorreram um pouco por todo o país, o qual têm sido um contributo importante à caracterização da história local. Foram os convívios e/ou os torneios que os municípios apoiaram e incentivaram junto das associações e colectividades, foram as edições e publicações que ajudaram a promover os Jogos de cada terra.
Também a aproximação do jogo tradicional junto dos mais novos e o respectivo envolvimento das escolas, foi, e é a razão fundamental para que os saberes se transmitam e as culturas se afirmem entre as pessoas de todas as idades que lhe dão o prazer de jogar entre amigos.
Desde sempre que os Jogos se podem considerar como uma “manifestação de cultura” enquanto manifestação de animação cultural entre gerações, entre povos e aldeias diferentes os quais promovem o ponto de encontro entre as gentes de todas as idades.
Também a sua vivência pode ser a expressão da vida local, enquanto “manifestação social” quando o objecto e a sua forma de jogar descrevem as condições de vida e de cultura das populações de outras épocas.
Sabemos que os jogos tradicionais se têm também assumido como uma “variante histórica” quando eles se transmitem de geração em geração e neles vão sendo introduzidos pequenos elementos quer ao nível das regras quer no ambiente de jogo.
Estas modificações são fruto das alterações das condições de vida ocorridas ao longo dos diferentes tempos da história e da própria transformação da nossa sociedade.
Um outro aspecto a que não podemos deixar de salientar diz respeito à forma de “ocupação dos tempos livres, do lazer e da recreação”. Aqui são evidentes os laços de aproximação entre os instrumentos de trabalho e nesta aproximação são verdadeiramente apreciados como um período de repouso e assim, recuperar as energias. Também as praticas dos jogos estão, de algum modo geral, relacionadas com o espírito e com as exigências que o trabalho local ocorria.
No mundo actual as preocupações perante os traços culturais de cada terra ou região, são diferentes e até a própria contextualização na vida das sociedades onde o jogo tradicional já ganhou alguma expressão e reflexão. É indispensável que as cidades tenham espaço para os diferentes tipos de lazer e sejam capazes de crescer com preocupações culturais e sociais.
Recentemente a UNESCO (Hannover, Alemanha 2000) através do seu grupo de trabalho sobre o jogo e os jogos tradicionais, fazia constar a necessidade de se promoverem festivais, colóquios e outras jornadas de animação cuja preocupação primordial deveria ser a de valorizar o jogo tradicional enquanto valor patrimonial.
- É com este propósito que os municípios do distrito de Évora têm ao longo dos últimos 12 anos, assumido como vertente importante a promoção e organização da Festa da Malha como uma grande manifestação de animação cultural onde o Jogo da Malha é o “mote” para o convívio e ponto de encontro entre as gentes do nosso Alentejo.
- Mas, hoje o Encontro Nacional da Malha e do Jogo Popular com projecção para todo o país pretende valorizar não só o Jogo enquanto ponto de encontro entre gerações mas simbolizar as regras, gestos, materiais e modelos diferentes de jogar a Malha. Também neste encontro as diferentes formas de jogar os Jogos Tradicionais estão presentes sob a forma de demonstração.
Neste Encontro, o qual tem a organização da Câmara Municipal de Évora e a Associação de Municípios do Distrito de Évora, é por todos reconhecido como um verdadeiro “hino” à cultura popular onde as populações das aldeias e vilas diferentes viviam este passado histórico com o mesmo entusiasmo com que as nossas crianças brincam e representam os “Jogos e Cantinelas” de todos os tempos.
Face ao exposto consideramos importante destacar alguns aspectos que ao longo desta jornada cultural motivou a reflexão de convidados, professores, dirigentes e praticantes:
- É fundamental que os municípios continuem a enquadrar no âmbito das suas preocupações sociais, culturais a valorização da prática do Jogo Tradicional quer como identidade da sua vida local, quer como animação do tempo de lazer fundamental à qualidade de vida das populações, particularmente para os mais idosos;
- Que o movimento associativo beneficie de incentivos e apoios dado o seu desempenho como célula de dinamização cultural e desportiva, quer através das autarquias locais quer das entidades governamentais que têm responsabilidade na promoção do desporto e na defesa da identidade cultural das regiões do nosso país;
- Que o planeamento e desenvolvimento das nossas cidades e vilas tenham também como preocupação social a definição de espaços de lazer e de convívio bem como a interacção entre os diferentes espaços desportivos, nos quais se devem identificar as zonas a privilegiar para o encontro entre gerações e o convívio entre as gentes locais;
- É inegável o papel educativo que o Jogo e o Jogo Tradicional assumem na formação dos nossos jovens que como instrumento de intervenção pedagógica quer como pesquisa e conhecimento da nossa cultura popular;
- Reconhecemos que os diferentes padrões da nossa cultura popular estão intimamente ligados desde a poesia ao canto, da dança à música e do gesto dos trabalhos à linguagem dos seus jogos tradicionais. Que a recolha e valorização dos nossos jogos estejam associados ao nosso património cultural, ao lado de outras expressões que caracterizem a nossa identidade;
Este manifesto aprovado pelas delegações presentes neste Encontro Nacional do Jogo da Malha e do Jogo Popular, que decorreu em Évora nos dias 24, 25 e 26 de Setembro.













