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Perspectivas

Na abertura do Ano LectivoWRAYGUNN E X-WIFE respondem à chamada

A S.I.R.B. “Os Penicheiros” foi o local escolhido pela Câmara Municipal do Barreiro para a realização, no passado dia 25 de Setembro, do espectáculo de abertura do ano lectivo na cidade.
No alinhamento do espectáculo, duas das bandas mais quentes do actual panorama nacional, X-WIFE e WRAYGUNN.

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Na abertura do Ano Lectivo WRAYGUNN E X-WIFE respondem à chamada

Por Jornal Rostos

Os X-WIFE eram aguardados com grande curiosidade pelo público presente na S.I.R.B, na bagagem trouxeram o seu último álbum “Feeding The Machine”, lançado no início do ano. Para trás ficou o EP "Rockin´Rio/Eno/We Are" de 2003, responsável por algum furor entre o público português e apontado como a next big thing em terras lusas.
No Barreiro, o trio portuense composto por João Vieira na voz e guitarra, Fernando Sousa no baixo e Rui Maia nos sintetizadores e drum machine mostrou que a máquina está realmente bem alimentada. Perante uma plateia expectante, os X-WIFE mostraram o seu electro-punk, aqui e ali com piscadelas de olho aos anos oitenta, mas sempre ao que de melhor se fez nos anos oitenta. Na memória fica a imagem de um trio de poseurs, em especial Fernando Sousa, mas poseurs de extremo bom gosto, ou não o fossem também todas as suas referências.
Os X-WIFE seguem assim na crista da onda, por mérito próprio. Os alicerces que os sustentam estão cravados profundamente nos anos oitenta, mas revestem-se de texturas nobres actualizadas e fruto de novas releituras extremamente apelativas neste inicio do novo milénio.
No seguimento da actuação dos X-WIFE, tempo de receber o projecto de Paulo Furtado, os WRAYGUNN. O público barreirense sabe bem o que pode esperar dos espectáculos de Paulo Furtado, entrega e profissionalismo. Puderam constatá-lo na edição de 2003 do Barreiro Rocks com o projecto Legendary Tiger Man. No palco da S.I.R.B. acompanhado por Raquel Ralha na voz, a excelente vocalista dos Belle Chase Hotel, Sérgio Cardoso no baixo, Francisco Correia no sampler e gira-discos, Pedro Pinto na bateria e percussões, a que se junta, também na bateria e percussões, João Doce; os WRAYGUNN abriram com “There But For The Grace Of God Go I”, do seu último trabalho, o incontornável “ECLESIASTES 1.11” gravado em 2003 e masterizado por Noel Summerville em Londres. Seguiu-se “Drunk Or Stoned”, “Keep On Praying”, “How Long, How Long?” também de “ECLESIASTES 1.11”. Já com o publico rendido e uma sala em festa, tempo para um flashback até ao álbum “SOUL JAM” de 2001 com “Ain`t Gonna Break My Soul”, “Lonely” e “Going Down”. De regresso ao último álbum, os WRAYGUNN atacaram “Sometimes I Miss You”, “She`s A Speed Freak”, “Juice” e “All Night Long”, com um Paulo Furtado a descer do palco e a misturar-se com o público, não sem algumas dificuldades motivadas pelas barreiras de protecção que se encontravam entre ele e o público. Este foi, aliás, o único ponto negativo a assinalar no espectáculo. Num palco como o dos Penicheiros não se justificavam as barreiras tão afastadas. Paulo Furtado e Raquel Ralha bem pediram que as retirassem, mas sem efeito, se o fizeram foi porque sabem que o publico barreirense faz a festa, sem excessos. Aparentemente os músicos não tiveram uma palavra a dizer na sua própria actuação. Foi ao som de “All Night Long” que os vimos retirar, uma canção de amor e entrega a culminar a actuação de uns WRAYGUNN portentosos a converter o Barreiro ao evangelho, em Eclesiastes 1.11, só que neste caso nós recordaremos e aguardamos o regresso.

Luís Alcântara

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