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Perspectivas

Terminou a edição de 2004 dos Encontros de Musica Experimental em Palmela para trás ficam três noites mágicas com sons que fascinam

Os Encontros de Musica Experimental decorreram entre os dias 1 e 3 de Outubro na Igreja de Santiago, no Castelo de Palmela. O espaço, absolutamente perfeito para o evento, recebeu durante três noites consecutivas um programa extremamente apelativo e representativo das novas tendências na música electrónica experimental.

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Terminou a edição de 2004 dos Encontros de Musica Experimental em Palmela para trás ficam três noites mágicas com sons que fascinam

Por Jornal Rostos

Na noite de dia 1, a abrir os encontros, o projecto POLLEX de João Hora, Ricardo Sousa e Pedro Gomes. Uma guitarra e dois laptops, num palco enquadrado pela espantosa instalação de Eurico Coelho. Os músicos setubalenses criaram uma miríade de sons, num improviso total. João Hora e Ricardo Sousa, nos laptops, trabalharam frequências diferenciadas sobre as linhas de guitarra de Pedro Gomes. Uma actuação em que a única regra foi a sensibilidade de cada músico.
Na segunda actuação da noite, tempo de ouvir Pure, o músico austríaco, natural de Viena e actualmente a viver em Berlim, foi responsável em 1991 pela introdução do Tecno na Europa, tendo-se mais tarde afastado desta corrente e abraçado a musica de audição abstracta. Utilizando o laptop, Pure levou-nos numa viagem introspectiva através da experimentação electrónica. Dos muitos loops utilizados, destaque para a utilização do tema Bella Ciao, um tema cuja autoria se desconhece, adoptado pelos partisans italianos durante a guerra e a ressoar de forma assombrosa na Igreja de Santiago.
A iniciar a noite de dia 2, André Gonçalves, músico que pode ser escutado sob o nome ok.suitcase e “Etch” em trabalhos realizados anteriormente; e em diversos projectos, como In Her Space, Stapletape, Last Time This Happened We Had a Street Party e mais recentemente o Books Quartet.
Após a actuação de André Gonçalves, a oportunidade de assistir ao fabuloso desempenho dos TinyLittleElements, naquela que foi a sua segunda aparição com esta designação, o duo composto por Sebastian e Lia, ambos a viver em Viena, apresentou-se em palco tendo em fundo uma enorme tela de projecção onde as imagens criadas por Lia interagiam e reagiam aos sons do laptop de Sebastian. Ambos colaboraram em 2002 no projecto "clicks & cuts", premiado no ARS Electrónica. Em conversa com ROSTOS Lia referiu que “o que se está a passar em Portugal em termos de música electrónica experimental não tem paralelo em mais nenhuma cidade europeia, afirmou ainda que em 1997 na Áustria, o movimento era semelhante ao português, mas de repente os Media começaram a dar-lhe destaque transformando o movimento e dando-lhe muito mais visibilidade. Por seu lado Sebastian referiu que “as pessoas têm que deixar de reverenciar o que se está a passar na Alemanha e na Áustria, devendo criar e produzir mais música, tendo em atenção as suas próprias vivências”.
A encerrar os encontros, um momento verdadeiramente espantoso, a actuação de um trio constituído por Pedro Carneiro, na marimba e Vítor Joaquim e Ivan Franco nos laptops. Esta actuação iniciou-se com Pedro Carneiro, a solo, interpretando a peça “Les Violons Morts” do compositor sérvio Jovan Zivkovic e a peça de sua autoria “...My Whole Self Raises, My Whole Self Burns...” após o que se seguiu a subida ao palco de Vítor Joaquim e de Ivan Franco para um momento único de comunhão entre o improviso electrónico, através dos laptops, e o improviso na marimba. Um grande momento a encerrar estes Encontros de Musica Experimental, como aliás o foram também todos os momentos que precederam as actuações. No espaço da Igreja de Santiago estiveram permanentemente as fabulosas instalações de Catarina Campino, Eurico Coelho, Graciete Claro, Ivan Franco, Javier Núñez Gasco e Vítor Joaquim, criando o ambiente perfeito para as incursões sonoras. De realçar a extraordinária qualidade sonora que marcou o decorrer das actuações. Vítor Joaquim, apresentou em Palmela um programa fortemente representativo das novas tendências na música electrónica experimental em Portugal, mas mais do que isso, integrou no mesmo programa artistas da Europa Central, permitindo assim que o publico pudesse ter acesso ás diversas sensibilidades, de diferentes origens, em três noites mágicas marcadas pelos sons que fascinam.

Luís Alcântara
Com Fotos de Rui Minderico

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