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Perspectivas

4 olhares sobre CulturaO cidadão que deve ter conhecimento dos perigos

A Cooperativa Cultural Popular Barreirense assinalou o inicio da sua actividade com a promoção de um Ciclo de Colóquios subordinados ao tema : “4 olhares sobre a Cultura”.
“Há uma cultura do risco?” – foi o tema que animou o primeiro colóquio.
“A magia foi substituída por uma cultura da segurança” – foi salientado no decorrer do debate.

4 min de leitura

Por Jornal Rostos

Dourada Mendes, Presidente da Direcção da Cooperativa Cultural Popular Barreirense, salientou a vontade da cooperativa em promover “eventos culturais” recordando que as “colectividades são, ou deveriam ser, espaços culturais” em contraponto com aqueles que considerou serem os “espaços oficiais” onde decorrem actividades de “elevado nível” destinados a “pessoas espectadores”.
Na sua opinião aqueles que participarem nas actividades promovidas pela cooperativa “não são simples espectadores”.
Neste contexto referiu que a cooperativa deseja transformar-se “num ponto de encontro de diferenças culturais”, porque, salientou um “espaço de cultura terá que ser também de democracia e de liberdade”.
Apolónia Teixeira foi a moderadora do debate que contou com a participação de Paulo Granjo, Antropólogo; Miguel Sousa, Director do “Jornal do Barreiro” e Manuela Espadinha, Professora do Ensino Secundário.

Risco não é sinónimo de perigo

Paulo Granjo, prelector convidado para efectuar a abordagem global do tema em debate, começou por recordar a personalidade de Blanqui Teixeira, um amigo que esperava encontrar mas que, infelizmente, faleceu – “um homem de convicções e de uma grande força intelectual” – salientou.
Sobre o tema, em debate, Paulo Granjo, começou por uma abordagem do conceito de “cultura” que considerou ser “basicamente aquilo que é adquirido, formas de apreender o mundo, transmitido socialmente”, um processo de aprendizagem que nos leva a agir e reagir.
“Cada um de nós está inserido numa diversidade de culturas. Não há uma cultura do Barreiro. Não há uma cultura portuguesa.” – referiu.
Por outro lado abordou o conceito de “risco” salientando que “risco não é perigo”, “não é ameaça”, “não é acidente”.
Na sua opinião, “há coisas há nossa volta que nos ameaçam” mas “risco não é sinónimo de perigo”.
Paulo Granjo salientou que “risco está ligado á noção de incerteza” e à “noção de probabilidade”.
Neste contexto sublinhou que vivemos numa sociedade que “tem reverências para a ciência” gerando-se a “ilusão que é possível prever o impossível” e a “necessidade de dar algum sentido ao aleatório” como que apostando-se em “dar sentido à incerteza”.
Na sua opinião o binómio “sorte-azar”, os ritos de feitiçaria, as superstições, que marcam a história da humanidade, inserem-se, nos dias de hoje, numa “lógica do risco”, num “cálculo de probabilidades”.
O risco é o desejo do homem de “gerir a ameaça” – “cálculos pensados com base em hipóteses do que pode acontecer”.

Uma Escola para a cidadania

Miguel Sousa, recordou aspectos das memórias do Barreiro, como cidade industrial e marcada pela poluição, uma terra com excelentes técnicos e com excelentes operários.
Manuela Espadinha, recordou que a vida de professor é marcada por “práticas de risco, diariamente enfrenta desafios” mas acredita que “arriscar é um desafio”.
Recordou as “ameaças do insucesso escolar” e considerou ser essencial que na Escola de hoje os professores sejam capazes de “valorizar as competências” e promover “uma educação para a cidadania”.
Na sua opinião a escola deve ser uma “escola das culturas e da cidadania”.
“É fácil ou difícil gerir o risco no nosso sistema de ensino?” – interrogou Manuela Espadinha.

Sem risco não há progresso social

Seguiu-se um período de debate. Álvaro Monteiro recordou que o Barreiro foi uma cidade que sempre viveu ligada ao conceito de “risco” – risco ambientais; riscos de carácter social; riscos profissionais e sublinhou que – “sem risco não há progresso”.
António José Ferreira, salientou que a”magia foi substituída por uma cultura de segurança” e sublinhou a “falta de consciência do risco”.
Rui Madeira interrogou se “em todas as fases da evolução é ou não necessária correr riscos ?”
Paulo Granjo recolocou o tema numa perspectiva de “cálculo de probabilidades” e considerou que é necessário “o máximo de informação acerca dos perigos que nos ameaçam”, sublinhando que o acesso à informação dos riscos é um direito, é uma exigência do cidadão que “deve ter conhecimento dos perigos e ameaças”.
Manuela Espadinha, recordou que a “escola é afectada pelos problemas sociais que a envolvem” e que a “escola é um espaço de cultura”.
O próximo Colóquio realiza-se no dia 29 de Outubro, pelas 21, 30 horas, nas instalações da Cooperativa, na Rua Miguel Bombarda, sendo o tema : “Dilemas da Civilização Tecnológica”. José Luís Garcia, Sociólogo, é o convidado para introduzir a temática deste painel, que conta igualmente com a participação de Rosário Cachola, Professora do Ensino Secundário e António Sousa Pereira, Director do jornal “Rostos”.

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