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Perspectivas

Dilemas da Civilização Tecnológica“A questão do consumo é um dos problemas culturais dos nossos dias”

A Cooperativa Cultural Popular Barreirense está a promover um “Ciclo de Colóquios” tendo como tema central – “4 olhares sobre a cultura”.
“Dilemas da Civilização Tecnológica” – foi a temática que animou o último painel que contou com a participação de José Luís Garcia, Sociólogo e Investigador, o qual manifestou-se céptico – “quanto à ideia que podemos ter no mundo uma organização social perfeita”.

4 min de leitura
Dilemas da Civilização Tecnológica “A questão do consumo é um dos problemas culturais dos nossos dias”

Por Jornal Rostos

José Luís Garcia começou por referir que “a questão do consumo é um dos problemas culturais dos nossos dias” estabelecendo uma ligação indissociável entre “consumo-cultura- tecnologia- democracia”.
Na sua opinião “o homem não é mais apenas um ser técnico” e recordou que a técnica marcou os últimos séculos da história da humanidade, durante os quais o “mundo começou a ser revolvido ao ritmo das mudanças tecnológicas”.
Segundo referiu no decorrer do século XIX a “ciência começa a ser uma ideologia, começa a assumir o papel de religião” a “ciência começa a ser confundida com o conhecimento” e isto tem influência no “território das ideias” de tal forma que
“os seres humanos frágeis face ao mundo, começam a sentir-se fortes face ao mundo” querendo “controlar a natureza para a por ao serviço do homem”, no entanto, na sua opinião a “ciência pôs-se ao serviço da economia”.

O mundo comercial a cada minuto

Prosseguindo a sua intervenção, José Luís Garcia, interrogou : Deve a investigação cientifica ter limites, ou não? A ciência pode mudar as nossas vidas ?
Na sua opinião, “a técnica não é solução para nada” e numa relação consumo-cultura, o mundo de hoje é marcado por um “determinismo técnico” e por um “determinismo económico/ de mercado”.
Neste contexto considerou que “o progresso cientifico e tecnológico tem o seu preço” e alertou para a importância dos problemas relacionados com “assuntos genéticos”.
“Os assuntos genéticos são como os problemas ambientais, primeiro não lhes ligávamos, depois verificámos como são essenciais” – salientou.
José Luís Garcia salientou que “esta é a única civilização tecnológica da humanidade” e acrescentou que “a tecnologia e a evolução tecnológica é a base da sua transformação”.
A finalizar referiu que “o mundo da civilização tecnológica é o mundo comercial, a todos os níveis, a cada minuto”, no futebol, no basquetebol, “tudo é comercial” e este mundo comercial avançou “durante a noite” com a televisão que anuncia a cada instante, a todo o momento.
“O mundo comercial avança até à pele, até ao cabelo, até ao gene” – referiu, sublinhando que perante tudo isto, esta sociedade marcada por uma cultura de consumo- comercial, é fundamental “reabilitar a ideia de intervenção social, de criação de movimentos sociais” gerando “reformas sociais” e reconheceu como positivo o papel e contributo do movimento cooperativo de consumo e neste caso a Cooperativa Cultural Popular Barreirense.
José Luís Garcia criticou o facto de nos dias de hoje “tudo tornar-se matéria de interesse comercial” que leva o homem a “vender a vida”.

Só os valores éticos causam vínculos

José Luís Garcia recordou que só “valores éticos causam vínculos” e, embora manifestando-se céptico quanto “à ideia de podermos ter uma organização social perfeita”, acredita “nas melhorias sociais que cada um de nós pode ganhar, através do melhoramento individual” contribuindo desta forma para que “a sociedade seja menos perfeita”.
Recordou que “o mundo da perfectabilidade humana é uma escolha que temos que fazer, não é possível”, porque o “mundo não aprendeu”, no entanto, “cada um de nós pode aprender” e na sua opinião agir.
Neste contexto repudiou o que classificou de “ideologias da perfectabilidade” e considerou que é necessário “pensar um mundo melhor” mais que “pensar um mundo perfeito”.
Por outro lado, salientou, que é essencial cada um de nós “ser responsável”, “sermos construtores de situações sociais”, referindo, por essa razão, que “a nossa responsabilidade é infinita” na construção de valores éticos, dado que “há muitos valores éticos que nos unem” em revolta contra o sofrimento e a injustiça.
Este painel foi moderado por António Bagorro e contou com a participação de Rosário Cachola, Professora da Escola Alfredo da Silva e António Sousa Pereira, Director do jornal "Rostos".

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