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Perspectivas

I Encontro do Centro de Atendimento a Toxicodependentes do Barreiro“Enquanto há Vida há Esperança, e a Esperança é a última a Morrer”

Hoje, 16 de Novembro, decorreu no Auditório Municipal Augusto Cabrita (AMAC), o I Encontro do Centro de Atendimento a Toxicodependentes (CAT), com o tema “Apresentação à Comunidade”, na mesa de abertura estiveram presentes, o Vereador da Câmara Municipal do Barreiro, Amílcar Romano, a Delegada Regional do I.D.T. de D.R.L.V.T., Paula Brum, o Delegado de Saúde do Barreiro, Mário Durval, e Cristina Polónia, Directora do CAT do Barreiro.

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I Encontro do Centro de Atendimento a Toxicodependentes do Barreiro “Enquanto há Vida há Esperança, e a Esperança é a última a Morrer”

Por Cátia Pacheco

Neste encontro foram abordados os problemas da Toxicodependência no Barreiro, as respostas Interinstitucionais, a Toxicodependência e a (Re)inserção social e os novos desafios.
Amílcar Romano deu os parabéns ao CAT por todas as iniciativas, que a par com a Câmara Municipal, tem vindo a desenvolver, e salientou a importância deste encontro, enquanto espaço de debate e enquadramento de ideias, uma vez que este é um problema, “que nos torna pequeninos para tentar-mos encontrar as respostas”.
Mário Durval mostrou-se satisfeito por se estar a debater um problema de saúde bastante grave, não só no Barreiro, como a nível mundial, “é um problema que deve ser visto também como um problema de ordem social que necessita de respostas, ressalvou.

A Toxicodependência no Barreiro – Experiência do CAT

O CAT do Barreiro abriu as suas portas em Março de 2001, e até aos dias de hoje teve aproximadamente cerca de mil utentes, sendo a grande maioria do concelho do Barreiro, facto este, muito devido à aproximação geográfica.
Em termos de antecedentes familiares, 14,4% dos utentes provem de uma família, em que o pai é alcoólico, e 22 a 23% em que os progenitores sofrem de doença médica
Das substâncias mais consumidas, os opiáceos ocupam o primeiro lugar, 99% dos utentes já teve contacto pelo menos um vez, a cannabis com cerca de 93% e com 84%, dos utentes já experimentaram cocaína.
A via de consumo mais usada é a fumada, sendo mais de 50% a cocaína.
As entradas no CAT tem vindo a diminuir ao longo dos anos, mas isto devido há falta de meios físicos e humanos, que não permite dar respostas a todas as solicitações.
A equipa do CAT é constituída por um médico psiquiatra, três médicos de clínica geral, seis psicólogos, 1 psicólogo em regime de voluntariado, dois técnicos de Serviço Social, uma mediadora do P.V.E. (Programa Vida Emprego), um enfermeiro a tempo inteiro, 5 enfermeiro em regime de acumulação, quatro técnicas Psicossociais, duas técnicas Administrativas, dois auxiliares de apoio e vigilância e dois seguranças.
Quando alguém recorre ao CAT, quer por iniciativa própria, enviado por uma instituição ou transferido de outro CAT, existem vários passos que são necessários seguir, primeiro é feita uma entrevista de acolhimento, uma primeira consulta com o terapeuta, e consultas de Psicologia, Psiquiatria e de Clínica Geral, depois é realizado um projecto terapêutico, e um encaminhamento, se necessários para outras consultas, ou para outras instituições.
Em todo este processo existem articulações do CAT com outras instituições, nomeadamente com o Hospital Nossa Senhora do Rosário, Associação Nacional de Farmácias, Segurança Social, Centro de Emprego, Autarquias, entre outros.

“Como Tratamos?”

O processo psocoterapeutico é adaptado a cada utente e definido ao longo da sua passagem pelo CAT. Pode ser feita uma desabituação física de opiáceos, manutenção com metadona, ou manutenção com Buprenorfina de alta dosagem.
No programa de manutenção existem quatro fases, a fase de indução, onde a dosagem é sempre feita no CAT, a fase de estabilização, a fase de manutenção onde o utente pode evoluir, tomando a dosagem em casa ou recorrendo às farmácias, e a fase de redução. De salientar que durante este processo são feitas análises com grande frequência.
De futuro, o grande objectivo é chegarem mais próximo das populações, nomeadamente com uma unidade móvel.

As Respostas Interinstitucionais

A Câmara Municipal do Montijo ciou em 1998 o Gabinete de Apoio a Toxicodependentes (GAT), neste encontro apresentou também a sua experiência.
Em 2001 criou uma parceria com o CAT do Barreiro, e actualmente tem um programa de metadona com 42 utentes. Esta parceira revela-se importante para, multiplicar os recursos, permite dar maiores respostas, e adaptadas às necessidades dos Toxicodependentes, e permite fomentar o processo cooperativo, nomeadamente cooperação com o Hospital Nossa Senhora do Rosário.
Em termos práticos, o GAT consegui dinamizar práticas profissionais mais integradas, responder a uma faixa da população toxicodependente que dificilmente se deslocaria ao CAT, e definir estratégias práticas e realistas no âmbito da redução de riscos e, desta forma desenvolver acções que impeçam a rejeição, a exclusão e a autodestruição.
O Estabelecimento Prisional do Montijo foi outra das instituições presentes, com a sua experiência. Neste momento encontram-se neste estabelecimento 234 reclusos, sendo que 17 estão inscritos no programa de metadona e sujeitos a toadas as regras que o programa obriga, também aqui, todos os meses são feitos testes de estupefacientes, que são fornecidos pelo CAT.
A intervenção das farmácias na problemática da Toxicodependência teve início em 1998, o que facilitou o acesso e adesão á terapêutica, promovendo uma melhoria da qualidade de vida, e garantindo a presença de um profissional de saúde no circuito e o acompanhamento do doente.
A adesão dos farmacêuticos a esta iniciativa é voluntário, no entanto é fundamental tirar um curso de formação inicial e acções complementares, com a equipa do CAT.
Os doentes que podem prosseguir o seu tratamento nas farmácias são indivíduos estabilizados na terapêutica, com comportamento adequado.
A relação do CAT com as farmácias é cada vez mais fundamental.

“Associação Centro Jovem Tejo”

A Associação Centro Jovem Tejo é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, que existe desde 1989, e que tem como principal missão a Prevenção, Recuperação e Reinserção de Toxicodependentes.
Elísio Barros, Director do Centro Jovem Tejo salientou que “enquanto há vida há esperança, e que a esperança é sempre a última a morrer”, daí a ajuda que este centro dá a todos os seus utentes.
Na prevenção tem sido desenvolvidas várias acções de formação, informação e sensibilização para grupos de jovens e Adultos, pais e professores, entre outros. Através de Gabinetes de informação e apoio e a colaboração de entidades públicas e privadas.
No tratamento têm várias modalidades, desintoxicação/Desabituação, ambulatório, pré-internamento, internamento, pós-internamento e acompanhamento familiar, os objectivos só são alcançados com a união das três partes, equipa, utente e familiares.
Na fase de Reinserção existem apartamentos terapêuticos na sequência do Internamento em Comunidade terapêutica, centro de motivação e empresas de Reinserção.
Para reduzir riscos e minimizar danos, desde Novembro de 2001 existe uma cantina social, de apoio a pessoas sem abrigo e Toxicodependentes. Existe ainda uma equipa de rua do Barreiro, de apoio a Toxicodependentes e prostitutas(os).
Toxicodependência e (Re)Inserção Social

O serviço social do CAT do Barreiro tem um papel preponderante na promoção das condições que visam a satisfação das necessidades de subsistência e integração do indivíduo na sociedade. Desta forma, o serviço social articula com as instituições e serviços da comunidade, de forma a responder às situações apresentadas.
A orientação profissional apresenta como objectivos ajudar os indivíduos a fazer escolhas e ajustamentos vocacionais na procura do desenvolvimento pessoal e da auto-realização.
Existem vários caminhos, nomeadamente, empresas de inserção, educação e formação para adultos, programas ocupacionais, para isso, desde Abril de 2001, existe uma articulação entre o CAT e o Centro de Emprego do Barreiro.

Novos Desafios – “Abrir as portas à Esperança. Fazer as pazes com a Vida”

Um dos novos desafios é proposto ao serviço social do CAT pelo IDT, diz respeito há investigação dos filhos de Toxicodependentes e sobre grávidas e puérperas toxicadependentes.
O projecto da equipa de rua do Centro Jovem Tejo é , “abrir as portas à esperança. Fazer as pazes com a vida”. O projecto funcionou inicialmente por um ano (2002), sendo que na recandidatura passou a ter validade de dois anos (2003/2005).
Todo este trabalho da equipa de rua só é possível com a colaboração dos parceiros sociais, o CAT do Barreiro, Câmara Municipal do Barreiro, Juntas de Freguesia, Hospitais, Centros de Saúde, INEM, ANF, Segurança Social, IRS, IEFP, Força Policiais, Comunidades Terapêuticas, Comunicação Social e muitos outros.

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