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Perspectivas

No BarreiroParticipação dos cidadãos é tema de actualidade

Debate “Educação, Ciência e Novas Tecnologias na vida da Cidade”

A Associação “Inovação & Intercâmbio”, realizou no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, uma sessão pública – debate, tendo como temática : “Educação, Ciência e Novas Tecnologias na vida da Cidade”, no qual participam candidatos das várias forças políticas concorrentes à autarquia do Barreiro.

8 min de leitura
No Barreiro Participação dos cidadãos é tema de actualidade

Por Jornal Rostos

O debate foi moderado por João Manuel Serpa, Presidente da Direcção e Maria Helena Sousa, Vice Presidente da Direcção da associação.
Um painel de convidados composto por : Maria do Rosário Rodrigues – Professora na ESE de Setúbal; António Vassalo – Director na Autoridade Nacional das Comunicações; Nuno Esteves – Economista e jovem empresário, Livraria do Bocage; Elsa Costa – Presidente Conselho Executivo da Escola D. Luís de Mendonça Furtado e Francisco Pires – Estudante Universitário na Open University, colocaram diversas perguntas aos participantes no painel
Neste debate participaram: PS – Luís Pedro Cerqueira; CDU – Joaquim Matias; PSD - Miguel Amado, e, BE – Humberto Candeias.

Novas Tecnologias e a cidade

A primeira pergunta colocada foi sobre a prioridade e as perspectivas orçamentais da Câmara Municipal do Barreiro, na promoção de projectos direccionados para as novas tecnologias.
Humberto Candeias, BE, considerou que seria extemporâneo falar de valores orçamentais, por não possuir indicadores, mas acrescentou que “as novas tecnologias em meio educativo, constituem para o Bloco uma prioridade” porque o acesso às novas tecnologias constituem um “instrumento para aumentar ou diminuir as exclusões”.
O importante na sua opinião é que existam politicas que contribuam para “corrigir as desigualdades”.
“Não nos deslumbramos com a técnica, preocupamo-nos com os objectivos” – referiu.
Por seu turno Miguel Amado, PSD, considerou que a “ciência e tecnologias na cidade” deveriam ser analisadas a dois níveis : o uso aberto e livre por todas as pessoas, o contributo para projectar a cidade de amanhã”.
Considerou que se deve evitar que as novas tecnologias “reduzam a privacidade das pessoas”, acrescentando que “o PSD é contra a vídeo vigilância”.
Luís Pedro Cerqueira, PS, sublinhou que é necessário desenvolver as novas tecnologias ao “nível das infraestruturas” indo ao encontro das necessidades que existem, recordando que no Barreiro existem “centenas de ligações com fibra ópticas”.
Salientou a necessidade de serem desenvolvidas aplicações que contribuam para o desenvolvimento da cidadania, e recordou que foram dados passos importantes no Barreiro com a criação da página na Internet.
A finalizar considerou que o Barreiro do Século XXI deve procurar atrair investidores nesta área – “Há segmentos que na AML o Barreiro pode concorrer” atraindo investimentos ao nível do multimédia.
Joaquim Matias, CDU, começou por referenciar o emprego/desemprego como questão central a resolver no concelho do Barreiro.
Considerou que as novas tecnologias podem atrair ao Barreiro “emprego qualificado”, e, neste contexto perspectivou que o Quimiparque “é determinante para o futuro da cidade” onde deve ser implementado “um projecto urbano avançado” dinamizando-se naquela área um “pólo de energias renováveis” e de “desenvolvimento de tecnologias de energia”.

Parque escolar deficitário

Seguidamente os convidados do painel colocaram diversas perguntas.
Elsa Costa, interrogou sobre o ensino pré-escolar e novas escolas na freguesia do Barreiro.
Miguel Amado, PSD, salientou que a freguesia do Barreiro precisa de uma nova escola do ensino básico e pré escolar, recordando que “já local definido”.
Luís Pedro Cerqueira, PS, sublinhou que a localização de escolas no concelho do Barreiro “tem sido assimétrica” e a freguesia do Barreiro “tem sido penalizada”.
Referiu que no PDM está definido terreno, mas perspectivou que a Quimiparque coloca à cidade novos desafios de “qualificação do Barreiro e centro da cidade”.
Joaquim Matias, CDU, referenciou que as duas escolas que existem na freguesia do Barreiro, estão “em estado de conservação muito má” e por essa razão defendeu a “construção de uma nova escola” assim como considerou essencial “recuperar a Escola Conde Ferreira”.
Humberto Candeias, BE, recordou que o Bairro das Palmeiras também é freguesia do Barreiro.
Salientou que no concelho do Barreiro “há um deficit de pré-éscolar porque arrancou-se tarde” dado que esta área não era considerada prioritária – “como não era prioritária a autarquia ficou-se para trás”.
Recordou a experiência desenvolvida no Bairro das Palmeiras de criação do CAIC e considerou que no Barreiro é fundamental a “requalificação e criação de novos espaços de pré-escolar” porque esta é uma forma de “combate à exclusão social”.

Promover na Internet a participação

A segunda pergunta foi colocada por António Vassalo, sobre a importância da transparência e redução da carga burocrática.
Luís Pedro Cerqueira, PS, sublinhou diversos projectos desenvolvidos pela autarquia, no âmbito do projecto INTERREG, que “proporciona ferramentas” que permitirão aos cidadãos intervir e participar no planeamento da cidade.
Recordou que no âmbito do Projecto “Península Digital” foram criados no concelho do Barreiro acessos gratuitos à Internet.
Salientou que, actualmente, já é possível o munícipe “olhar para dentro dos serviços da Câmara” para saber como está o seu processo.
Joaquim Matias, CDU, referiu que “a nossa principal preocupação na disponibilidade de informação, está ligada à participação” de forma a que existam “cidadãos mais conscientes”.
Referiu que a CDU vai retomar o Programa “Moinho de Bites” que visa a “introdução da informática no ensino Básico” um programa que salientou foi parado.
Acrescentou que considera essencial promover a “alfabetização informática” uma iniciativa que deverá ser dinamizada com o Movimento Associativo.
Considerou essencial promover a “modernização dos serviços, por objectivos e de forma qualificada.
Humberto Candeias, BE, salientou que “mais que o colorido das novas tecnologias o importante é estimular o seu uso”, para que exista interactividade.
Na sua opinião há modernizações que são conservadoras porque “não servem os cidadãos”.
Na sua opinião está a nascer uma nova geração – a “geração clic, da Internet” ficando para trás a “geração zap, da televisão”.
Miguel Amado, PSD, sublinhou que a “transparência o PSD exige há muito tempo” e recordou que a Internet “pode permitir a participação dos cidadãos em todos os processos”.
Referiu que a próxima revisão do PDM pode ser um momento para dinamizar a participação dos cidadãos.
Perspectivou a necessidade de ser desenvolvido um ”Arquivo Digital” que os cidadãos possam utilizar.
“A informação antigamente era poder, hoje é direito dos cidadãos” – salientou.
Sublinhou a importância de se alargar no concelho o número de pontos de acesso livre á Internet.

Requalificar o centro do Barreiro

Nuno Esteves, colocou para debate o problema da desertificação do centro da cidade.
Joaquim Matias, CDU, sublinhou que “o nosso compromisso passa pela revitalização do centro, revitalizarmos o comércio, com programas com os comerciantes” e para tal considerou que é essencial promover no Barreiro “emprego sustentado, aumentando o número de pessoas que trabalham no Barreiro”.
Considerou essencial a criação de Programas de Animação Cultural e recordou que existem recursos locais que podem ser utilizados, como a Escola de Jazz que a Câmara criou, por fim, defendeu a criação da “Escola de Técnicos Profissionais de Artes Formativas”.
Humberto Candeias, BE, começou por perguntar : “Porque está assim?”. Respondeu – “Porque não foi considerado prioridade, de há muito tempo.”
Sublinhou que é fundamental “diversificar a oferta quer comercial, quer cultural”.
“È preciso estimular as forças que na terra têm interesses culturais, que podem ter oferta culturais” – salientou.
Considerou igualmente importante a melhoria da mobilidade dentro da cidade, afirmando que “o Barreiro não é uma cidade acesível”.
Recordou, ainda, o que rotulou de “promessa de reconstrução do 22 de Novembro”.
Miguel Amado, PSD, referiu que “o Barreiro no seu centro não tem lugares para estar” e a “desertificação do centro não é de hoje”, resulta também da perda de emprego.
Recordou que faltou o apoio a colectividades e a burocracia que se arrasta – “quanto tempo demora para se abrir um café no Barreiro?”
Sobre a Quimiparque sublinhou que não deve ser “só uma zona nova urbana, mas também o seu Parque Empresarial”.
Considerou que promover a cultura na cidade “não é circo” mas sim promover espaços culturais.
Por fim considerou que “o nosso património cultural não tem sido valorizado”.
Luís Pedro Cerqueira, PS, considerou que “revitalizar o centro do Barreiro” significa “criar um novo centro” apostando em nova área para expandir.
Considerou que o centro do Barreiro deve tornar-se atractivo de forma a que “traga pessoas de fora do Barreiro”.
Neste contexto, referiu que o “Projecto das Cordoarias” é um projecto que pode galvanizar o comércio local, qualificar o espaço público – “é preciso pegar neste projecto e dar-lhe dimensão”.

O debate prolongou-se, pela noite dentro, sendo abordados muitos outros temas sobre aspectos de segurança da cidade, a importância da investigação e referências históricas do concelho do Barreiro, as relações escola – autarquias, culminando com a importância de se estimular a participação dos cidadãos na vida da cidade.

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