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Perspectivas

BARREIRO ROCKS 2005A CONFIRMAÇÃO DA GUITARRA ALADA

O mais pujante festival de garage rock da Península Ibérica.

Nesta sua terceira edição, o Festival Barreiro Rocks confirma o que sempre foi referido na imprensa, e noutros meios alternativos, um pouco por toda a Europa. Estamos perante o mais pujante festival de garage rock da Península Ibérica.

4 min de leitura
BARREIRO ROCKS 2005 A CONFIRMAÇÃO DA GUITARRA ALADA

Por Jornal Rostos

A primeira noite descolou com descoberta e reverência. Los Chicos, The Hells e Black Lips deram-se a conhecer entregando-se no palco barreirense com uma alegria esfusiante. Billy Childish o grande senhor do punk de 70, imutável na sua postura perante a musica que produz, leia-se sem concessões à mediocridade.

A frenética banda madrilena

Com o eco dos sinos da Igreja de Nossa Senhora do Rosário a dissiparem-se no ar, tempo para os acordes dos Los Chicos a frenética banda madrilena - cocktail de influências garage-punk-glam - escolhida, e bem, para inicio da noite. Com dois álbuns gravados para a H-Records, “Shakin`and Prayin” e “Fat Spark” os Los Chicos são uma fenomenal celebração de rock n`roll.
Após o aquecimento dos madrilenos Los Chicos, tempo de receber os londrinos The Hells, a banda da espanhola Ippy e do americano Kevin, agendados em tempos para o cancelado Festival do Dragão e agora felizmente integrados no cartaz do Barreiro Rocks.
Com um EP de apresentação “The Hells”, gravado para a Artrocker, os The Hells iniciaram-se com uma actuação contida, tendo terminado com um público rendido. A pose cool e a permanente comunicação de Ippy com o público, o duelo permanente de guitarras entre Ippy e Kevin, fizeram com que após os primeiros temas o público estivesse completamente rendido aos seus encantos.

O palco torna-se o centro do universo

E assim subitamente, à terceira actuação da noite, um daqueles momentos que nos mostra inequivocamente que estamos a participar numa noite muito especial, falo, como é óbvio, dos Black Lips. Os rapazes de Atlanta, recentemente chegados, percebe-se bem porquê, à editora In The Red Records para gravar o seu ultimo álbum, contam já com dois álbuns gravados para a Bomp Records, “The Black Lips” de 2003 e “We Did Not Know The Forest Spirit Made The Flowers Grow” de 2004.
Ao vivo os The Black Lips são um fascinante remoinho de que não conseguimos manter-nos afastados. O palco torna-se o centro do universo, um imenso buraco negro ao serviço de Cole Alexander o vocalista e guitarrista. Os The Black Lips são faúlhas sónicas brilhando no apagado e desinteressante panorama musical.

A lenda do punk

Interessante, no entanto, foi verificar a transição dos The Black Lips para a actuação de Billy Childish & The Buff Medways. Os jovens Black Lips, o mais velho não terá mais de 22 anos, cederam o palco barreirense à lenda do punk, que em 77 se iniciou com os The Pop Rivets. Billy Childish tomou o palco de assalto com os seus The Buff Medways, vestidos com uniformes em caqui e chapéus coloniais do exército inglês de finais do sec. XIX, e não mais deu tréguas. Em comum com os The Black Lips, a mesma centelha de energia, a mesma forma de sentir a urgência da intervenção e do desassossego – o mesmo que apoquentou Pessoa –.

Um cartaz com qualidade

Billy Childish encerrou o primeiro dia de um cartaz com uma qualidade que, ainda hoje com a profusão de festivais, não é frequente encontrar em Portugal. Ao ROSTOS vários dos músicos intervenientes, neste dia e naquele que será o de encerramento, disseram-nos isso mesmo, repetidas vezes. Em conversa com o ROSTOS, Max Décharné vocalista e guitarrista dos The Flaming Stars, banda responsável pelo encerramento do festival, confidenciou que já tinha visto bastantes concertos de Billy Childish, inclusive tinha actuado com ele no Japão, no entanto nunca o tinha visto actuar de uma forma tão solta e brilhante como no Barreiro.
A guitarra alada prossegue o seu voo a caminho do dia de encerramento, para já God Save Billy Childish, o rei vitoriano que abandonou o palco barreirense em continência.

Luís Alcântara

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