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Perspectivas

BARREIRO ROCKS 2005DESPEDE-SE COM ESTRELAS ARDENTES

O Festival Barreiro Rocks encerrou, na noite do passado dia 8 de Outubro, com os britânicos The Flaming Stars. Para trás ficaram dois dias em que o Barreiro tomou o seu merecido lugar na constelação de cidades dedicadas ao Rock n` Roll.

4 min de leitura
BARREIRO ROCKS 2005 DESPEDE-SE COM ESTRELAS ARDENTES

Por Jornal Rostos

Para trás ficam também alguns infelizes percalços, alheios à Hey Pachuco Records, a merecerem melhor atenção, em edições futuras, por parte do responsável do pelouro da cultura. Referimo-nos como é óbvio à incómoda situação, na última noite, provocada pela cerimónia religiosa marcada para a mesma noite e na mesma hora do início do festival. Obviamente que a situação se verificou incómoda para ambas as partes, obrigando a alterar o inicio do festival em cerca de duas horas. Valeu o entendimento entre as partes que, mesmo assim, não impediu que alguns fiéis se acercassem do recinto manifestando a sua indignação pelo que se estava a passar.
Infelizmente esta ocorrência não foi única, também o cancelamento à última hora da exposição “Altas Luzes”, da fotógrafa do Jornal Blitz Rita Carmo, veio demonstrar a subalternização que o responsável pelo pelouro da cultura sempre atribuiu a este tipo de actividades que, também elas, catapultam no bom sentido o Barreiro para a ribalta.

Exposição cancelada

Rita Carmo viu assim a sua exposição, baseada no seu livro lançado em 2003, cancelada no Barreiro, após estar agendada há meses e constar inclusive nos cartazes do festival e no site oficial da CMB, uma vez que a galeria municipal ficou indisponível dias antes do início do evento.
Problemas à parte, o ultimo dia foi mais uma vez extraordinário em termos de cartaz. A iniciar a ultima noite, os franceses The Magnetix, um poderoso duo constituído por Looch Vibrato, na guitarra e voz, e Aggy Sonora, na bateria. A banda de Bordéus destila um Rock primitivo, fortemente influenciado por bandas como os The Gories e os Mummies, assente na batida hipnótica de Aggy e nos esgares acelerados de Looch. Tendo iniciado a sua acção em 98, os The Magnetix gravaram o seu primeiro álbum “Magnetic Reaction” para a Flame On Records em 2002, e o 10" “Flash” gravado para a editora Yakisakana Records em 2003.

Um dos pontos altos

Em seguida um dos pontos altos da noite, de Newcastle para o Barreiro os muito aguardados The Coyote Men.
Com um visual absolutamente fantástico, todos usam máscaras de lutador mexicano, os The Coyote Men incendiaram, literalmente, o público. Com cinco álbuns gravados e com o seu trabalho inserido em diversas compilações, os The Coyote Men foram um dos pontos altos do festival. Abandonaram o palco para uns The DT`s de sonoridade mais Hard n`Soul, mas nem por isso menos frenéticos. A vocalista Diana Young-Blanchard, detentora de um registo vocal próximo de Janis Joplin, entrou em palco como uma locomotiva, deixando o público de olhos fixos no palco, absorvido pelo vortex produzido pelos seus fabulosos calções psicadélicos.
Iniciando a sua digressão europeia no Barreiro, os The DT`s, banda de Seattle, apresentaram no Barreiro o seu álbum “Hard Fixed”, gravado para a Estrus Records em 2004. Da banda fazem ainda parte, para além de Diana Young-Blanchard (ex-Madame X), o guitarrista Dave Crider (ex-Mono Men e ex-Watts), o baterista Phil Carter e o multi-instrumentista Scott Greene.

A última noite

A expressão – depois da tempestade vem a bonança – não poderia estar mais errada nesta ultima noite de festival. Depois da energia brutal dos The DT`s nada mais errado que esperar a bonança dos The Flaming Stars.
A banda inglesa, formada em 94, conta com cinco álbuns de originais e perto de duas dezenas de singles e EP`s gravados, entre eles as seis sessões gravadas para John Peel, um admirador dos The Flaming Stars.
Com um gosto musical a toda a prova, os The Flaming Stars misturam tudo o que de bom existe na música alternativa, de Tom Waits ou Nick Cave ao Western Spaghetti. Max Décharné, voz e teclas, passa de punk a crooner empunhando maracas, nas teclas ecos dos 80s. À sua volta, Joe Whitney na bateria, Huck Whitney na guitarra, Paul Dempsey no baixo e o extraordinário Mark Hosking na guitarra.
A guitarra alada a consumir-se na ultima noite – qual Fénix – ás mãos das estrelas ardentes. Assim a guitarra renasça das cinzas – qual Fénix – em 2006, para mais uma edição do melhor festival de Garage Rock da Península Ibérica.

Luís Alcântara

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