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Perspectivas

No BarreiroBIG RIVER JOHNSON MEMORÁVEIS NO ESPAÇO B

Antecedendo o Festival Barreiro Rocks, o Espaço B voltou a abrir as suas portas para acolher os arautos do Garage Rock, encarregues de espalhar a boa nova.

3 min de leitura
No Barreiro BIG RIVER JOHNSON MEMORÁVEIS NO ESPAÇO B

Por Jornal Rostos

Por lá passaram os espanhóis, de Málaga, Jesus Racer Rock n`Roll Trio, o mais endiabrado trio de dois a pisar um palco, os barreirenses Los Santeros actuando em casa, mais propriamente na sua sala de visitas, e os saudosos The Ballyhoos que há já algum tempo não se apresentavam ao vivo e que em vésperas de festival cerraram fileiras com as bandas com quem partilham afinidades, contribuindo para a atraente mescla de sons que antecipou o festival.
O Espaço B, fruto destas iniciativas, saiu assim do estado comatoso a que foi votado desde o seu encerramento, em Outubro de 2004. Em boa hora reabriu, uma vez que cenário melhor não existiria para o incontornável concerto a que o ROSTOS pôde assistir no passado dia 4.
Falamos dessa outra banda barreirense que, apesar de ter passado pelo palco da Festa do Avante nesta ultima edição, tem andado infelizmente afastada dos palcos locais. Admirável público, uma grande salva de palmas para os Big River Johnson.

Espaço Bem preenchido

Com o Espaço B bem preenchido de público, a fazer lembrar as saudosas noites do seu início. A banda de Fast Eddie Nelson, guitarra e voz, iniciou uma actuação marcada pelo espírito dos Blues. Como um médium, evocando ecos ancestrais que transcendem a cor ou a origem geográfica, Fast Eddie Nelson conduziu os seus Big River Johnson pelo imaginário dos campos de algodão, pelo silvo do comboio a desaparecer na planície, pela urgência que todos os homens sentem em continuar sempre em frente, rumo a um lugar melhor. Independentemente da sua origem, desde o delta do Mississipi, no meio rural do sul dos Estados Unidos, passando pelas salas citadinas de Chicago ou por qualquer cidade europeia, os Blues são acima de tudo uma celebração, uma comunhão de sentimentos partilhada por músicos e público. No Espaço B, músicos e público estiveram em comunhão perfeita. Fast Eddie Nelson, o perfeito mestre-de-cerimónias, um voodoo priest saído das profundezas do bayou. A seu lado Nick Nicotine, na guitarra, o suporte perfeito. Cajó, no baixo, o sopro possante de Crazy Selmer, no saxofone e umas prodigiosas baquetas nas mãos de Pistol Pete.

Espaço B devolvido à vida

Pelas paredes do Espaço B, de novo devolvido à vida, desfilaram as sombras de Willie Dixon, Elmore James e um “Louie Louie” de estremecer o coração. Convidados também os houveram, Tó Bagorro a.k.a Cpt. Blues a evocar Elmore James num slide fabuloso, Clyde O. dos Vladivostok a interpretar uma explosiva versão de “Louie Louie” e com o palco do Espaço B há muito transformado em encruzilhada, tempo para a endiabrada prestação de El Pavoni, da banda lisboeta Dêsso Blues Gang.
O Espaço B a apresentar sinais de melhoras significativas, oxalá que o possamos voltar a ver de boa saúde. A receita, não é difícil de prescrever, passa por muitas vitaminas da marca dos Big River Johnson.

Luís Alcântara

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