“Opções Participadas” – Stº António da CharnecaQuinta da Mina é um problema complexo e gravíssimo

Por Jornal Rostos
Vicente Figueiras, Presidente da Junta de Freguesia de Santo António da Charneca, abriu os trabalhos da reunião com a população integrada no ciclo “Opções Participadas”, subordinadas ao tema – “Ouvir para decidir”, o autarca começou por referir que esta iniciativa se insere na metodologia de trabalho que foi apresentada ao eleitorado.
Saliente-se que, nesta sessão, pela primeira vez, a mesa que coordenou os trabalhos, contou com a presença de Regina Janeiro, Vereadora da Educação, Cultura e Assuntos Sociais, Bruno Vitorino, Vereador do Ambiente e Reabilitação Urbana, para além das habituais presenças, de Joaquim Matias, Vice Presidente da Câmara e Carlos Humberto Carvalho, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
Uma construção participada
Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, tal como em reuniões anteriores, referiu que esta iniciativa tem como finalidade dialogar e “encontrar caminhos para resolver os problemas”, de acordo com as “condições que, quer a Câmara, quer a Junta, tenham para resolver os problemas”.
O autarca salientou que pretende no “concelho do Barreiro, em cada uma das freguesias”, que a procura de soluções “seja uma construção participada por todos, aqueles que queiram participar” e que a autarquia pretende “incentivar a participar”.
Ouvir as opiniões para encontrar soluções
O Presidente da Câmara Municipal do Barreiro que estando a ser preparado o Plano e o Orçamento de 2006, para preparar esse documento, considerou-se essencial, “conversar em cada uma das freguesias” e “recolher opiniões”, porque, na sua opinião, “antes da Câmara se pronunciar sobre o Orçamento”, é necessário “ouvir as opiniões, para as termos em conta”, de forma a serem conhecidas as necessidades e os problemas.
O autarca salientou que a capacidade de resolver os problemas é sempre menor que a quantidade de problemas que existem para resolver, quer por dificuldades técnicas, humanas ou financeiras, mas, expressou a sua confiança que “passo a passo vamos resolver os problemas” embora com a consciência que “cada problema resolvido”, naturalmente, “novos problemas surgirão”.
Situação financeira do município não é fácil
Carlos Humberto referiu que, tal como no país, no concelho há “condicionalismos” nomeadamente “razões de ordem financeira”.
“Estamos a fazer uma avaliação da situação da Câmara Municipal do Barreiro e sabemos que a situação financeira do município não é fácil” – salientou.
Neste contexto, acrescentou que para se elaborar o Plano de Actividades e Orçamento de 2006 – “temos que ter em conta a situação financeira”, assim deu alguns números como exemplo, “para perceberem a dimensão do problema”, sublinhando a divida à ADSE de 900 mil euros – “uma divida com 3 anos” – a divida à AMARSUL, de 400 mil euros, a divida a fornecedores na ordem dos 2 milhões de euros, e a divida de obras e empreitadas de 4 milhões de euros, acrescentando – “daqui a alguns dias falaremos melhor desta situação, porque estaremos em condições de dar uma informação sustentada”, apontando como meta, para prestar esclarecimentos, a reunião da Assembleia Municipal do Barreiro, agendada para o dia 21 de Novembro.
O Presidente da Câmara Municipal do Barreiro considerou que era importante “dar este sinal para que se perceba melhor a situação de partida” para a elaboração do Plano e Orçamento de 2006.
As barracas na Quinta da Mina
José Gonçalves, morador na Urbanização da Quinta da Mina, referiu que “gostaria da erradicação das barracas existentes”, criticou a inexistência de zonas verdes e a falta de rega das árvores, comentou a situação dos esgotos do “prédio dos espanhóis”, apelou à recolha de canídeos, e, a finalizar alertou que na área do PER – “há situações que deveria, ser controladas”.
Vala Hidráulica “urbanizada”
Etelvina, recordou que comprou um terreno há 40 anos, na Quinta dos Catarinos, junto do qual existe uma “Vala Hidráulica” que neste momento está a ser utilizada pelos compradores dos lotes adjacentes, na sua opinião foi – “vendido o terreno da vala”.
Comentou, igualmente, o deficiente abastecimento de água, pois a água sai das torneiras com areia – “temos que tomar banho com areia, o melhor é ir à praia”.
Joaquim Matias, Vice Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, salientou que registou a informação e “vou ver o processo e vai ter resposta”.
Sobre a qualidade da água, sublinhou que “o Barreiro tem uma boa tradição e um bom serviço de abastecimento de água de qualidade”, no entanto, como “não houve investimento” e surgiram problemas com o furo de Coina “que sofreu contaminação de hidrocarbonetos”, sabe que “há zonas onde há falta de água” pelo que, sublinhou, “são necessários investimentos”.
Degradação na Cidade Sol
Olavo Cardoso, referiu que naquela urbanização há “coisas envelhecidas que são problemas reais” que dão origem a problemas e causam insegurança, nomeadamente os passeios.
Salientou que não há mais problemas porque há moradores que resolvem as situações nas frentes dos seus prédios.
Considerou que há espaços abandonados que poderiam ser pensados para criar zonas de lazer e destinadas a actividades parta os jovens, mas são utilizadas para estacionamento de camiões.
Joaquim Matias, referiu que este problema do estacionamento dos camiões – “é um problema sentido “em todas as zonas urbanas do concelho. Não sabemos como resolver”.
Vala aberta na Penalva
Júlio Fernandes, morador da Penalva, alertou para a existência de uma Vala “aberta para as águas pluviais” que é “uma situação perigosa”.
Vicente Figueiras, Presidente da Junta de santo António da Charneca, salientou que já contactou a Vereadora Sofia Martins, via fax, alertando para a situação de valetas e sarjetas que estão entupidas.
AUGI 16 – “está ao desprezo”
Óscar Dias, residente no Vale do Trabuco, referiu a falta de pagamento, por parte da Câmara Municipal do Barreiro, das verbas relativas ao retorno das obras de regularização da AUGI – “sobejaram 11 mil contos” e apenas pretenderam entregar “5900 euros”.
Referiu que a AUGI nº 6, apesar de legalizada e ser um espaço urbano, nunca foi objecto de limpeza – “estamos dados ao desprezo”.
Por fim, referiu a situação da doação do terreno ao Centro Social de Santo António – “não houve a delicadeza de por o terreno em nome do Centro”, uma associação criada em 1990, com mais de 500 associados.
Joaquim Matias, salientou que pediu aos serviços “um Relatório pormenorizado sobre as situações de todas as AUGI’s” porque há situações muito diferenciadas – “Há quem pagasse e não tem infraestruturas, há quem devia ter dinheiro de volta e não o recebeu”, mas acrescentou que a “Câmara Municipal é uma pessoa de bem” e tudo se resolverá.
Acrescentou que uma zona AUGI, logo que devidamente urbanizada, é uma área legal e deverá ter o mesmo tratamento que qualquer outra área urbana, em limpeza e em tudo é igual.
Competências de Espaços Verdes
Carlos Duarte, Presidente da Direcção do Jardim de Infância “Os Regulas”, residente na freguesia de Santo António da Charneca, questionou se a situação financeira da autarquia vai colocar em causa a capacidade de investimento do município.
Considerou que é necessário proceder-se à definição de competências, entre a Câmara e a Junta de Freguesia, sobre o tratamento dos espaços verdes.
Sublinhou “a excelente ideia de promover esta iniciativa de Opções Participadas”.
O Presidente da Câmara, referiu a situação financeira da autarquia, sublinhando – “estamos preocupados”, até porque, “a capacidade de endividamento da Câmara está esgotada”.
Sede do Penalvense
Mauro, da Direcção do Grupo Recreativo União Penalvense, recordou que é “uma luta de quatro ano” com a finalidade de se construir “a nova sede social”, pelo que apelou ao apoio da Câmara Municipal do Barreiro, na concretização deste projecto.
A Vereadora Regina Janeiro, informou que em breve irá marcar uma reunião com a Direcção do clube da Penalva.
Saneamento na Penalva
Manuel Pereira, morador na Penalva, expressou a sua preocupação sobre o saneamento básico naquela localidade.
Problemas do PER
Joaquim Jorge, também morador da Penalva, saudou a iniciativa e sublinhou que “estamos conscientes que esta é a maior freguesia do concelho”, e, na sua intervenção apontou algumas situações que considera necessárias solucionar – o Centro de Saúde de Santo António da Charneca; os problemas resultantes do PER, na Cidade Sol; a situação das AUGI’s e a criação de carreiras de autocarros que permitam que a população tenha acesso aos comboios da FERTAGUS.
A finalizar sublinhou que a limpeza de algumas áreas da freguesia “urge e é necessária”, nomeadamente na Estrada 510, porque são situações que, com as chuvas, provocam inundações.
Ainda sobre o problema das AUGI’s Joaquim Matias, referiu que é “indispensável que haja associações de moradores para resolver este problema”.
Vicente Figueiras, a propósito do acesso de transportes aos comboios da FERTAGUS referiu que a população sente-se defraudada.
A Vereadora Regina Janeiro, sublinhou que conhece e está a acompanhar o problema das casa ocupadas ilegalmente no PER e informou que o Centro de Saúde está contemplado em PIDDAC – “acredito que seja uma realidade”.
Carlos Humberto, recordou que o Centro de Saúde de Santo António está contemplado em PIDDAC com 533 mil euros – “esta é uma competência da Administração Central que nós iremos acompanhar”.
Esgotos na Vila Chã
Joaquim Roxa, morador na Vila Chã, referiu que é necessário o “investimento nos esgotos”, porque em dias de chuva, na Rua dos Eucaliptos, “é necessário alugar um barco”.
Joaquim Matias, sublinhou que a situação dos esgotos da Vila “é uma preocupação”.
Cargas e descargas na E510
Luís Palma, comerciante da Vila Chã, pediu um esforço no sentido de serem criados espaços, na Estrada 510, que permitam aos comerciantes da zona efectuar cargas e descargas.
O Orçamento não chegava para Stº António
Carlos Humberto, referiu que os problemas colocados são “uma pálida ideia” da “dimensão dos problemas” que existem por solucionar.
“Todo o Orçamento Municipal se fosse para a freguesia de Santo António da Charneca não chegava para resolver todos os problemas que existem” – salientou.
Mas, acrescentou o autarca que, se os problemas existem têm que ser resolvidos, pelo que considerou necessário “definir prioridades” e “resolver os mais urgentes”.
“Não vale a pena dizer que vamos resolver tudo, não queremos enganar as pessoas, o que nós queremos é trabalhar para melhorar a qualidade de vida das pessoas.” – acrescentou o edil.
Na sua opinião é necessário equilibrar entre a boa vontade, a seriedade e a capacidade de resolver as situações.
Quinta da Mina situação difícil
O Presidente da Câmara Municipal do Barreiro referiu com alguma preocupação o problema da Quinta da Mina- Cidade Sol.
Na sua opinião este “é um problema complexo e difícil” e “não tem solução fácil”.
O autarca sublinhou que não pretendia fazer promessas, até porque o problema “não tem solução imediata”, no entanto, acrescentou “a última coisa que farei é cruzar os braços”, pelo que referiu tudo será feito na “procura de soluções” tendo em vista “resolver este gravíssimo problema”.
“Promessas demagógicas não faremos” – afirmou.
A encerrar a sessão o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro reafirmou o empenho em trabalhar na procura da resolução dos problemas.
“Queremos vencer as dificuldades. As dificuldades não nos limitam. O nosso inimigo são os problemas” – sublinhou o autarca.













