Associação de Automóveis Antigos homenageia Anita Guerreiro
Por Jornal Rostos
A ideia terá surgido de um dos fãs da fadista que quis assim levá-la também a conhecer esta associação.
Recordar é viver
Perto de setenta veículos reuniram-se no parque de estacionamento da Makro, em Palmela, para que todos os participantes se pudessem reconfortar com um pequeno-almoço e uma sopa quente.
Aqui, o Rostos aproveitou para falar com um dos decanos destas lides, o Sr. António, como é conhecido por todos, e que com os seus 93 anos não deixa a ninguém os créditos de conduzir o seu Fiat Multipla, companheiro de muitas jornadas desde 1956.
“Gosto muito destes encontros, do convívio e já realizei mesmo algumas viagens pela Europa, sempre a conduzir o meu Fiat. O que me atrai a estes eventos é, além dos passeios, a confraternização e a amizade que existe entre todos”. Mais palavras para quê?
Todos os que se deslocaram às suas compras naquele estabelecimento puderam apreciar alguns dos mais belos exemplares de veículos motorizados, e não apenas de quatro rodas, a lembrar os tempos idos que para muitos ainda são saudosos e recordados com carinho.
De seguida, a viagem decorreu até à Atalaia, Montijo e a meio da manhã os viajantes foram recebidos na Junta de Freguesia de Santo Isidro, em Pegões.
Lá os esperava a fadista Anita Guerreiro, que se mostrou muito emocionada com esta homenagem.
Seguiu-se um almoço em Frias, e aqui não foram apenas os ruídos de motores que se ouviram, mas também o fado, bem à portuguesa e para melhor fazer a digestão, a tarde continuou com uma manifestação automóvel à antiga.
“Os Amigos das Passarinhas”
Pelo caminho, não sabemos se estes veículos clássicos se cruzaram ou não com outro desfile, mas este em veículos de duas rodas.
É que o grupo Motard “Os Amigos das Passarinhas”, da região das Passarinhas – Poceirão – Palmela, realizou na zona de Pegões e freguesias limítrofes, um desfile de pais natais motards, juntando os fãs destes veículos num passeio muito peculiar e também com o intuito de entregar brinquedos e alimentos a seis famílias carenciadas de S. Isidro de Pegões.
Anita Guerreiro
Longe vão os tempos em que Anita Guerreiro cantava à janela da sua casa na Avenida Almirante Reis, ali para os lados da Portugália. Diz quem a conheceu que este era um dos seus passatempos favoritos, sendo também um pouco namoriscadeira.
Nascida Bebiana, em homenagem a uma prima que morreu muito jovem, a 13 de Novembro de 1936, em Lisboa, começou a cantar em 8 de Dezembro de 1952, com apenas 16 anos de idade, quando se apresentou, já costureira, mas acima de tudo fadista, no Teatro Politeama para o Programa «Tribunal do Fado, onde surpreendeu o apresentador Marcos Vidal e o maestro Miguel de Oliveira, e saiu de lá com um contrato na mão e um novo nome - Anita Guerreiro.
Em 2004 recebeu a Medalha Municipal de Mérito, grau ouro, pela Câmara Municipal de Lisboa, mas antes já tinha uma longa lista de reconhecimentos, como o Prémio Estevão Amarante para a melhor artista de revista e em África foi-lhe atribuída a guitarra de ouro, dois prémios de interpretação e o primeiro prémio de fado no Festival da Canção de Luanda. Nos EUA foi premiada em 1987 e 88, em Fall River, com dois Óscares de popularidade. Participou ainda em várias séries televisivas e foi madrinha de diversas marchas de Lisboa.
Agora, para além da sua personagem como «avó Batanete», há catorze anos que Anita Guerreiro canta o fado no restaurante, o Faia, no Bairro Alto.
Maria do Carmo Torres













