No BarreiroCentro de Documentação da Quimiparque mostra o passado

Por Jornal Rostos
Onde outrora laborou a antiga Central Diesel, um edifício construído em 1935, e recuperado em 1999, funciona actualmente o Museu Industrial, inaugurado no ano de 2004, aquando do 15º aniversário da Quimiparque.
Hoje foi inaugurado o Centro de Documentação, Biblioteca e instalações conexas do Museu Industrial, que apenas ficou operacional um ano após a inauguração do Museu, conforme referiu ao Rostos Luís Tavares, administrador da Quimiparque.
“Quando fizemos a inauguração formal do Museu há um ano atrás, referimos logo na altura que ele ainda não estava completo, porque faltava a parte superior que corresponde ao arquivo documental, à secção administrativa e que contava ainda com algumas salas que possuíam peças que não podíamos ter no andar térreo.
Completamos essa mostra hoje e o edifício está completo como museu. O que falta ainda, e que terá lugar no próximo ano, é arranjarmos armazéns mais simples, onde guardaremos as restantes peças que não estão em exposição agora, e que de quando em quando serão alternadas com as que aqui estão.”
Museu Industrial
O Centro de Documentação abrange um vasto espólio de fotografias e documentos relacionados com a empresa e os seus trabalhadores, como relatórios, diplomas, jornais, projectos, normas internas, etc. Por sua vez, a Biblioteca conta com centenas de livros, alguns bem antigos, na sua maioria edições técnicas.
As velhas máquinas de escritório, relógios e carimbos também encontraram o seu espaço em algumas salas no piso superior.
E para que a experiência da visita seja completa, um sistema de som reproduz os sons característicos de um unidade fabril, através de uma instalação realizada pela Realizasom, que reproduz os sons do material a chegar ao porto, o processo de fiação da juta e respectiva tecelagem para construção dos sacos e motor diesel M.A.N, adquirido em 1944.
Na Quimiparque, a Câmara Municipal do Barreiro expõe permanentemente ao público o acervo de Reservas Museológicas Visitáveis, além de contar também com a Casa-Museu Alfredo da Silva
Herança histórica
O dia 20 de Dezembro comemora também o 16º aniversário da Quimiparque, a entidade responsável pela criação e manutenção do espaço museológico, conforme referiu Luís Tavares: “Achamos que é muito importante criar este espaço, e por isso temos dedicado muita atenção ao museu, porque devemos recordar que em 2007 farão cem anos que se iniciou a indústria no Barreiro. Esta é uma das zonas industriais mais antigas de Portugal e da península, e por isso tem um património e um passado muito grande.
Nós somos os seus herdeiros e temos obrigação de o manter e dar a conhecer, dentro das nossas possibilidades.
Ainda não temos capacidade para ter uma abertura permanente, porque a nossa função como empresa não é gerir um museu. Temos pedido que nos autorizem a constituir uma Fundação, que seria a entidade própria para gerir um património desta dimensão e aquilo que já conseguimos concretizar até agora. Nessa fundação estariam também representadas outras entidades, nomeadamente a autarquia, e enquanto isso não acontece, vamos abrindo a pedido e já temos proporcionado muitas visitas, através de contactos prévios, mas estamos sempre disponíveis.”
A história do Barreiro
Presente na ocasião, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, não deixou de desejar as maiores felicidades para o projecto, e sublinhar a sua importância para o Barreiro.
Ao Rostos, Carlos Humberto referiu que “este é um evento importante para o Barreiro, uma vez que a CUF, a Quimigal e agora a Quimiparque marcaram a história do desenvolvimento do Barreiro. Trata-se de um Centro de Documentação que permite aos mais novos, que não contactaram com esta realidade e esta vivência, reencontrarem-na através dos livros e da documentação. Desse ponto de vista, a história da nossa terra é sempre um ponto importante de reflexão, até para a construção do futuro do concelho do Barreiro e este território da Quimiparque, que marcou todo o século XX, pode vir a marcar o desenvolvimento do Barreiro no século XXI.”
Maria do Carmo Torres













