Saltar para o conteúdo
Perspectivas

Estudo Urbano para o centro do BarreiroFórum Barreiro “poder sugar a vida do centro da cidade e por isso temos de ter cuidado”

Vai ainda ser elaborado um estudo específico de tráfego, acessibilidades, circulação e mobilidade que irá possibilitar uma avaliação da realidade actual nesta zona, a que irá ser acrescido o tráfego adicional quando estiver concluído o Fórum Barreiro, na zona das Cordoarias.

7 min de leitura
Estudo Urbano para o centro do Barreiro Fórum Barreiro “poder sugar a vida do centro da cidade e por isso temos de ter cuidado”

Por Jornal Rostos

O centro do Barreiro vai ser alvo de uma intervenção de ordem urbanística. As áreas de intervenção que constam no Estudo Urbanístico “Alfredo da Silva / Norte” foram ontem apresentadas publicamente, no Auditório da Biblioteca Municipal.
Trata-se da reformulação de uma proposta que havia sido apresentado em 1993, e que, então, incluía o Mercado Municipal, a estátua da cidade e o Parque Catarina Eufémia.

Zona delimitada

A apresentação do Estudo esteve a cargo do arquitecto Ângelo Pinto, Chefe do Divisão de Planeamento.
As áreas abrangem toda a zona do Barreiro Velho até à Avenida Alfredo de Sousa, e vão ser delimitadas pelas Ruas Direita, Almirante Reis, Dr. Câmara Pestana. Miguel Pais e Miguel Bombarda, José Relvas, Rua da Creche e Professor Egas Moniz, Salvador Correia de Sá e Eça de Queiroz.
De fora deste rectângulo de intervenção ficam o Parque Catarina Eufémia, o Mercado Municipal e a Estátua de Alfredo da Silva, áreas para as quais se encontra a decorrer um concurso de ideias para renovação e que serão alvo de uma discussão pública para breve.
O estudo aponta ainda para a dinamização do comércio no centro da cidade, cujos eixos primários se articulam entre a Avenida Alfredo da Silva e a zona envolvente do Parque Catarina Eufémia.

Renovar ou reconstruir

As intervenções previstas estão contempladas no Plano Director Municipal do Barreiro, e o processo de reestruturação irá considerar a substituição de construções envelhecidas e degradadas, ampliação e a remodelação de edifícios existentes, como o antigo edifício dos Correios, o antigo Tribunal do Barreiro ou o edifício do Barreirense, podendo estes manter a anterior fachada.
Podem também ser construídos novos edifícios nos locais, mas estes não poderão exceder os oito andares de altura.
O vereador Joaquim Matias alertou para o perigo de a construção do Fórum Barreiro “poder sugar a vida do centro da cidade e por isso temos de ter cuidado. Na história do Barreiro já tivemos a prova que a passagem de outras zonas centrais para novos locais levou ao seu abandono. É para evitar esse tipo de situações que este estudo foi realizado”.
Dar a conhecer à população o que vai acontecer em determinado local é outro dos objectivos do estudo, conforme referiu o vereador: “o trânsito vai passar a ter novas exigências e novas construções vão surgir, e é preciso que a população esteja a par de tudo, bem como os proprietários dos espaços, que assim podem decidir o que podem construir e o valor do seu património”.

Migração para sul

“A pouco e pouco algumas das funções que fizeram desta área o centro de comércio e associativismo que conhecíamos, foram saindo daqui, sendo a tendência de deslocamento para sul” argumentou o arquitecto José Barbosa, Director do DPGU..
“O centro do Barreiro tem estado sujeito a mutações, o que é natural na vida de uma cidade, mas a preocupação ao intervier numa zona tem de ter em consideração que ela está rodeada por áreas com futuro, como a Quimiparque e a Alburrica, e há que equilibrar estas áreas, para que ocorra um desenvolvimento equilibrado. O estudo tem como objectivo dar transparência às decisões de gestão sobre este território, que não tem muita margem de manobra para criar novos espaços. No entanto é preciso não esquecermos que a cidade é das pessoas, e por isso a renovação urbana tem de olhar aos anseios da população.”

Circulação automóvel

Hoje em dia quase ninguém viaja sem o seu carro e o problema do estacionamento é grave, em especial nas cidades. Com esta renovação urbanística, o Barreiro tende a apresentar ainda mais faltas a este nível.
Para tal, o estudo prevê a construção de uma bolsa de estacionamento temporário (pago à hora) na Praceta Zamenhof, com uma área total de 7.600 m2 divididos em dois pisos subterrâneos, para receber cerca de 350 veículos, ao mesmo tempo que será elaborado um estudo paisagístico da praceta.
Além do estabelecimento de medidas de gestão de tráfego, estacionamento tarifado, e criação de bolsas de estacionamento em locais estratégicos, exteriores ou interiores da área em estudo.
Mas isto não é tudo. Para os peões vão ser criados atravessamentos, que promovem interligações entre vários pontos, como o eixo de ligação entre a praceta Zamenhof e o Barreiro Velho, a Rua do Futebol Clube Barreirense e a Rua Dr. Câmara Pestana, esta última que será encerrada ao trânsito automóvel, entre a Avenida Henrique Galvão e a Rua Eusébio Leão, para promover o movimento pedonal entre a cidade e o Parque.
E para que as ruas fiquem mais bonitas, prevê-se a arborização total, desde que o espaço o permita, nas ruas Miguel Pais, General Norton de Matos, S. João de Brito, Rua dos Ferroviários e Eusébio Leão.
Vai ainda ser elaborado um estudo específico de tráfego, acessibilidades, circulação e mobilidade que irá possibilitar uma avaliação da realidade actual nesta zona, a que irá ser acrescido o tráfego adicional quando estiver concluído o Fórum Barreiro, na zona das Cordoarias.

Questões públicas

O público presente colocou algumas questões, a maioria das quais se prendeu com o facto de o mercado municipal e o Parque Catarina Eufémia não se integrarem no estudo, sendo como são uma área envolvente do centro da cidade.
Outro ponto focado foi a falta de informação aos moradores sobre o estudo e sobre a acção que decorreu ontem e que levou a que a sala do auditório estivesse apenas semi-completa.
Também foi levantada a questão sobre se as propostas de sociedades de reabilitação urbana seriam reavaliadas, a que a mesa respondeu que esses modelos de gestão não se aplicavam a este estudo.

«Isto vai»

A terminar uma noite que já ia longa, Carlos Humberto, presidente da autarquia fez um balanço do estudo e deixou alguns comentários.
“Uma das minhas maiores preocupações tem a ver com a sustentabilidade económica da população do Barreiro, e está dependente do esforço de todos resolvermos este problema que o concelho atravessa. Mas temos também que ter em conta que estas alterações têm de ser naturais e não venham a criar os problemas que hoje se sentem de desertificação e marginalidade.
O que estamos a tentar fazer através deste estudo, é balizar o crescimento do Barreiro, mas não nos podemos desligar dos outros aspectos que referi.
É neste contexto que as decisões têm de ser tomadas e têm de vir a discussão pública a curto prazo, porque há que tomar decisões. E como não estamos a discutir um Plano de Urbanização ou de Pormenor, estaremos sempre em condições de alterar e rectificar as linhas que agora apresentámos. Por isso estamos abertos a todas as propostas e as decisões têm de ter em conta todas as alternativas. Mas isso pressupõe decisões de carácter económico e tal não vai ser fácil. No entanto, «isto vai, havemos de chegar ao fim da estrada» como dizia o poeta, mas sempre com decisões sustentadas e sérias.”

Visita à freguesia do Barreiro

Uma vez que a Sessão Pública de Câmara se realizou na freguesia do Barreiro, decorreu também durante o dia de ontem uma visita dos órgãos eleitos a esta zona, do Barreiro Velho, nomeadamente a passagem sobre a linha de comboio na Verderena, que Carlos Humberto referiu ao Rostos da Cidade “ser um problema que exige uma solução rápida e sobre o qual já temos efectuado contactos com a REFER”, a Rua Miguel Pais e a frente marítima “para apreciar um conjunto de problemas e Alburrica, “onde na próxima semana vão ter início as obras da APL para recuperação do moinho e da praia” e o Bairro das Palmeiras.
“Nestes locais tivemos oportunidade de dialogar com a população e tomar conhecimento de problemas já existentes e de outros que desconhecíamos” acrescentou Carlos Humberto.

Maria do Carmo Torres

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção