BarreiroÉ essencial a articulação entre Hospital e Centro de Saúde
. O Serviço de Radioterapia, no Hospital do Barreiro está a assumir uma dimensão ao nível da Península de Setúbal.
. Há uma carência fundamental no Barreiro de instituições que prestem Cuidados em Situação Terminal.
. Comissão Concelhia de Saúde há quatro anos que não funciona
“A Saúde no Barreiro, Situação Actual e Perspectivas Futuras”, foi o tema que animou o debate promovido pela Associação Clínica Frater, que decorreu no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, iniciativa que contribuiu para proporcionar um diagnóstico sobre os problemas que afectam o sector de Saúde no concelho do Barreiro

Por Jornal Rostos
Francisco Gouveia, Director do Centro de Saúde do Barreiro, referiu as reformas que estão em curso no sector dos Cuidados Primários de Saúde, com a criação das “Unidades de Saúde Familiar”.
Na sua opinião não se pode “perder a oportunidade para estar na linha da frente da reforma”, porque por esta reforma pode passar “a resolução dos problemas do Barreiro”.
As “Unidades de Saúde Familiar” vão reportar-se à Direcção do Centro de Saúde, mas “vão ter autonomia directa na sua organização” e serão “avaliadas pelos indicadores contratualizados” de acordo com objectivos.
Consultas todas informatizadas
Francisco Gouveia sublinhou que a reforma que está a ser desenvolvida via contribuir para “colocar nos Centros de Saúde uma cultura de avaliação”.
Entretanto divulgou que, dentro de duas semanas, nos Centros de Saúde as “consultas estão todas informatizadas” o que será essencial para o desenvolvimento de uma cultura de avaliação, porque tal só realizado com “um bom sistema de informação”.
Segundo Francisco Gouveia, os Centros de Saúde do Barreiro e Almada são “os mais evoluídos nesta reforma”.
Novo equipamento na Verderena
O responsável do Centro de Saúde do Barreiro defendeu a criação de “Unidades de Saúde” mais dispersas e de menor dimensão de forma a permitir um aumento de acessibilidade dos utentes.
Neste contexto considerou que o projecto do novo Centro de Saúde de Santo António da Charneca está “super dimensionado” à luz da reforma que se pretende desenvolver, pelo que defendeu e vai avançar a criação de uma Unidade de Saúde que terá no seu quadro 7 médicos e 7 enfermeiros.
Na sua opinião com a criação do Centro de Saúde de Santo António da Charneca, “metade dos utentes do Centro da Quinta da Lomba vão para Santo António”, e, desta forma, utentes do Alto do Seixalinho podem passar para a Quinta da Lomba.
“É necessário um novo equipamento na Verderena ou Alto do Seixalinho” – sublinhou Francisco Gouveia, tendo em vista por fim ao que classificou como o “cancro de equipamento de Saúde que temos no concelho do Barreiro” o Centro de Saúde da Avenida do Bocage.
Radioterapia dimensão na Península
Ana Abel, Directora Clínica do Hospital Nª Srª do Rosário, referiu as medidas que estão a ser implementadas na área Oncológica do Hospital do Barreiro que vão contribuir para que exista um “rigor maior na observação dos doentes”.
Salientou que o Serviço de Radioterapia está a assumir uma dimensão na Península de Setúbal, prestando “um serviço extremamente importante para vários Hospitais”.
Na sua intervenção, referiu que está em curso, no Hospital a “reorganização do serviço prestado” na Urgência.
Recursos Humanos grave problema do Hospital
Recordou que “há poucos recursos humanos” e que os médicos são de “idades avançadas”, esta uma das razões porque “os Recursos Humanos continuam a ser um dos graves problemas do Hospital”.
“As equipas têm cada vez menos médicos fixos e há recurso a tarefeiros” – salientou Ana Abel.
A Directora Clínica do Hospital do Barreiro referiu que estão a ser desenvolvidos todos os esforços para que no sentido de criar a “Cardiologia de Intervenção”, inserindo este objectivo na necessidade de serem implementadas e centralizadas especialidades nos três Hospitais da Península de Setúbal.
Na sua opinião é fundamental que o Hospital e Centros de Saúde desenvolvam “uma missão conjunta”.
Recordou, igualmente que no Hospital do Barreiro está a ser desenvolvido “um grande esforço na informatização”, de forma a melhorar o serviço que é prestado aos utentes e melhorar os contactos entre o Hospital e os Centros de Saúde.
22 mil utentes sem médico de família
Jorge Espírito Santo, deputado da Assembleia Municipal do Barreiro, referiu que actualmente o “direito à Saúde está posto em causa” porque a “Saúde para Todos” que deveria ser uma missão do Serviço Público, dando cobertura universal, “está neste momento em causa”.
Salientou que, de acordo com um estudo realizado em 2004, no concelho do Barreiro há uma “situação de estrangulamento nos Cuidados Primários” existindo 22 mil utentes sem médico de família.
Na sua opinião os serviços têm “encarado a Saúde mais como um negócio” e também a “excessiva partidarização dos cargos de Direcção” têm afectado que sejam resolvidos os problemas básicos.
Há deficit de conceptualização
Referiu as tentativas de empresarialização que “foi arrivista e falhou”, salientou que a preocupação não foi servir os utentes, dando como exemplo o crescimento das “listas de espera”.
Neste contexto criticou que se continue a “vender” a ideia que os “Serviços Públicos” são desorganizados, quando, na verdade, nas “Urgências” são resolvidos “problemas que os privados não podem ou não querem resolver”.
Jorge Espírito Santo, sublinhou que “há restrições financeiras” e “deficit de conceptualização que impede que as organizações progridam”.
“Os portugueses são os que mais pagam para a Saúde, ao nível da União Europeia” – referiu o Deputado Municipal.
Na sua intervenção defendeu que o Hospital do Barreiro e os Centros de Saúde “devem funcionar em rede”.
Na sua opinião, no Barreiro, “não podemos deixar que esvaziem o que temos, porque o que temos é bom”.
Carência de cuidados em situação terminal
Por outro lado considerou que “há uma carência fundamental no Barreiro, a existência de instituições que prestem cuidados em situação terminal”, seja ao nível de um Hospital de Retaguarda ou na implementação de “Cuidados Domiciliários”.
Referiu que um Hospital de Retaguarda “não é só dirigido a doentes terminais”, porque deve inserir-se numa acção de “recuperação de doentes com patologias que necessitam de um internamento maior ou doentes crónicos dependentes.
Jorge Espírito Santo, afirmou que na Península de Setúbal “são necessárias duas ou três instituições deste tipo”.
Mas, na sua opinião, para doentes nestas situações, a sua ligação á vida familiar seria essencial desde que às famílias fossem garantidos de forma organizada os “Cuidados Domiciliários”.
“O Hospital do Barreiro já teve, já foi melhor, mas houve um retrocesso”, na prestação de “Cuidados Domiciliários” – sublinhou.
Situações Sociais com dimensão preocupante
Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, recordou que o município “não tem competência na área da Saúde, não tem meios, não tem serviços, nem tem hábitos de intervenção nesta área”.
Salientou que no Barreiro do ponto de vista social há situações graves, com “dimensão significativa e preocupante”.
Fernando Fonseca, moderador do debate, Vice-Presidente da Associação Clínica Frater, recordou que no Barreiro “há ninhos de pobreza escondida, que não aparecem nas ruas, não se mostram, mas é preocupante.”
Ainda no âmbito das situações sociais foi referida pela Assistente Social Paulina que há no Barreiro situações de exclusão social – “cidadãos estrangeiros, ilegais, sem acessos aos Cuidados de Saúde”.
Defesa do Serviço Público
E, referiu que o combate de defesa do Serviço Público “também deve ser feito ao nível da área da Saúde”.
Recordou algumas iniciativas promovidas pela Câmara Municipal do Barreiro, como, as ementas dos Refeitório das escolas serem elaboradas em colaboração com o Delegado de Saúde, os projectos de formação desportiva nas Escolas do Ensino Básico e o Plano de Desenvolvimento Social do Concelho.
A finalizar recordou as acções de cooperação que vão ser desenvolvidas com a Associação FRATER e a disponibilidade da Câmara para debater e analisar matérias na área da Saúde.
Comissões Concelhias de Saúde
Helder Madeira, no período de debate, recordou que a legislação prevê a existência de Comissões Concelhias de Saúde, acrescentando que a Assembleia Municipal do Barreiro elegeu o seu representante em 2002, que “nunca foi chamado a uma única reunião”.
Na sua opinião o funcionamento desta Comissão poderia contribuir para a procura de soluções.
Francisco Gouveia recordou que a Comissão Concelhia de Saúde, quando funcionou “foi uma mais valia”.
Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, expressou a disponibilidade da autarquia no sentido de promover o funcionamento da Comissão Concelhia de Saúde, embora não seja da responsabilidade da autarquia.













