Bruno Vitorino – PSD Barreiro“Este é o orçamento possível, mas não é o orçamento do PSD”

Por Jornal Rostos
Bruno Vitorino, vereador do PSD, na autarquia do Barreiro, foi um dos membros do executivo da oposição que votou a favor das Grandes Opções do Plano e Orçamento para 2006. O “Rostos” foi conhecer melhor a posição do vereador sobre o assunto.
O voto a favor do PSD nas Grandes Opções do Plano e Orçamento para 2006 pode ter surpreendido alguns eleitores do partido.
Foi esta posição que levou Bruno Vitorino a realizar uma conferência de imprensa de forma a explicar o que espera deste Orçamento para 2006, e sobre a qual o Rostos conversou mais detalhadamente com o vereador.
“O PSD não deseja fazer oposição apenas por fazer. Por isso também quisemos dar o benefício da dúvida, tal como dar um voto de solidariedade ao actual executivo”.
Considerando que este não é um bom orçamento “mas é o possível face à péssima situação financeira em que o PS deixou a Câmara Muncicipal do Barreiro. Repito que este não é o orçamento do PSD mas optámos por viabilizar a posição da CDU.
Temos de ter em conta que é necessário honrar os compromissos assumidos e que há empresas que estão a enfrentar dificuldades por falta de pagamento das dívidas camarárias. O não pagamento das dívidas não é ético, nem moral.”
Abstenção seria mais fácil
“Era mais fácil para o PSD abster-se nesta votação, face à sua posição política e até face aos seus eleitores, mas há da minha parte necessidade de dar o benefício da dúvida à CDU, pelo pouco tempo em que está à frente dos destinos da autarquia, isto apesar de não ter sido ouvido pela CDU na elaboração do documento, excepto no que referiu às áreas do meu pelouro. No entanto, não havendo maiorias absolutas, a nossa postura tem de ser responsável pela viabilização dos documentos apresentados pelo executivo CDU, para o bem do Barreiro.”
È preciso ruptura com o anterior executivo
“Mas exigimos rigor e seriedade na aplicação das verbas, nomeadamente no que respeita aos subsídios para o Movimento Associativo.
Por outro lado, considero que as questões sociais mereciam maior atenção, porque se nota uma continuidade do que vem do anterior executivo por parte da CDU, com a qual não concordo. É preciso dar um sinal de ruptura com o que o PS fez, mas continua a dizer que o actual executivo ainda é muito recente, por isso dou o benefício da dúvida.”
Imaginação precisa-se
Este ano, a autarquia barreirense irá dispor de um Orçamento de 42 milhões de euros, 37 dos quais terão de ser aplicados no pagamento de dívidas e de comprimissos assumidos pelo anterior executivo. Este ano, o Barreiro também não irá poder recorrer à banca para investimento, uma vez que a sua capacidade de endividamento está esgotada.
Bruno Vitorino apresenta as contas: 9 milhões de euros estão destinados ao pagamento de compromissos assumidos em 2005; 2,5 milhões de euros são para pagar empréstimos antigos; 16 milhões e 700 mil euros são para os recursos humanos da autarquia; um milhão e 133 mil euros serão aplicados para recuperar dívidas à ADSE, EDP, Simarsul e Amarsul e 8 milhões e 700 mil euros para despesas e contratos fixos.
“Sobram assim cinco milhões de euros para aplicar, o que não dá espaço para abertura a novas opções políticas.
Há então que ter imaginação para resolver os problemas financeiros da autarquia, que não pode continuar apenas a sustentar o seu Orçamento com base nos impostos de habitação.
Além de ter de diminuir a despesa corrente, tem de criar novas dinâmicas económicas.
Do meu ponto de vista, há algumas formas possíveis: através do acesso a fundos comunitários ou da EFTA, ou através de parcerias entre o sector privado e o público.
E esse é um dos projectos que irei apresentar no meu pelouro, nomeadamente para a recuperação de algum do património histórico, como a Caldeira Pequena e o Moinho de Maré Pequeno. Queremos procurar empresas que possam recuperar este património e incentivar actividades económicas que não colidam com o usufruto da população destes espaços.”
Câmara Municipal tem de ser motor de desenvolvimento
Para o vereador, “é preciso também que a autarquia sustente as opções através da criação e manutenção de equipamentos, à semelhança do que acontece noutros concelhos, como Oeiras, que criou os parques empresariais, procurando parcerias privadas e cedendo espaços, criando assim investimento.
No Barreiro temos a Quimiparque, porque não fazer o mesmo?
A Câmara Municipal tem de ser um motor de desenvolvimento. Neste momento somos o único concelho da margem sul a perder população. Embora exista uma enorme oferta de habitação, a procura é pouco, porque falta qualidade de vida e integração económica.
Mas acima de tudo, não podemos ficar de braços cruzados, temos de bater a todas as portas para criar as nossas próprias soluções. A Câmara Municipal do Barreiro está a começar, esperamos que tenha espírito aberto para dar resposta uma resposta correcta a todas as solicitações.”
Maria do Carmo Torres













