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Perspectivas

Seixal inaugura espaço para mulheres ciganas

A Associação para o Desenvolvimento das Mulheres Ciganas Portuguesas (AMUCIP) inaugurou a sua nova sede, situada na aldeia de Paio Pires, no Seixal.
“Ser mulher cigana significa ser mãe, esposa, companheira, amiga, ser um dos pilares da educação dos filhos, que cabe inteiramente à mulher na comunidade cigana” – foi sublinhado ao “rostos”.

3 min de leitura

Por Jornal Rostos

Esta é a primeira associação de mulheres ciganas portuguesa, e com este espaço pretende criar uma nova dinâmica de integração entre todas as comunidades residentes no concelho, com especial pertinência para a comunidade cigana.
Ajudar as mulheres ciganas a abrir novos horizontes e dar apoio a crianças depois das aulas são alguns dos objectivos já definidos pela Associação para a sua nova sede, conforme referiu ao Rostos, Olga Mariano, a presidente da associação.
“Somos todas mulheres do concelho do Seixal e há cinco anos que andávamos em conversações com a Câmara Municipal para criar um espaço que fosse pertinente para o trabalho que queremos desenvolver. Como o Bairro da Cucena tem características muito particulares nesta comunidade, fazia todo o sentido desenvolver aqui a nossa actividade.” ´

Inserção do nosso povo com a comunidade maioritária

O espaço foi cedido pela Câmara e as obras tiveram o apoio da Fundação Montepio.
“A inauguração deste espaço foi o primeiro grande passo na agenda de actividades que vamos desenvolver com a nossa comunidade, no sentido da inserção do nosso povo com a comunidade maioritária” referiu Olga Mariano.
“Iremos trabalhar com crianças dos 6 aos 12 anos, ciganas e não ciganas, do Bairro da Cucena, que virão aqui depois das aulas para ter apoio a nível escolar e ao nível afectivo, porque sabemos que muitas delas têm de passar muito tempo na rua enquanto os país estão a trabalhar. Vamos ter várias actividades de tempos livres, de apoio escolar e aulas de dança. Teremos também raparigas dos 13 aos 15 anos que vão ter as aulas de ponto-cruz e dança flamenca, actividades para a qual temos várias professoras, que tiraram cursos de formação de formadores através do Instituto de Emprego e Formação Profissional. Temos esperança que através deste apoio possamos incentivar estas meninas que já saíram da escola a voltar a estudar.

Desenvolver tertúlias temáticas

Vamos aqui também desenvolver tertúlias temáticas, mensais ou semestrais, para chamar aqui as famílias das crianças apoiadas e conhecer as suas necessidades, as suas ideias, os seus sonhos. Teremos também presenças de parceiros espanhóis e de membros da Igreja Evangélica, para discutir as nossas ideias que são as de todos e que assim poderão ser expressadas mais facilmente.”
E qual é o papel da mulher cigana no nosso país?
“Ser mulher cigana significa ser mãe, esposa, companheira, amiga, ser um dos pilares da educação dos filhos, que cabe inteiramente à mulher na comunidade cigana.
O papel da mulher cigana também está a mudar, porque há alguns anos atrás não podiam conduzir, nem ter o seu próprio negócio ou vender em praças separadas dos maridos. Isso já não acontece hoje em dia, porque houve mudanças.
Mas nós não queremos mudar a nossa cultura, queremos é dar passos em frente naquilo que realmente se pode dar, porque temos muito orgulho na nossa cultura, como os nossos casamentos, a nossa dor, os elos com as pessoas idosas, sermos mães, etc. que têm de ser preservados.”

Maria do Carmo Torres

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