Partido Socialista – Barreiro (II)Debate entre os candidatos à liderança
Abre o PS caminhos para um novo futuro?
Amílcar Romano considerou que se deve “acabar com protagonismo de meia dúzia de pessoas” e “aumentar o reforço de protagonistas”.

Por Jornal Rostos
Concluímos a divulgação do “frente a frente” entre Amílcar Romano e Luís Ferreira, um debate entre os dois candidatos à Presidência da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista.
Este debate decorreu de uma forma geral, entre os participantes com alguma serenidade, no confronto de ideias e personalidades.
Na assistência dos apoiantes de parte da parte, existiu algum clima de crispação, mas, contido e com respeito q.b. pelas diferenças de opinião.
De referir, de facto, que sendo este uma debate aberto à comunidade, não entusiasmou pessoas fora da esfera do Partido Socialista para assistir e, na iniciativa, nem estiveram tantas presenças como aquelas que se registaram em actos de apresentação das candidaturas aos militantes socialistas.
Trabalho de reorganização do PS
Uma nova pergunta colocada aos dois protagonistas, nomeadamente como encaram as futuras eleições de 2009.
Amílcar Romano começa por referir que “não coloco a questão de 2009 como grande objectivo” acrescentando que “2009 só é possível ganhar se organizarmos o PS” e se “recuperamos a confiança dos barreirenses” e, neste contexto, considerou que estas metas de reorganização e ganhar a confiança, devem ser “alcançados até 2007”.
Na sua opinião o PS tem que se colocar “num quadro de competição com o PCP” e considerou “que podemos ter essa vontade, isso não será uma utopia”, acrescentando que a vitória do PS em 2009 será alcançada se existir um “trabalho de reorganização do PS”.
A conquista da CMB é possível em 2009
Luís Ferreira, começou por salientar que os dez compromissos políticos que apresentou aos militantes foi “um patamar de início de discussão”, porque considerou é importante que o PS retome a “capacidade de intervir”.
Lamentou que Amílcar Romano considere que a ideia de promover uma politica de “orçamento Participativo” seja considerada uma “vacuidade” ou que outras propostas apresentadas sejam consideradas “desfasadas”.
Na sua opinião “a CDU está a fazer uma farsa de participação”.
Referiu que “a conquista da CMB é possível” de novo em 2009.
Comentou aquilo que classificou de “pânico” de Amílcar Romano, em vir afirmar : “Eu não sou candidato à Presidência da Câmara”.
Recordou que não carece deste tipo de justificações, até, porque, a sua estratégia “passa por pessoas”.
Superar os ódios e os desentendimentos
Uma nova pergunta interrogava os candidatos de qual consideram que deve ser o perfil do líder do Partido Socialista.
Luís Ferreira referiu que - “Tenho uma visão da politica que deve ser feita em trabalho de equipa, com pessoas determinadas e com capacidade de resistir às provocações”.
Acrescentou que um líder do PS deve trabalhar para superar os “ódios e os desentendimentos”, de forma a ter “governabilidade no PS”.
Na sua opinião é necessário “acabar com os ódios” e com a “engenharia de almas, com base nos ódios”.
Referiu ser importante “criar pontes entre militantes” e “criar vertentes de proximidade”.
Apelou ao Amílcar Romano para colaborar, porque “o PS não pode continuar com guerrilhas internas”.
Criticou afirmações de militantes que referem demitir-se se tal candidato ganhar e recordou “a minha candidatura não é a candidatura do PS de Luís Ferreira”.
Amílcar Romano, começou por salientar que tipo de liderança pretende assumir Luís Ferreira quando utiliza argumentos para falar de militantes, como “exército de mercenários” e “cultura de ódio”.
Considerou que Luís Ferreira “é um líder formatado por oposição à Câmara e ao PS”.
Na sua opinião um líder do Partido Socialista tem que conhecer o PS, os militantes e conhecer o concelho do Barreiro e procurar “funcionar com consensos, no Partido e fora do partido, com uma imagem de credibilidade”.
Gostos muito próprios
“Não estou a ver na sua cara essa imagem” – sublinhou Amílcar Romano, dirigindo-se directamente para Luís Ferreira.
Luís Ferreira comentou : “Que elegância Amílcar. Que elegância”.
Amílcar Romano ripostou : “Tenho gostos muito próprios”.
Foi um momento que gerou alguma confusão e troca de “mimos” na sala entre quem assistia ao debate.
Frentismo e caldeirada
Amílcar Romano, prosseguiu sublinhando que Luís Ferreira é um candidato que fala em “unidade” mas que os seus apoiantes “são um frentismo” entre pessoas que “nunca tiveram afinidades de intervenção política”, sendo, na sua opinião o “resultado de uma grande caldeirada”.
Luís Ferreira, acusou Amílcar Romano de “populismo” e de ter um discurso com base em “mau gosto e ofensas”.
Você é um principiante
Amílcar Romano, ripostou, referindo, “você é um principiante, há meio ano ninguém o conhecia”, acrescentando que para liderar o PS é “preciso conhecer as forças adversárias, conhecer as características das gentes do Barreiro, porque o nosso contexto do Barreiro é muito próprio” – referiu Amílcar Romano, acrescentando – “há uma cultura política local”.
Sentido positivo do Projecto EscolasBarreiro
Avançando no debate foi colocada uma nova pergunta sobre a situação social do concelho do Barreiro.
Amílcar Romano referiu o trabalho que foi realizado na elaboração do Diagnóstico Social que resultou num Plano de Acção para 2006-2008.
Considerou que a Câmara deve “envolver-se” em questões sociais, mas não assumir “uma posição de liderança” em matérias como a Saúde ou exclusão social.
Referiu a importância e o sentido positivo do Projecto EscolasBarreiro e o aumento da rede pública de Jardins de Infância.
Sublinhou o significado da criação da UTIB, que na sua opinião é “pura intervenção social”.
Recordou alguns aspectos das políticas de Habitação Social dinamizadas na sua gestão.
Reforçar o ensino recorrente no Barreiro
Luís Ferreira, começou por referenciar que este processo eleitoral vai ser útil para o Partido Socialista, - “o PS vai sair a ganhar” porque está a”viver momentos de efervescência”.
E acrescentou que as “gentes do Barreiro não gostam de boiças gratuitas”.
“Ao nível social há carências que resultam de 27 anos de gestão do PCP” – referiu Luís Ferreira.
Acerca da UTIB salientou que embora sendo “uma grande concretização”, na sua opinião “não é uma inovação”.
Recordou que Amílcar Romano tem responsabilidades nas políticas sociais que deveriam ter tido em conta o envelhecimento da população, as listas de espera na Misericórdia – “é um drama humano”.
Referiu que há um grande número de idosos, no concelho do Barreiro, que não frequentaram um grau de ensino, pelo que seria importante “reforçar o ensino recorrente no concelho do Barreiro”.
Lamentou que a Câmara não tenha avançado com a promessa eleitoral do PS, de criação do Cartão Social do Idoso.
Considerou que houve falta de investimento, na gestão socialista, no apoio à Habitação Social, criticando a fraca taxa de concretização do PER.
Na sua opinião sobre o PER E PROHABITA, há muito para fazer no concelho do Barreiro, que deve ser feito “nem que seja a CDU a fazer, o importante é que isto mude”.
Reconquistar a confiança falando verdade
Numa nova pergunta pretendia-se saber como os candidatos pretendem cativar a população do Barreiro e como encaram as criticas das dívidas deixadas pelo PS.
Luís Ferreira sublinhou que “para reconquistar a confiança da população barreirense” tal só é possível “falando verdade”.
Salientou que o PS “também encontrou dívidas” e o resultado de uma “Auditoria não veio a público”.
Sublinhou que na gestão do Partido Socialista “fizemos uma gestão honesta”.
Acrescentou que “há problemas de endividamento da autarquia” que são fruto directo da Lei de Finanças Locais.
Luís Ferreira referiu que actualmente o PS “está com dificuldades de liderança” uma realidade que, sublinhou “temos que assumir”.
Na sua opinião, “não podemos continuar a ter um partido adormecido” e considerou que a partir de 26 de Março o PS tem que “dar outras respostas”, acrescentando, “porque a CDU não explica as condições que o PS herdou na Câmara”.
Não foi a Câmara que perdeu foi o partido
Amílcar Romano, referiu que o PS fez um empréstimo de 10 milhões de euros, dos quais 7 milhões foram para pagar a dívida deixada pela CDU.
“A situação financeira da Câmara está em condições de ser gerida” – salientou Amílcar Romano.
Na sua opinião a Câmara Municipal do Barreiro “está parada” e o PCP fala da divida para justificar “o que não vai fazer”.
Sublinhou que o PSD e Bruno Vitorino repetem as mesmas coisas.
Referindo ainda o trabalho realizado na Habitação Social, na gestão socialista, recordou que foram realojadas 35 famílias e discutido com a Quimiparque uma resolução para a situação do Bairro das Palmeiras.
Sobre a vida do PS e a sua reafirmação considerou que só é possível com a “reorganização do Partido”, mantendo “uma vida política regular”, dignificando os seus órgãos e valorizando as “relações com a comunidade e com as pessoas”.
Na sua opinião é necessário encontrar as soluções com as pessoas.
“Não foi a Câmara que perdeu, foi o partido, foi a retaguarda que não acompanhou os projectos” – salientou Amílcar Romano.
Descentralização do trabalho político
A finalizar as respostas a perguntas os dois candidatos falaram da vida partidária.
Amílcar Romano, considerou que o “recrutamento é importante” e sublinhou se “ganhar assumirei as propostas que apresentei”, referiu ainda a criação de um Gabinete das Etnias.
Considerou importante “reforçar a dignificação dos órgãos” e a “descentralização do trabalho político” tendo por finalidade “envolver os membros da Comissão Politica”.
Amílcar Romano considerou que se deve “acabar com protagonismo de meia dúzia de pessoas” e “aumentar o reforço de protagonistas”.
Referiu ainda que não se revia nas pessoas que apoiam a candidatura de Luís Ferreira.
O partido tem que conquistar a cidade
Luís Ferreira, sublinhou que “o PS tem bastantes quadros” e tem que ser capaz de “mobilizar o que tem”, e, nesse sentido, considerou importante criar “Clubes de Politica, Fóruns de Cidadania e o desenvolvimento de estratégias de comunicação, sublinhando que “não houve estratégia de comunicação no PS”, porque quer o PSD, quer a CDU, referiu “têm estratégia de comunicação”.
“O partido tem que conquistar a cidade” – sublinhou.
Na sua opinião os “partidos sofrem problemas de autismo”.
Luís Ferreira salientou que a sua eleição significa “o triunfo dos militantes de base” e considerou essencial “por fim às castas”.
PS Barreiro uma bandeira no Distrito e na AML
A encerrar o “frente a frente” cada candidato fez uma declaração final.
Amílcar Romano, sublinhou que “este debate contribuiu para dignificar a política” e considerou importante que se encontrem as melhores soluções para o Barreiro e para o PS.
Na sua opinião o processo eleitoral “está a dinamizar o partido” e a “promover debates abertos”.
Na sua opinião é importante “valorizar a gestão do PS”, no mandato que esteve a dirigir o município, porque considera, foi um mandato que “marcou pela diferença, nas formas de estar e pensar”.
Na sua intervenção sublinhou que o PS “alterou a imagem do concelho”, com eventos, com a discussão do PDM, com exigência de qualidade, com novas lógicas com as instituições, “quebrando o medo”.
“Abrimos as gavetas fechadas pelo PCP” – salientou Amílcar Romano.
A finalizar salientou que “todos somos necessários para recriar o PS” e considerou que o PS Barreiro pode ser uma “bandeira no Distrito de Setúbal e na AML”.
Na sua opinião a eleição do Presidente da Comissão Politica Concelhia do Barreiro “não pode ser vista como um estágio profissional” nem resultar de “alianças contra natura”.
É o primeiro sinal que estamos a dar ao Barreiro
Luís Ferreira, começou por sublinhar que Amílcar Romano ao falar em “alianças contra natura” continua a fomentar a “cultura do ódio”, e referiu que “30km mais à frente veremos essas alianças contra natura”.
Na sua opinião com este processo eleitoral da nova Comissão Politica está a assistir-se ao “renascimento do PS”, este, sublinhou “é o primeiro sinal que estamos a dar ao Barreiro”.
Luís Ferreira salientou que as campanhas de “difamação” só “fragilizam o futuro do PS”.
Referiu que vai exercer uma liderança determinada “com regras e com ética” porque considera “o Barreiro não quer mais do mesmo” e permitir que a CDU faça chicana politica.
“A CDU tem que ter uma oposição inteligente que não enverede pelo anticomunismo primário”- sublinhou Luís Ferreira.
Manifestou a sua vontade em criar no PS “condições de governabilidade” e referiu que acredita que “o PS vai mudar a sério”, porque não aceita, citou, que “alguma coisa













