No SeixalCordão humano de mais de 6 mil pessoas
Exigindo construção de um novo Hospital na Margem Sul
Por Jornal Rostos
Mais de seis mil pessoas uniram as duas margens do concelho do Seixal, exigindo a construção de um novo hospital na Margem sul.
Eram perto das 15 horas quando as concentrações, marcadas para três pontos do concelho do Seixal, se começaram a formar. Autocarros chegavam repletos de pessoas que quiseram estar presentes neste protesto.
Associações de pensionistas e reformados do concelho, entidades públicas e representantes das autarquias de Seixal, Sesimbra e Almada, estiveram presentes também, tendo realizado pequenas intervenções num palco especialmente montado para o evento.
Hospital na Margem Sul
A construção de um equipamento de saúde na margem sul é um sonho antigo, atendendo à sobrelotação que o hospital Garcia de Orta, em Almada, já sente.
No ano de 2002 a Comissão de Utentes de Saúde do Seixal reuniu 22 mil assinaturas de munícipes que apoiavam a construção de um hospital no Seixal.
Em 2005, face à inexistência de uma resposta por parte do Ministério da Saúde a este pedido, foi realizado um novo baixo-assinado, que recolheu 66 mil assinaturas.
Depois de vários estudos de viabilidade e de o próprio ministro da Saúde ter apontado como prioridade a construção de um novo hospital na margem sul, com o Seixal como a melhor localização, um estudo de prioridades encomendado pelo Ministério da Saúde à Escola de Gestão do Porto indica que, apesar de ser necessário um tal equipamento, é mais barato para o Estado o alargamento do Hospital Garcia de Orta em mais 150 camas, do que a construção de um novo hospital.
A apresentação e discussão pública deste estudo, que termina a 27 de Março, levou a que as entidades do concelho organizassem diversas acções contra esta tomada de decisão, como a criação da Plataforma «Juntos pelo Hospital no Concelho do Seixal», um fórum público de discussão que decorreu no Auditório do Fórum Municipal do Seixal e o cordão humano a ligar a baía do Seixal.
Seis mil em cordão
Milhares de pessoas reuniram-se ao longo da baia culminando o ponto de encontro das duas margens (Seixal e Amora) num terreno na Torre da Marinha, onde os diversos participantes do movimento intervieram.
Para Augusto Pólvora, presidente da autarquia de Sesimbra, “este movimento faz todo o sentido, uma vez que a população de Sesimbra só sairá beneficiada com a construção deste novo hospital. Até agora temos sido sempre o parente pobre, tendo sido esquecidos pelo Estado muitos dos projectos que já estavam definidos como a extensão de saúde da Quinta do Conde e uma nova unidade de saúde no concelho.”
Já Maria Emília de Sousa, edil da Câmara Municipal de Almada, mostrou-se bastante comovida com o que viu e lembrou que “há trinta anos atrás, também as populações de Almada, Seixal e Sesimbra se uniram para a construção de um novo hospital que oferece-se melhores condições do que o que já existiam em Almada. Vencemos e venceremos agora de novo com este Hospital.”
A terminar as intervenções esteve o presidente da autarquia do Seixal, Alfredo Monteiro, que sublinhou o facto de “as autarquias e os munícipes não aceitarem este estudo, que além da péssima qualidade técnica porque não apresenta factos em números, também não vai de encontro às necessidades de uma população crescente e contradiz mesmo o Plano Regional de Saúde para Lisboa e Vale do Tejo, realizado em 2002, no qual era referida a necessidade da construção de mais um hospital na margem sul, bem como vai contra as declarações do próprio Ministro da Saúde que nesse mesmo ano também reconheceu que a construção desse equipamento era uma prioridade no campo da saúde”. E ficou a promessa do autarca: “Se não nos ouvirem, o próximo cordão humano irá ligar as duas margens do Tejo e iremos mesmo até Lisboa, à Assembleia ou ao Ministério mostrar o nosso descontentamento.”
Maria do Carmo Torres













